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Panorama do Agro

Nos últimos 40 anos a produção agropecuária brasileira se desenvolveu de tal forma que o Brasil será o grande fornecedor de alimentos do futuro.

Temos, hoje, uma agricultura adaptada às regiões tropicais e uma legião de produtores rurais conscientes de suas responsabilidades com o meio ambiente aliadas à produção de alimentos. Essas pessoas compõem o setor produtivo mais moderno do mundo, que vem transformando a economia brasileira.

Produzindo cada vez mais, o Agro brasileiro reduziu drasticamente o preço da alimentação, melhorando a saúde e qualidade de vida da população urbana, liberando seu poder de compra para bens produzidos pela indústria e pelo setor de serviços.

Produzindo excedentes cada vez maiores, o agro expandiu suas vendas para o mundo, conquistou novos mercados, gerando superávites cambiais que libertam a economia brasileira.

O efeito transformador da revolução agrícola dos últimos 40 anos é certamente o fato mais importante da história econômica recente do Brasil e continua abrindo perspectivas para o desenvolvimento futuro do país.

O agronegócio tem sido reconhecido como um vetor crucial do crescimento econômico brasileiro. Em 2016, a soma de bens e serviços gerados no agronegócio chegou a R$1,3 trilhão ou 23,6% do PIB brasileiro. Essa participação tem crescido nos últimos anos. Era de 20,4% em 2014 e de 21,4% um ano depois.¹ Ou seja, não fosse a expansão do agronegócio, a retração da economia brasileira - -3,8% em 2015 e -3,6% em 2016 – teria sido ainda pior.

O valor bruto da produção (VBP) do agronegócio alcançou R$536,5 bilhões em 2017, dos quais R$342,6 bilhões na produção agrícola e R$193,9 no segmento pecuário. Como revela a figura 1 a seguir, a soja (grãos) foi o produto com maior VBP em 2017, R$127,7 bilhões. O segundo lugar no ranking do VBP do agronegócio nacional foi ocupado pela pecuária de corte, com R$88 bilhões. O terceiro maior VBP foi o da cana de açúcar, com R$55,3 bilhões, seguido do milho (R$49,3 bilhões) e da pecuária de leite (R$44,6 bilhões). Frango aparece em sexto lugar com VBP de R$35,6 bilhões, seguido do café com R$20,6 bilhões, Suínos R$14,3 bilhões, ovos R$11,4 bilhões e mandioca com R$10,8 bilhões.

Figura 1: Valor Bruto da Produção no Brasil em 2017 (em R$ bilhões)

Fonte: CNA, Estimativa Jan/2018 (preços reais - IGP-DI).

O setor absorve praticamente 1 de cada 3 trabalhadores brasileiros. Em 2015, de acordo com dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD), 32,3% (30,5 milhões) do total de 94,4 milhões de trabalhadores brasileiros eram do agronegócio. Desses 30,5 milhões, 13 milhões (42,7%) desenvolviam atividades de agropecuária, 6,43 milhões (21,1%) no agrocomércio, 6,4 milhões (21%) nos agrosserviços e 4,64 (15,2%) na agroindústria.

Quanto ao comércio internacional – 44,1% das exportações brasileiras, em 2017, foram de produtos do agronegócio – também há forte contribuição do agronegócio para o desempenho da economia brasileira. Isso fica evidente no gráfico 2 a seguir que revela que desde 2007 o superávit comercial do agronegócio brasileiro tem mais que superado o déficit comercial dos demais setores da economia brasileira, e garantido sucessivos superávits à Balança Comercial brasileira.²

Gráfico 1: Saldo da Balança Comercial Brasileira (em US$ bilhões) – 1989 a 2017

Fonte: MDIC e AgroStat/MAPA. Elaboração CNA.

Apesar dos desafios contemporâneos nos mercados doméstico e internacional, os destinos e a diversidade de produtos exportados pelo agronegócio brasileiro aumentaram significativamente. Como apresentado na figura 2 a seguir, o Brasil é hoje o maior exportador de açúcar, café, suco de laranja, soja em grãos e carnes bovina e de frango; e o segundo maior de milho e de óleo e farelo de soja. É também o maior produtor mundial de açúcar, café e suco de laranja; o segundo na produção de soja em grãos e de carnes bovina e de frango; e o terceiro na produção mundial de milho.³

​Figura 2: Produção e Exportações Brasileiras no Ranking Mundial em 2017

Fonte: USDA - Elaboração CNA.

Atualmente, o Brasil é o quarto maior exportador mundial de produtos agropecuários, aproximadamente USD 96 bilhões, atrás apenas da União Europeia, EUA e China. Esse desempenho comercial superavitário com o resto do mundo, tem contribuído de forma decisiva para a estabilidade da taxa de câmbio e para a continuidade da política de flexibilização da política monetária – a taxa SELIC já caiu 7,5p.p desde outubro/2016 -, com reflexos importantes nos menores custos de crédito para toda a sociedade brasileira.

Além disso, a safra recorde 2016/17 com 238 milhões de toneladas de grãos tem contribuído significativamente para a estabilidade de preços no Brasil. O IPCA global, por exemplo, encerrou 2017 com alta de 2,95% a.a., o menor índice desde 1998, beneficiado pela queda de -4,85% nos preços do subgrupo ‘alimentação no domicílio’.

Gráfico 2: Inflação no Brasil em 2017 – Grupos e Subgrupos do IPCA

Fonte: IBGE / Elaboração CNA.

¹Segundo dados do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (CEPEA/USP) em parceria com a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA).

²Exceto 2014 quando o superávit da Balança Comercial do Agronegócio foi de USD80,13 bilhões e o déficit dos demais setores foi de USD84,18 bilhões.

³Para dados do Departamento de Agricultura dos EUA (USDA).