Replantio da soja pode elevar custos em até 7,4 sacas por hectare
A semeadura da safra 2025/26 de soja no Brasil foi marcada por diversos casos de replantio em importantes regiões produtoras, devido às condições climáticas adversas. Para mensurar o impacto econômico dessa operação, foram estimados os custos adicionais considerando dois cenários de replantio, com preços médios de insumos entre setembro e outubro para Sorriso (MT), Rio Verde (GO), Dourados (MS) e Cascavel (PR). A conversão do custo para sacas de soja por hectare utilizou o preço médio em novembro.
No Cenário 1, que foi considerado o replantio de 30% da área, o aumento de custo variou entre 1,8 e 3,2 sacas/ha. No Cenário 2, além do replantio, foi necessária nova aplicação de fertilizantes devido ao excesso de chuvas. Nesse caso, o custo adicional alcançou cerca 5,2 sacas/ha em Cascavel e 7,4 sacas/ha em Sorriso (Figura 1).
A decisão de replantio demanda a avaliação de fatores como disponibilidade e qualidade das sementes, impacto sobre a janela ideal de plantio da cultura sucessora e custo com mecanização. Soma-se a isso a necessidade de aguardar o laudo do seguro agrícola em situações de sinistro, o que reduz ainda mais o período ideal de semeadura e pode comprometer o potencial produtivo da lavoura.
Considerando essa complexidade, foi realizada uma simulação que assume como alternativa o produtor antecipar o plantio do milho de segunda safra no lugar do replantio da soja. Foram considerados os preços médios de insumos do milho entre junho e outubro de 2025, produtividade média do cereal das últimas cinco safras (20/21 a 24/25) e preços médios de venda em novembro/25. Para estimar o ganho mínimo necessário, calculou-se a margem bruta esperada do sistema soja + milho segunda safra e o custo da semente de soja que seria poupado.
O resultado econômico mostrou que o acréscimo de produtividade necessário para igualar a margem bruta esperada do sistema soja + milho segunda safra seria significativo em todas as regiões analisadas. Em Cascavel, seriam necessárias 38,9 sacas de milho por hectare, o que representa um aumento de 40,4% em relação à produtividade média das últimas cinco safras. Para Dourados, o incremento exigido foi estimado em 24,0 sc/ha (30,0% acima da média). Em Rio Verde, o salto necessário é ainda maior: 63,2 sc/ha, um acréscimo de 64,5%. Já em Sorriso, o aumento calculado foi de 33,5 sc/ha, equivalente a 28,6% (Figura 2).
A antecipação da semeadura do milho segunda safra pode favorecer a produtividade ao aproveitar a maior regularidade de chuvas em novembro e dezembro e reduzir o risco de geadas em regiões como Paraná e sul do Mato Grosso do Sul. Ainda assim, a estratégia não elimina riscos: há possibilidade de perdas por estiagem e irregularidade das chuvas, especialmente em anos de La Niña, e o milho é menos tolerante ao estresse hídrico do que a soja, fatores que tornam a decisão dependente de uma avaliação cuidadosa das condições climáticas e produtivas de cada região.