Ramo pecuário segue impulsionando o PIB do agronegócio

Por: Superintendência de Comunicação

O Produto Interno Bruto (PIB) do agronegócio brasileiro, calculado pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Esalq/USP, em parceria com a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) e com a Fundação de Estudos Agrários Luiz de Queiroz (Fealq), apresentou redução de 0,15% em setembro. Ainda assim, no acumulado do ano (de janeiro a setembro), o resultado é de crescimento (0,21%)[1].

Entre os segmentos do agronegócio, agroindústria (0,19%) e agrosserviços (0,17%) registraram pequenas elevações em setembro, com recuo no segmento primário (-1,09%) e no de insumos (-0,31%). Já no acumulado de 2019 (janeiro a setembro), insumos (7,94%), agroindústria (1,69%) e agrosserviços (1,62%) cresceram, enquanto o segmento primário seguiu registrando baixa (-5,59%) - Tabela 1.

Tabela 1. PIB do Agronegócio: Taxa de variação mensal e acumulada no período (%)

O ramo agrícola recuou, tanto em setembro (-0,91%) como no acumulado dos 3 primeiros trimestres de 2019 (-3,70%). No mês, todos os segmentos do ramo apresentaram redução: insumos (-0,41%), primário (-2,27%), agroindústria (-0,27%) e agrosserviços (-0,76%). Já no acumulado de janeiro a setembro, apenas o segmento de insumos cresceu (10,34%), enquanto o segmento primário acumulou forte redução (13,91%) – Tabela 2.

Como destacado em relatórios anteriores, o PIB do segmento primário agrícola segue pressionado pelo elevado custo de produção da safra 2019 e pelo menor preço médio dos produtos do segmento, em comparação ao mesmo período de 2018. Entre janeiro e setembro de 2019 produtos como algodão, café, mandioca, milho e soja tiveram quedas significativas de preço comparativamente ao mesmo período do ano anterior.

Ainda no ramo agrícola, a agroindústria e os agrosserviços também recuaram no período, mas a taxas menos acentuadas, de 0,20% e 2,46% respectivamente – Tabela 2.

Tabela 2. Ramo Agrícola: Taxas de variação mensal e acumulada no período (%)

No ramo pecuário, seguindo a tendência dos últimos meses, houve aumento do PIB de 1,73% em setembro. Então, registrou-se crescimento expressivo de 10,76% no acumulado dos primeiros nove meses de 2019. Em relação aos segmentos, apresentaram crescimento em setembro o primário (1,08%), a agroindústria (1,99%) e os agrosserviços (2,26%), e o segmento de insumos ficou praticamente estável no mês (-0,07%). Já no acumulado, todos os segmentos do ramo registraram altas importantes, de 2,83%, 11,94%, 9,52% e 11,66% para insumos, primário, agroindústria e agrosserviços, respectivamente – Tabela 3.

Tabela 3. Ramo Pecuário: Taxas de variação mensal e acumulada no período (%)

Como destacado em relatórios anteriores, o segmento primário da pecuária vem se beneficiando da maior demanda por proteína animal pela China, devido à Peste Suína Africana (PSA). Desta forma, o aumento significativo dos preços nas cadeias pecuárias em resposta ao incremento de demanda externa, associado à expansão da produção, tem impulsionado o PIB do ramo.

SEGMENTO DE INSUMOS: Ramos agrícola e pecuário mantêm alta no período

O segmento de insumos do agronegócio recuou 0,31% em setembro. Já no acumulado de janeiro a setembro, manteve o movimento de alta observado desde o início do ano, com aumento de 7,94%. Em setembro, os insumos agrícolas e pecuários apresentaram quedas, pouco expressivas, de 0,41% e 0,07%, respectivamente. Ao contrário, no acumulado, o cenário é de crescimento para ambos os ramos, de 10,34% para os insumos agrícolas e de 2,83% para os pecuários (Tabelas 1 a 3).

A Figura 1 mostra as variações anuais de volume, de preços e de faturamento das atividades do segmento de insumos, mostrando um comportamento predominantemente positivo. No ramo agrícola, a indústria de defensivos se destaca pelo forte aumento na quantidade e faturamento anuais, e a indústria de fertilizantes também mantém movimento de alta. Os insumos pecuários também apresentam bom desempenho na variação anual, principalmente a indústria de rações, que apesar da estabilidade na quantidade, apresentou aumento nos preços e no faturamento (Figura 1).

Figura 1. Insumos: variação (%) anual de volume, dos preços e do faturamento – 2019/2018 com informações até setembro/2019

O aumento esperado no faturamento anual da indústria de fertilizantes é de 13,69%, reflexo tanto da expectativa de maior produção anual (7,06%) quanto do aumento nos preços (6,20%) comparando os três primeiros trimestres de 2019 com o mesmo período de 2018. Ressalta-se que, embora o patamar médio de preços de fertilizantes esteja maior nesse ano frente a 2018 (sob influência sobretudo da desvalorização do Real frente ao Dólar na mesma comparação), as cotações apresentaram tendência geral de recuo ao longo dos meses em 2019. Mesmo com a desvalorização do Real ao longo do ano, os preços domésticos de fertilizantes não foram sustentados devido a pressões de baixa vindas do mercado internacional, com destaque para um excesso de oferta diante dos problemas nas safras agrícolas americanas. Especificamente em setembro, a equipe aponta que o preço dos fertilizantes apresentou apenas leve alta frente a agosto, resultado de um movimento misto entre os diferentes tipos de fertilizantes intermediários. Segundo a equipe, a ureia, por exemplo, se valorizou no mês, resultado da demanda externa principalmente da Índia e da demanda interna para a safra de milho 2019/2020 no Centro-Oeste. Já os adubos fosfatados e potássicos apresentaram algum recuo em setembro, com a demanda externa desaquecida e a finalização da comercialização interna para a safra de soja 2019/2020.

A indústria de defensivos agrícolas registra o maior crescimento esperado no faturamento (30,21%) dentro do segmento. Esse resultado foi impulsionado, principalmente, pela expectativa de aumento no volume de produção (23,90%). Conforme destacado em relatórios anteriores, houve incremento da produção nacional em função da redução da oferta internacional – em especial, pela drástica diminuição da produção chinesa, desde 2016. A variação dos preços também foi positiva na comparação entre períodos (5,09%), possivelmente, em virtude da maior cotação do Dólar.

No caso da indústria de máquinas agrícolas, há expectativa de queda na produção anual (-8,10%), comportamento que se reproduz desde o início desse ano. Já na comparação entre períodos, os preços avançaram 3,88%. Como resultado, espera-se queda no faturamento anual da indústria, em 4,53%. Especificamente em setembro, houve continuidade da queda de produção na indústria, frente a agosto. Segundo dados da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (ANFAVEA), a baixa foi atrelada à menor produção de tratores de roda, ao passo que aumentou a produção de colheitadeiras de grãos e de colhedoras de cana-de-açúcar.

As indústrias de rações e medicamentos veterinários apresentaram variação positiva de seu faturamento anual esperado, de 3,91% e 3,44%, respectivamente. Enquanto no primeiro caso o crescimento foi impulsionado pelo aumento dos preços (4,32%) na comparação entre períodos, no segundo, o aumento esperado da produção anual (3,21%) foi o principal responsável pelo resultado positivo da atividade.

SEGMENTO PRIMÁRIO: Alta nos custos de produção pressiona PIB do ramo agrícola

O PIB do segmento primário do agronegócio recuou 1,09% em setembro. Entre os ramos, os cenários são opostos: para o segmento primário do ramo agrícola, houve decréscimo de 2,27% no mês, enquanto no ramo pecuário o segmento cresceu 1,08%.

No acumulado de janeiro a setembro de 2019, verifica-se baixa de 5,59% no segmento primário do agronegócio, devido, principalmente, à queda expressiva no ramo agrícola, de 13,91%, uma vez que no ramo pecuário o segmento acumula crescimento também importante de 11,94% (Tabelas de 1 a 3).

A redução esperada de 1,93% no faturamento médio das atividades do segmento primário agrícola para 2019, considerando-se projeções de produção para o ano e preços de janeiro a setembro de 2019 frente ao mesmo período de 2018, segue pressionada por preços médios reais 3,36% menores. Para a produção, ao contrário, espera-se alta de 1,47% na média ponderada das atividades acompanhadas. Entre as culturas, as principais pressões sobre os preços estão relacionadas às quedas observadas para algodão, café, mandioca, milho e soja, ao passo que a produção do segmento tem sido influenciada positivamente pelas maiores safras de algodão, milho e laranja, principalmente. Como destacado em relatórios anteriores, a renda do segmento primário agrícola tem sido pressionada pelo aumento significativo nos custos de produção.

No caso do segmento primário da pecuária, para 2019, espera-se crescimento de 11,03% no faturamento, resultado principalmente da alta do preço médio ponderado das atividades acompanhadas (7,57%), mas também do aumento na produção esperada para o ano (3,21%.) Como mencionado em relatórios anteriores, a PSA segue influenciando a demanda pela proteína animal brasileira, elevando as exportações e impulsionando os preços domésticos.

As Figuras 2 e 3 e a Tabela 4 detalham os resultados específicos do segmento por atividades agrícolas e pecuárias. Entre as culturas do segmento primário agrícola acompanhadas pelo Cepea, projetam-se crescimentos nos faturamentos em 2019 para algodão, banana, batata, cacau, cana-de-açúcar, feijão, laranja, milho, tomate, uva e lenha/carvão. Já as culturas para as quais se projetam quedas no faturamento são arroz, café, fumo, mandioca, soja, trigo, madeira em tora e madeira para celulose – Figura 2 e Tabela 4

Dentre as culturas com projeções de aumento no faturamento, destaca-se o caso do feijão (76,41). Essa projeção é explicada pelo aumento de 81,86% nos preços, na comparação entre janeiro a setembro de 2019 e o mesmo período de 2018, uma vez que há expectativa de uma menor produção para o ano (-2,99%). Segundo o Instituto Brasileiro de Feijão e Pulses (Ibrafe), este resultado se deve às condições climáticas adversas e ao baixo desempenho da cultura na safra passada, que levaram à redução da área plantada e da produtividade da cultura. Destaca-se que a projeção de redução da produção se mantém mesmo com a estimativa de maior produção no Mato Grosso, Distrito Federal, Minas Gerias e Paraná – importantes regiões produtoras do grão.

Os crescimentos anuais projetados para o faturamento das culturas do algodão (12,66%) e do milho (18,02%) refletem os aumentos esperados de produção. Na cultura do algodão, a expectativa de expansão da quantidade produzida para o ano é de 35,91%, enquanto houve redução nos preços reais (-17,11%) na comparação entre períodos. Segundo a Conab, a expectativa de maior produção é decorrente dos aumentos da área de produção, uma vez que houve uma redução na produtividade. Destaca-se que, apesar da menor produtividade, a produção é considerada recorde, com mais de 6,8 milhões de toneladas. De acordo com a equipe Algodão/Cepea, a redução nos preços é atribuída especialmente à conjuntura político-econômico de 2018. Adicionalmente, a equipe indica que a sustentação do preço de setembro frente a agosto é reflexo da firmeza dos vendedores, fundamentada nos patamares mais elevados dos preços internacionais, na maior paridade de exportação e na baixa disponibilidade de pluma de qualidade.

No caso do milho, o aumento esperado na produção é de 23,96% e os preços apresentaram queda de 4,79% na comparação de janeiro a setembro de 2019 frente a janeiro a setembro de 2018. De acordo com a Conab, a maior produção de milho está atrelada aos ganhos produtivos e ao avanço da área destinada ao milho segunda safra. Na primeira safra houve uma redução da área devido à competição com culturas mais rentáveis. Mas, em geral, somado ao aumento da área destinada à cultura, as boas condições climáticas possibilitaram uma safra recorde. Em relação aos preços, a equipe Grãos/Cepea destaca que a queda não foi maior devido ao comportamento dos preços em junho, agosto e setembro. Como evidenciado no relatório anterior, eles foram influenciados pela desvalorização do Real, pela demanda aquecida nos portos, pela retração por parte dos vendedores e pelo ritmo forte das exportações. Em setembro, especificamente, a alta foi sustentada tanto pelo maior interesse dos compradores em negociar quanto pela preferência de vendedores por entregar os lotes comercializados antecipadamente.

Para a cultura da cana-de-açúcar, o crescimento projetado para o faturamento anual (2,22%) reflete a expectativa de expansão da quantidade produzida, em 0,30% para o ano, e o aumento nos preços de 1,92% na comparação de janeiro a setembro de 2019 em relação ao mesmo período de 2018. De acordo com a Conab, a expectativa de leve crescimento da produção é reflexo do aumento da produtividade, uma vez que há uma redução da área plantada destinada à cultura, em especial no estado de São Paulo – principal estado produtor.

No caso dos produtos hortifrutícolas, o crescimento esperado nos faturamentos anuais da banana (17,01%) e da laranja (10,57%) é devido aos aumentos dos preços na comparação de janeiro a setembro de 2019 frente ao mesmo período de 2018 e às expectativas de maiores produções para o ano.

Para a banana, o avanço nos preços foi de 10,76% na comparação entre períodos e o incremento esperado na produção é de 5,63%. De acordo com a equipe Hortifrúti/Cepea, o aumento nos preços é atribuído às condições climáticas adversas no início de 2019, à redução do investimento na cultura e à baixa oferta de frutas, em especial as de maior qualidade.

No caso da laranja, como destacado no relatório anterior, os maiores preços em 2019 são reflexo da desaceleração da colheita da safra 2018/2019 no primeiro trimestre de 2019 – safra pequena e da baixa qualidade das frutas – e consequente baixa disponibilidade no período, o que impulsionou os preços. Do segundo trimestre em diante, com a entrada da nova safra, que foi uma safra volumosa, a tendência geral dos preços foi de redução. Mas, especificamente em setembro, as cotações da laranja voltaram a subir. Segundo a equipe Hortifrúti/Cepea, a valorização no mês refletiu o bom ritmo de moagem (demanda industrial) e os efeitos do clima quente e seco, positivos sobre a demanda pela fruta e negativos sobre oferta de frutas com qualidade.

Figura 2. Agricultura: Variação (%) anual do volume, dos preços e do faturamento – 2019/2018 com informações de setembro/2019

Para a batata (133,53%) e o tomate (37,71%), a projeção de elevação do faturamento anual é resultado apenas do aumento nos preços na comparação entre períodos, uma vez que há uma expectativa de leve redução nas produções para o ano. No caso da batata, a alta nos preços foi de significativos 133,80% na comparação entre períodos. Apesar de algumas quedas do preço no terceiro trimestre com a intensificação da colheita da safra de inverno, segundo a equipe Hortifrúti/Cepea, a alta nas cotações no ano como um todo foi sustentada pela baixa produtividade e pela redução na área plantada destinada ao cultivo na safra atual.

Na cultura do tomate, o aumento nos preços foi de 33,96% na comparação entre janeiro a setembro de 2019 e o mesmo período de 2018, enquanto para a produção, a previsão para o ano é de queda, de 0,19%. De acordo com a equipe Hortifrúti/Cepea, o cenário de alta nos preços frente a 2018 é mantido mesmo com a maior oferta e menores preços entre maio e setembro, refletindo principalmente a forte elevação das cotações ocorrida de janeiro a abril. Naquele período, o excesso de calor em janeiro e o excesso de chuvas no Sul e no Sudeste em fevereiro e março prejudicou a disponibilidade. A partir de maio, com a intensificação da colheita da safra de inverno, os preços passaram a cair.

Dentre as culturas com projeções de redução no faturamento, destaca-se o caso do café. A projeção de queda de 28,78% no faturamento é reflexo das reduções na expectativa de produção para o ano (-20,54%) e nos preços (-10,37%), na comparação entre períodos. Segundo a Conab e a equipe Café/Cepea, o cenário de queda nos preços é reflexo da maior oferta mundial do grão. Destaca-se que a redução não é maior devido à alta nos preços ocorrida nos últimos meses. Em setembro, segundo a equipe do Cepea, as cotações foram impulsionadas pela alta do dólar e dos valores externos do grão – por sua vez, impulsionados pelas preocupações quanto aos efeitos de clima firme em setembro sobre a produção brasileira na safra 2020/2021. Com relação à produção, a Companhia indica que a menor expectativa para a safra 2019 é justificada pela bienalidade negativa, somada a condições climáticas adversas em período importante do ciclo do café, como já destacado em relatórios anteriores.

Para a soja, a projeção de menor faturamento anual (-11,59%) também se deve às diminuições do preço (-8,32%), na comparação entre períodos, e à menor produção anual  (-3,56%). De acordo com a Conab, a queda na produção é reflexo da menor produtividade nas principais regiões produtoras – Centro-Oeste (-5,2%) e Sul (-2,4%), uma vez que houve aumento de área (2,1%) destinada à cultura no país. Segundo a equipe Grãos/Cepea, as reduções nos preços no acumulado do ano não foram maiores devido a altas observadas desde junho. O clima desfavorável ao semeio no Brasil, a desvalorização do Real, os maiores preços externos, o baixo excedente da soja brasileira e a expectativa de maiores demandas externa e interna impulsionaram as cotações entre os meses de junho e setembro.

Para o arroz, a expectativa de redução de 9,48% no faturamento anual é reflexo da menor produção esperada (-13,39%), uma vez que houve um aumento de 4,51% nos preços na comparação entre períodos. De acordo com a equipe Arroz/Cepea, a alta nos preços, em especial em agosto e setembro, é devida à necessidade das indústrias em atender a demanda mais aquecida e à restrição vendedora. De acordo com a Conab, a menor produção está atrelada às reduções de área e de produtividade nos principais estados produtores.

No caso da cultura do trigo, espera-se uma redução no faturamento (-6,50%), reflexo de uma produção 5,13% menor, como também da redução nos preços, de 1,45% na comparação entre janeiro a setembro de 2019 frente ao mesmo período em 2018. Segundo a Conab e a equipe de Trigo/Cepea, esse cenário para a produção é resultado das adversidades climáticas ocorridas durante o período de desenvolvimento das lavouras, em especial na região Sul do país. Tais adversidades reduziram a área de semeio, a produtividade e a produção frente ao ano-safra anterior.

Tabela 4. Agricultura: Variação (%) anual do volume, dos preços e do faturamento – 2019/2018 com informações de setembro/2019

Para o segmento primário da pecuária, esperam-se aumentos nos faturamentos anuais de todas as atividades acompanhadas, como se observa na Figura 3.

O crescimento esperado do faturamento da bovinocultura de corte é de 5,40%, reflexo da variação positiva de 2,39% do preço, na comparação entre períodos, e do avanço esperado de 2,94% na produção. De acordo com a equipe Boi/Cepea, em setembro os valores médios mensais da arroba do boi foram os maiores da série histórica nominal do Cepea, até aquele momento. Adicionalmente, a equipe destaca que os preços domésticos se mantiveram firmes devido à restrita oferta de animais para abate e ao bom desempenho das exportações brasileiras de carne bovina in natura.

No caso da suinocultura, projeta-se um aumento no faturamento de 30,63%, decorrente da alta de 26,77% nas cotações reais na comparação entre janeiro a setembro de 2019 e o mesmo período de 2018 e da maior produção esperada para o ano (3,04%). De acordo com a equipe Suínos/Cepea, os preços de setembro foram impulsionados pela intensificação das compras de novos lotes de animais para abate por parte de agroindústrias integradas. Esse cenário é reflexo da expectativa que havia (e foi confirmada) de incremento nas exportações da proteína à China.

Figura 3. Pecuária: Variação anual dos preços e do faturamento 2019/2018 com informações de setembro/2019

Quanto ao mercado de aves para corte, o crescimento esperado no faturamento (17,78%) é reflexo do aumento significativo nos preços reais, de 18,05%, na comparação entre janeiro a setembro de 2019 frente ao mesmo período de 2018, enquanto a projeção de produção para o ano apresenta redução de 0,23%. Segundo a equipe Frango/Cepea, apesar da baixa nos preços em setembro – devido ao aumento na oferta doméstica e à baixa demanda interna –, a alta das cotações do frango ao longo do ano se deve ao bom desempenho das exportações e à demanda interna aquecida nos meses anteriores.

Como evidenciado nos relatórios anteriores, a alta de preços em 2019 para a bovinocultura, suinocultura e avicultura de corte, na comparação com 2018, tem sido influenciada pela maior procura externa, em especial da China, em decorrência da Peste Suína Africana (PSA).

Para a bovinocultura do leite, a variação do faturamento anual é de 11,26%, impulsionada pelos aumentos no preço (7,57%) e na produção (3,43%). De acordo com a equipe Leite/Cepea, a alta nos preços é reflexo da baixa oferta registrada nos meses anteriores e, por consequência, maior competição pela matéria-prima por parte da indústria. Especificamente em setembro, os preços do leite ao produtor aumentaram frente a agosto, o que, segundo a equipe Leite/Cepea, é um movimento atípico, já que sazonalmente os preços recuam a partir de setembro. A equipe apontou que o atraso das chuvas no Sudeste e no Centro-Oeste limitou o aumento da oferta e levou ao cenário atípico de valorização dos preços. 

SEGMENTO INDUSTRIAL: Agroindústria mantém crescimento no ano, impulsionada pelo ramo pecuário

O segmento agroindustrial registrou ligeiro crescimento de 0,19% em setembro, com queda de 0,27% para a indústria de base agrícola, mas alta de 1,99% para a de base pecuária. No acumulado de janeiro a setembro, de forma semelhante, o segmento cresceu 1,69%, com recuo de 0,20% na indústria de base agrícola e aumento significativo de 9,52% na de base pecuária (Tabelas 1, 2 e 3).

Na indústria de base agrícola, espera-se queda de 1,19% no faturamento anual, resultado de preços médios menores (-0,36%), juntamente com uma produção média ponderada do segmento menor (-0,83%). No caso da indústria de base pecuária, espera-se aumento de 8,79% no faturamento, resultado do crescimento significativo dos preços médios (6,23%), como também do aumento na produção na média ponderada das atividades acompanhadas (2,41%).

No acompanhamento da evolução do PIB realizado pelo Cepea, as indústrias de base agrícola que apresentaram projeção de crescimento do faturamento foram a de conservas de frutas/legumes/outros vegetais, de açúcar, de bebidas, de celulose e papel, de vestuário e de moagem. As demais indústrias registram perspectivas de redução (Figura 4).

Figura 4. Agroindústrias de base agrícola: variação anual do volume, preços reais e faturamento das indústrias agrícolas acompanhadas

As atividades que compõem a agroindústria de base agrícola, em geral, não registraram resultados satisfatórios suficiente para garantir o bom desempenho do segmento. Para aquelas em que o resultado é positivo, destacam-se a de conservas e a de açúcar, cujos crescimentos do faturamento anual esperado foram de 20,50% e 16,20%, respectivamente.

A indústria de conservas de frutas, legumes e outros vegetais retomou o crescimento da produção de forma mais contundente no terceiro trimestre, o que contribuiu para o desempenho positivo da atividade, em especial, quando se verifica as sucessivas quedas da produção a partir do segundo semestre de 2018. Com isso, espera-se crescimento anual de 23,90% na produção. Conforme a Associação Brasileira da Indústria de Alimentos (Abia), o setor de conservas contribuiu efetivamente para a retomada da indústria de gêneros alimentícios nesse ano. De forma semelhante, a variação do faturamento anual esperado da indústria de bebidas, essa com relativa importância para o cálculo do VBP do segmento, foi de 2,70%, impulsionado pelo crescimento da produção esperada para o ano (3,60%).

Na indústria de açúcar, considerando a comparação entre os períodos mencionados, o preço cresceu 6,20%. Conforme aponta a Conab, os preços nos mercados internacionais caíram em resposta ao superávit na produção mundial, dado o aumento da produção de importantes países produtores da Ásia. Ainda assim, o aumento do preço doméstico em relação ao ano anterior se justifica pela recuperação frente às sucessivas quedas registradas no ano de 2018, e também pela desvalorização do Real frente ao Dólar. Para a produção esperada para o ano, a expectativa também é de crescimento, de 9,45%. Embora não seja esperada alta expressiva da produção de cana na safra 2019/2020, houve aumento do ATR destinado à indústria do açúcar em detrimento da de etanol.

A menor atribuição do ATR à indústria de etanol de cana-de-açúcar contribuiu para a redução da quantidade produzida de biocombustíveis, haja vista, também, a produção recorde atingida na safra 2018/2019. Então, a expectativa para a produção anual é de queda, em 4,57%. Cabe ressaltar, conforme mencionado em relatório anterior, que o crescimento acelerado da produção de etanol proveniente do milho, em especial na região Centro-Oeste, atenuou essa queda. A variação do preço, por sua vez, também foi negativa (-2,93%), comportamento que se reproduz desde o início do ano, em comparação aos níveis praticados em 2018. A combinação desses fatores resulta em queda do faturamento anual esperado de 7,4%.

Para a indústria de óleos vegetais, é esperada variação negativa no faturamento anual (-10,90%). Esse resultado advém da combinação de queda no preço (-7,66%), na comparação entre janeiro a setembro de 2019 frente ao mesmo período do ano anterior, e na produção (-3,50%). Contudo, desde agosto, têm sido registrados aumentos de preços devido à maior demanda do óleo destinado à produção de biodiesel, que tem sido crescente desde a determinação da ANP (Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis) sobre o aumento do volume de biodiesel adicionado ao óleo diesel mineral.

Quanto às indústrias de base pecuária, conforme descrito na Tabela 5, projeta-se variação negativa do faturamento anual apenas para a de couro e calçados de couro (-5,76%), em virtude do recuo do preço (-3,68%), na comparação entre os três primeiros trimestres de 2019 e o mesmo período de 2018, como também na quantidade produzida (-2,34%) – padrão de retração que tem sido reproduzido ao longo dos últimos anos.

Já para a indústria de abate, projeta-se crescimento de seu faturamento anual (11,61%). Os preços foram 9,29% maiores que no mesmo período do ano anterior (de janeiro a setembro), enquanto para a produção espera-se aumento de 2,19%. O bom desempenho da indústria, conforme tem sido mencionado nos últimos relatórios, é reflexo direto do aumento da demanda de proteína animal brasileira pelos países atingidos pela PSA, em especial a China.

Tabela 5. Agroindústrias de base pecuária: variação anual do volume, preços reais e faturamento das indústrias pecuárias acompanhadas

SEGMENTO DE SERVIÇOS: serviços do ramo pecuário impulsionam segmento no período

Como observado na Tabela 1, o PIB dos agrosserviços do agronegócio brasileiro cresceu novamente em setembro, 0,17%, acumulando alta de 1,62% nos nove primeiros meses de 2019. O segmento segue impulsionado pelos serviços do ramo pecuário, que cresceram 2,26% no mês e 11,66% no período. Como já destacado em relatórios anteriores, os maiores preços e a expansão da produção nas cadeias pecuárias, com destaque para o forte ritmo das exportações, ao influenciarem na demanda por serviços, explicam esse resultado.

Já no ramo agrícola, o PIB dos agrosserviços reduziu em setembro e no acumulado do período, 0,76% e 2,46%, respectivamente. Como já destacado em relatórios anteriores, o desempenho ruim do segmento de serviços agrícolas em 2019, frente a 2018, reflete a menor produção de agroindústrias importantes, como as de produtos e móveis de madeira, papel e celulose, biocombustíveis e têxtil. Soma-se a isso, a redução das margens (ou do valor adicionado) em algumas cadeias agrícolas devido aos preços menores e/ou aos custos maiores, o que também se reflete nas margens do segmento de serviços.

CONCLUSÕES

O PIB do agronegócio brasileiro acumulou crescimento de 0,21% de janeiro a setembro de 2019 refletindo, por um lado, expansão de 10,76% do PIB do ramo pecuário e, por outro, retração de 3,7% do ramo agrícola.

Esse desempenho adverso do ramo agrícola do PIB do agronegócio é resultado, basicamente, da menor renda gerada ´dentro da porteira´. Apesar das boas safras de milho, algodão, laranja, banana e mandioca, a soma de menores preços de diversos produtos (como algodão, café, mandioca, milho e soja) com o aumento dos custos de produção, vem refletindo adversamente na renda dos produtores agrícolas. Há porém, a expectativa de que para o ano calendário de 2019 o resultado seja menos adverso. Isso porque já se observou reação dos preços do café em novembro, similarmente aos da soja, do milho e do algodão em outubro e novembro[2].

Já o ramo pecuário acumulou crescimento expressivo em todos os segmentos, tanto no resultado mensal (exceto insumos com ligeira queda), como no acumulado até setembro. A ocorrência da Peste Suína Africana nos países asiáticos favoreceu o desempenho das cadeias pecuárias brasileiras. A maior demanda chinesa por carnes suína, bovina e de aves além de intensificar o ritmo das exportações em 2019, tem refletido também em altas nos preços domésticos.

ANEXO I – Evolução mensal do PIB DO AGRONEGÓCIO

A1) PIB do Agronegócio: Taxas de variação mensal e acumulado do período (em %)

A2) PIB do Agronegócio: Participações dos segmentos (em %)

A3) PIB Volume do Agronegócio: Taxa anual (em %)*

  • Nota técnica: O PIB Volume do Agronegócio trata-se do PIB do agronegócio calculado pelo critério de preços constantes. Resulta, portanto, a variação apenas do volume de produção. Este é o indicador de PIB comparável às variações apresentadas pelo IBGE.

A4) PIB DO AGRONEGÓCIO - METODOLOGIA

O Relatório PIB do Agronegócio Brasileiro é uma publicação mensal resultante da parceria entre o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (CEPEA), da Esalq/USP, a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) e a Fundação de Estudos Agrários Luiz de Queiroz (FEALQ). O agronegócio é entendido como a soma de quatro segmentos: insumos para a agropecuária, produção agropecuária básica (ou primária), agroindústria (processamento) e agrosserviços – como na Figura que segue. A análise desse conjunto de segmentos é feita para o ramo agrícola (vegetal) e para o pecuário (animal). Ao serem somados, com as devidas ponderações, obtém-se a análise do agronegócio.

Pelo critério metodológico do Cepea/Esalq-USP, o PIB do agronegócio é medido pela ótica do produto, ou seja, pelo Valor Adicionado (VA) total deste setor na economia. Ademais, avalia-se o VA a preços de mercado (consideram-se os impostos indiretos menos subsídios relacionados aos produtos). O PIB do agronegócio brasileiro refere-se, portanto, ao produto gerado de forma sistêmica na produção de insumos para a agropecuária, na produção primária e se estendendo por todas as demais atividades que processam e distribuem o produto ao destino final. A renda, por sua vez, se destina à remuneração dos fatores de produção (terra, capital e trabalho).

Após estimado o valor do PIB do agronegócio no ano-base, que desde janeiro/17 refere-se ao ano de 2010, parte-se para evolução deste valor de modo a se gerar uma série histórica, por meio de um amplo conjunto de indicadores de preços e produção de instituições de pesquisa e governamentais. Seja para a estimação anual do valor do PIB, ou para as reestimativas mensais das previsões anuais, consideram-se informações a respeito da evolução do Valor Bruto da Produção (VBP) e do Consumo Intermediário (CI) dos segmentos do agronegócio. Pela evolução conjunta do VBP e do CI, estima-se o crescimento do valor adicionado pelo setor. 

Com base nos procedimentos mencionados e processos adicionais realizados pelo Cepea, os cálculos do PIB do agronegócio resultam em dois indicadores principais, que retratam o comportamento do setor por diferentes óticas:

•          PIB-renda Agronegócio (equivale ao PIB divulgado anteriormente pelo Cepea): reflete a renda real do setor, sendo consideradas no cálculo variações de volume e de preços reais, sendo estes deflacionados pelo deflator implícito do PIB nacional.

•             PIB-volume Agronegócio: PIB do agronegócio pelo critério de preços constantes. Resulta daí a variação apenas do volume de produção. Este é o indicador de PIB comparável às variações apresentadas pelo IBGE.

Mensalmente, o foco de análise principal é o PIB-renda Agronegócio, que reflete a renda real do setor. Por conveniência textual, o PIB-renda do agronegócio é denominado apenas como PIB do Agronegócio ao longo deste relatório. Destaca-se que as taxas calculadas para cada período consideram igual período do ano anterior como base, exceto para as quantidades referentes às safras agrícolas, para as quais computa-se a previsão de safra para o ano (frente ao ano anterior).

Importante também destacar que cada relatório considera os dados disponíveis – preços observados e estimativas anuais de produção – até o seu fechamento. Em edições futuras, ao serem agregadas informações mais atualizadas, há a possibilidade, portanto, de ocorrer alteração dos resultados, tanto no que se refere ao mês corrente, como também ao que se refere a meses e anos passados. Recomenda-se, portanto, sempre o uso do relatório mais atualizado. Para uma análise mais detalhada dos aspectos metodológicos, bem como dos resultados dos demais indicadores (PIB volume, Consumo Intermediário, etc.) ver http://www.cepea.esalq.usp.br/br/pib-do-agronegocio-brasileiro.aspx























[1] Lembrando que as variações do PIB se referem a variações reais, deflacionadas pelo deflator do PIB brasileiro. Ressalta-se que, com a divulgação das informações das Contas Nacionais Trimestrais pelo IBGE no início de dezembro, foi necessária uma revisão para baixo das taxas de crescimento do agronegócio. Isso porque, o deflator divulgado pelo IBGE teve magnitude superior à estimada pelo Cepea no terceiro trimestre.

[2] Dada a defasagem na divulgação dos resultados setoriais, o PIB do Agronegócio referente ao período de janeiro a dezembro é divulgado sempre em março do ano seguinte.

Áreas de atuação

Núcleo Econômico

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