Gestão estratégica de ativos como base da competitividade do eucalipto
O eucalipto segue como uma das cadeias mais competitivas do país, combinando alta produtividade com forte mecanização das operações. Os dados do Projeto Campo Futuro mostram que, mesmo diante de custos crescentes e de um cenário comercial incerto, a cultura mantém margens positivas e boas perspectivas de retorno. Essa resiliência é resultado direto da eficiência operacional alcançada nas últimas décadas, especialmente no uso de máquinas, tecnologia e mão de obra qualificada.
Enquanto culturas como a seringueira ainda apresentam forte dependência de trabalho manual, o eucalipto opera com patamares muito mais elevados de mecanização. A participação da mão de obra no Custo Operacional Efetivo (COE) é de apenas 28%, contra 82% na heveicultura. Esse padrão reduz a vulnerabilidade a escassez de trabalhadores e oscilações salariais, mas exige atenção a outro ponto crítico: o alto peso do maquinário nos custos, especialmente nas operações de implantação, manejo e colheita.
A mecanização, quando bem gerida, funciona como um “escudo” para o produtor, protegendo a rentabilidade, garantindo regularidade operacional e aumentando o potencial produtivo das áreas. No entanto, quando há baixa qualificação, falta de manutenção ou planejamento inadequado, o efeito pode ser o oposto: custos elevados, máquinas ociosas e perda de eficiência.
Mesmo com forte mecanização, o setor florestal depende de equipes preparadas para operar máquinas complexas, interpretar dados, ajustar equipamentos e garantir precisão nas operações. A mecanização gera demanda por trabalhadores especializados, ao mesmo tempo em que incentiva maior profissionalização da atividade.
Essa mudança amplia o peso estratégico da capacitação. Operadores bem treinados reduzem desperdícios, evitam retrabalhos, prolongam a vida útil das máquinas e utilizam melhor recursos como combustível e insumos, sendo que todos esses fatores estão diretamente ligados ao custo final da madeira produzida.
Em algumas praças levantadas, o maquinário chega a representar 49% do COE (como em Curvelo/MG), mostrando que a gestão desses ativos é crítica para manter competitividade. Máquinas mal dimensionadas, uso ineficiente ou manutenção irregular podem ampliar sobremaneira o custo por metro cúbico, comprometendo margens que hoje são saudáveis.
Boas práticas incluem planejamento operacional adequado por talhão, renovação racional da frota e contratação estratégica de serviços terceirizados em períodos de maior demanda de manejo e operações. Além disso, é essencial que haja o monitoramento e avaliação constante de indicadores, como horas trabalhadas e paradas, consumo de máquinas, dentre outros.
Há de se considerar também os desafios externos que o setor enfrenta, como a imposição de tarifas anunciada pelos EUA sobre produtos florestais, que trouxe instabilidade ao mercado e ampliou a necessidade de eficiência interna. Ainda que parte dos produtos tenha sido retirada da medida, fica a clara mensagem de que o ambiente global continuará exigindo custos otimizados, operação enxuta e produtividade crescente.
A combinação de alta mecanização, mão de obra qualificada e gestão eficiente de máquinas fortalece a competitividade do eucalipto mesmo em cenários de custos elevados. Produtores que monitoram indicadores, investem em capacitação e aprimoram processos conseguem produzir mais madeira por hectare, reduzir custos por metro cúbico e se posicionar melhor no mercado nacional e internacional.