Pesquisa Trimestral de Abate de Animais, de Leite, Couro e Produção de Ovos de Galinha

O IBGE divulgou, no último dia 14, os dados preliminares  para o segundo trimestre de 2019 para a Pesquisa Trimestral de Abate de Animais, de Leite, Couro e Produção de Ovos de Galinha

Aves

Os resultados preliminares publicados pelo IBGE mostram que no 2º trimestre de 2019 foram abatidos 1.427 milhões de cabeças de frangos no Brasil, que resultaram em 3.349 mil toneladas de carcaça. Esses valores representam uma queda de 1,5 e 1%, respectivamente, em relação ao trimestre anterior. Isso confirma a dificuldade que as empresas estão enfrentando para aumentar a produção de pintinhos de 1 dia devido à escassez de matrizes, já que há alguns meses as agroindústrias, como reflexo da crise que afeta o setor, promoveram o descarte de animais mais velhos. Em relação ao mesmo período de 2018, observamos um pequeno aumento no peso das carcaças, de 0,4% e aumento de 3,6% no número de aves abatidas, conforme pode ser observado na tabela 1, abaixo.

Suínos

Para suínos, os resultados preliminares publicados pelo IBGE para o 2º trimestre de 2019 mostram pequeno aumento no número de animais abatidos e no volume das carcaças produzidas (0,7 e 2,5%, respectivamente) em relação ao 1º trimestre de 2019. Esse comportamento explica os aumentos consecutivos no preço da carne suína que observamos no mercado interno no primeiro semestre de 2019. As exportações aumentaram, mas como não houve aumento significativo da produção, os preços internos acabaram pressionados devido à baixa oferta. Em relação ao mesmo período de 2018, a produção de carne suína cresceu 4,3%, também reflexo do aquecimento do mercado externo, como pode ser observado na tabela abaixo:

Ovos

A produção de ovos no Brasil no 2º trimestre 2019 subiu 2% em relação ao 1º trimestre, e quase 6% em relação ao mesmo período do ano passado. Esse aumento da oferta ajuda a explicar porque as cotações da caixa de ovos ao produtor não consegue retornar aos patamares de 2017, um dos melhores anos para a avicultura de postura na última década.

Carne bovina

Os dados preliminares apontam um aumento de 2,4% no número de bovinos abatidos no 2º trimestre de 2019 em relação ao trimestre anterior, e de 4,1% quando comparado ao mesmo período do ano passado. O abate de 8,08 milhões de cabeças gerou um volume de 2,01 milhões de toneladas de carcaça bovina, 3,6% acima do trimestre anterior e 5,5% acima do mesmo período de 2018.

A carcaça média produzida no abate desses animais, 248,98kg, está 1,2% mais pesada que no trimestre anterior, e 1,46% acima de 2018. O volume total de carne produzida no 1º semestre de 2019 é 4,1% maior que o volume produzido no mesmo período de 2018, um excedente de 155 mil toneladas. Porém, as exportações no mesmo período superam o embarcado no 1º semestre de 2018 em 215 mil toneladas, ou seja, o excedente produzido está sendo 100% destinado para exportação, inflado principalmente pelo aumento do volume embarcado para China (+19,3%) e Egito (+10,2%).

No mercado interno, percebe-se uma redução da disponibilidade de carne per capita, ainda mais considerando as quedas na importação de 15,3% quando comparado o 1º semestre de 2019 com mesmo período de 2018.

Já os curtumes adquiriram 8,39 milhões de unidades de couro cru, queda de 1,1% em relação ao primeiro trimestre de 2019 e aumento de 1,0% comparado ao mesmo período de 2018. Porém, processaram 8,13 milhões de unidades, queda 2,9% em relação ao trimestre anterior, e queda de 1,3% comparado ao 2º semestre de 2018.

Fato interessante em se destacar é que foram abatidas 15,9 milhões de cabeças no primeiro semestre de 2019, porém, a indústria do curtume adquiriu mais de 16,8 milhões de peles, 5,5% acima do volume de animais abatidos no sistema de inspeção oficial.

Leite:

Os dados preliminares da pesquisa trimestral indicam que o segundo trimestre de 2019 apresentou uma retração de 6,4% no volume de leite inspecionado adquirido pelas indústrias lácteas brasileiras (5,8 bilhões de litros) em relação ao primeiro trimestre do ano (6,2 bilhões de litros). Contudo, quando comparando com o mesmo período de 2018, a quantidade de leite foi 7,4% maior.

No semestre, o volume total de leite adquirido em 2019 é 5,3% maior que o volume produzido no mesmo período de 2018, 12,06 bilhões de litros contra 11,45 bilhões em 2018. Tal informação corrobora para o atual momento enfrentado pelos produtores de leite no país, que em plena entressafra de duas importantes regiões produtoras, Sudeste e Centro Oeste, sofrem com a redução dos preços pagos pelo litro de leite.

De forma atípica, segundo dados do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada - CEPEA/Esalq, o preço pago ao produtor em julho, referente ao leite entregue em junho, recuou 7,9% frente ao mês anterior. Em valores, foram pagos R$ 1,40/litro em julho, 7,8% menor em relação à do mesmo período de 2018.


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