PIB do Agronegócio cresceu 5,26% no 1° semestre de 2020

Por: Superintendência Técnica da CNA e Cepea

O Produto Interno Bruto (PIB) do agronegócio brasileiro, calculado pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Esalq/USP, em parceria com a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), cresceu 5,26% entre janeiro e junho de 2020. Em junho, o crescimento do setor foi de 1,31%, o 6° mês consecutivo de expansão. (Tabela 1).

Pelo lado da oferta, a volumosa safra de grãos tem garantido atendimento à crescente demanda internacional pelos produtos do agronegócio brasileiro, impulsionada também pela desvalorização do Real frente ao Dólar. Apesar da pandemia - e de efeitos negativos significativos em diferentes momentos do ano, particularmente nos segmentos de hortícolas, flores e lácteos – os instrumentos de políticas públicas voltados à garantia de renda aos mais impactados pela crise, têm garantido também sustentação da demanda doméstica por produtos agrícolas e agroindustriais.

Todos os segmentos do agronegócio apresentaram alta em junho, com destaque para o primário, com crescimento de 3,02%, e os agrosserviços, com expansão de 1,15%. Os segmentos de insumos (0,79%) e agroindustrial (0,27%) também cresceram no mês. No acumulado até junho, apenas a agroindústria – segmento mais afetado pelos efeitos da Covid-19 – teve queda no PIB, de 0,76%. Para os segmentos primário, de agrosserviços e de insumos, as altas no semestre foram de 14,91%, 4,76% e 1,69%, respectivamente (Tabela 1).

Tabela 1. PIB do Agronegócio: Taxa de variação mensal e acumulada no período (%)

Quanto aos ramos do agronegócio, ambos cresceram em junho e no acumulado do semestre. Para o PIB do ramo agrícola, as altas foram de 1,01% no mês, e de 2,93% até junho. Já o PIB do ramo pecuário, cresceu 1,97% em junho e 10,41% no semestre (Tabela 2 e Tabela 3).

A Tabela 2 mostra os resultados do ramo agrícola. Tanto em junho quanto no semestre, apenas a agroindústria de base agrícola recuou, 0,26% no mês, e 4,04% no período. A agroindústria foi o segmento mais afetado pela pandemia sendo que, entre os ramos, os efeitos negativos mais intensos foram observados na base agrícola. Para os demais segmentos do ramo, houve elevações do PIB tanto no mês quanto no semestre. Especificamente, as altas no mês foram de 0,68% para os insumos, 3,95% para o segmento primário e 0,57% para os agrosserviços; para o período, os crescimentos foram de 1,4% para insumos, expressivos 20,11% para o primário e 0,72% para os agrosserviços (Tabela 2).

Tabela 2. Ramo Agrícola: Taxa de variação mensal e acumulada no período (%)

Como destacado nos relatórios anteriores, o excelente resultado do segmento primário agrícola reflete os preços maiores de janeiro a junho de 2020, frente ao mesmo de 2019; a expectativa de maior produção na safra atual, com uma safra recorde de grãos; e crescimento destacados de produtos como café e laranja.

A Tabela 3 mostra os resultados do ramo pecuário. Foram registradas altas em junho e no semestre para todos os segmentos do ramo. Em junho, as altas foram de 1,03% para os insumos, 1,46% para o primário, 2% para a agroindústria e 2,32% para os agrosserviços. No semestre, os crescimentos foram de 2,3% para os insumos, 6,78% para o primário, 10,47% para a agroindústria e 13,15% para os agrosserviços. Como também destacado nos relatórios anteriores, o bom resultado no ramo pecuário reflete os maiores preços das proteínas até junho de 2020 (frente ao mesmo período de 2019). Embora alguns preços do ramo tenham sido pressionados para baixo diante da pandemia de Covid-19 em abril e maio, já em junho houve recuperação.

SEGMENTO DE INSUMOS: insumos agrícolas e pecuários crescem no semestre

Para o segmento de insumos do agronegócio, o PIB cresceu 0,79% em junho, acumulando alta de 1,69% no primeiro semestre do ano. Quando verificados os valores obtidos nas atividades de base agrícola, os crescimentos no mês e no acumulado do ano foram de 0,68% e 1,40% respectivamente (Tabela 2). Já as taxas de crescimento no ramo pecuário foram, respectivamente, 1,03% e 2,30% para o mês e o semestre (Tabela 3). Conforme a Figura 1, a projeção de faturamento anual indica expansão para as indústrias de fertilizantes, defensivos e rações e retração para máquinas agrícolas e medicamentos.

Figura 1. Insumos: variação (%) anual de volume, dos preços e do faturamento – 2020/2019 com informações de junho

Para a indústria de fertilizantes e corretivos de solo projeta-se crescimento de 6,33% do faturamento anual, via aumento esperado de 13,18% da produção anual, haja vista a queda de 6,06% nos preços, na comparação entre o primeiro semestre de 2020 e de 2019. Conforme destacado em relatório anterior, a demanda mundial por fertilizantes intermediários foi reduzida em virtude de incertezas quanto à demanda pelos insumos, por alimentos e mesmo quanto à atividade econômica, em face às medidas de contenção da Covid-19. A equipe Custos/Cepea aponta que a redução do consumo do insumo em importantes mercados consumidores e a retomada da oferta pela China, principal exportadora, pressionaram os preços internacionais. Contudo, a redução no mercado doméstico foi atenuada pela desvalorização do Real frente ao dólar.

Para a indústria de máquinas agrícolas é esperada queda de 10,21% do faturamento anual, resultante da redução esperada de 8,60% da produção anual e do recuo de 1,76% dos preços, na comparação entre semestres iguais em 2019 e 2020. Conforme apresentado em relatórios anteriores, a redução da produção estaria atrelada às medidas de contenção da Covid-19, que fizeram com que as atividades fossem reduzidas em virtude da diminuição do número de funcionários. No entanto, a Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq) ainda acredita no crescimento das vendas em 2020, que devem ser impulsionadas pela maior capitalização dos produtores de grãos.

Para a indústria de rações, tem-se projeção de crescimento do faturamento anual da atividade (6,87%), resultante da combinação de alta nos preços na comparação entre períodos (3,15%) e aumento esperado da produção (3,60%). Os maiores preços das rações refletem sobretudo as altas nos preços de milho e farelo de soja – principais componentes da alimentação animal.

SEGMENTO PRIMÁRIO: agropecuária segue impulsionando o agronegócio

O PIB do segmento primário do agronegócio cresceu 3,02% em junho, acumulando alta de 14,91% no primeiro semestre de 2020. Com isso, a agropecuária registra o maior crescimento entre os segmentos do agronegócio e segue impulsionando o PIB do setor (Tabela 1). No mês, o segmento primário agrícola cresceu 3,95% e o pecuário cresceu 1,46%. No semestre, as altas foram de 20,11% para o segmento primário agrícola e de 6,78% para o pecuário (Tabelas 2 e 3).

No caso do segmento primário agrícola, os preços médios ponderados das culturas acompanhadas cresceram 15,59% entre os primeiros semestres de 2019 e de 2020, em termos reais. Entre os produtos, os destaques em termos de altas de preços foram: milho, café, arroz, soja, cacau e trigo. O preço da cana, produto de alta relevância no PIB, também foi maior no período. Além de preços em alta, para o segmento primário, espera-se aumento de 3,3% na produção, mesmo em meio à pandemia e a importantes quebras de safra na região Sul. Nesse caso, são esperadas safras maiores em 2020 para: algodão, arroz, cacau, café, feijão, laranja, milho, soja, trigo e madeira para celulose. Então, o crescimento esperado real no faturamento anual é de 19,4% para o segmento primário agrícola.

Para o segmento primário pecuário, considerando a média das atividades acompanhadas, houve alta de 12,25% nos preços na comparação entre os semestres, com fortes aumentos para o boi gordo, os ovos e os suínos. Já para a produção, espera-se recuo anual de 2,07% – com pressões relacionadas à pecuária bovina de corte. Então, como reflexo dos bons preços, espera-se crescimento do faturamento anual, de 9,93%.

As Figuras 2 e 3 e a Tabela 4 detalham os resultados específicos do segmento por atividades agrícolas e pecuárias. Entre as culturas do segmento primário agrícola acompanhadas, espera-se crescimento de faturamento em 2020 para: arroz, cacau, café, cana-de-açúcar, feijão, laranja, mandioca, milho, soja, trigo e uva. Já as culturas para as quais se esperam quedas no faturamento são: algodão, banana, batata, fumo, tomate, madeira em tora, madeira para celulose e lenha e carvão.

Dentre as culturas com projeção de crescimento do faturamento anual, destaca-se o caso do trigo, em que os aumentos na produção esperada, de 32,54%, e nos preços, de 19,85% na comparação entre o primeiro semestre de 2019 e de 2020, explicam o avanço projetado de 58,85% no faturamento. Segundo a Conab, a expansão na produção está relacionada às maiores produtividade esperada e área destinada à cultura, em razão das condições climáticas favoráveis ao desenvolvimento da cultura e dos preços atrativos. De acordo com a equipe Trigo/Cepea, o movimento de alta das cotações é influenciado pela desvalorização do Real frente ao dólar, pelo período de entressafra no Brasil e na Argentina e pela alta dependência das importações – dada a escassez de trigo no mercado doméstico e a firme demanda interna. A equipe destaca que, devido aos elevados valores do grão, o governo liberou a importação de 450 mil toneladas de fora do Mercosul com isenção da Tarifa Externa Comum (TEC) com o intuito de reduzir o custo para a população em geral.

No caso do café, o crescimento no faturamento anual esperado (53,43%) é reflexo da expansão tanto na produção esperada para o ano (20,84%) quanto nos preços reais (26,97%) na comparação entre períodos. Segundo a equipe Café/Cepea, o período de entressafra, a escassez de produto de melhor qualidade, a menor disponibilidade do grão no mercado interno, a desvalorização cambial e a valorização externa do grão impulsionaram os preços nos primeiros meses do ano. Este cenário foi reforçado pela pandemia do coronavírus, em que houve aumento da demanda internacional no curto prazo, problemas de logística decorrentes das restrições de mobilidade interna nos países produtores e aceleração do consumo dos estoques de passagem em importantes países demandantes. Em maio e junho, as cotações foram fortemente pressionadas pelas valorizações do Real frente ao dólar, pelo andamento da colheita da safra 2020/21 e, consequentemente, pela queda dos valores externos do grão – mas, essa queda no bimestre maio-junho não foi suficiente para reverter a alta na comparação com o primeiro semestre de 2019. Com relação à produção, a Conab aponta que o resultado é devido ao efeito da bienalidade positiva, especialmente nas regiões produtoras do café arábica, e aos ganhos produtivos esperados para o café conilon, visto as boas condições climáticas para o desenvolvimento da cultura.

Para o milho, a projeção de maior faturamento anual (36,56%) é reflexo sobretudo da alta de 33,75% nos preços reais na comparação entre períodos, visto o ligeiro crescimento de 2,10% esperado para a produção anual. Apesar do crescimento modesto na atual safra, de acordo com a Conab, a produção deve ser recorde. O aumento, por sua vez, deve refletir a expansão da área e os maiores investimentos realizados. Com relação à produtividade, a Companhia aponta que problemas climáticos na região Sul prejudicaram o potencial produtivo do milho primeira safra. Para a segunda safra, o atraso da semeadura e o quadro climático da região Centro-Sul fizeram com que as lavouras de algumas regiões não conseguissem expressar todo o seu potencial produtivo. Quanto às cotações, segundo a equipe Milho/Cepea, no primeiro trimestre do ano, a elevação nos preços esteve relacionada à maior demanda pelo grão e à disponibilidade restrita. Em abril, os valores foram pressionados pela redução na demanda interna, influenciada pelas incertezas relacionadas à pandemia, destacando-se as preocupações no mercado de carnes, importante consumidor de milho. Em maio, as incertezas quanto ao desenvolvimento das lavouras de segunda safra, o menor interesse de negociação por parte dos produtores e a necessidade dos compradores em recompor estoques no curto prazo impulsionaram as cotações. Já em junho, as cotações foram influenciadas pra baixo pela pressão de compradores, que estavam atentos à colheita de segunda safra, e pela maior oferta no mercado de lotes.

No caso do arroz, a elevação dos preços na comparação entre janeiro a junho de 2019 e de 2020 (25,83%) e da produção esperada do ano (6,64%) explicam a projeção de crescimento do faturamento (34,19%). Segundo a Conab, as operações de colheita da safra 2019/20 estão praticamente finalizadas, com a maior produção sendo relacionada aos ganhos produtivos (eventos climáticos que favoreceram o desenvolvimento da cultura), haja vista a redução da área destinada à cultura, especificamente do arroz irrigado. De acordo com a equipe Arroz/Cepea, as condições de oferta e demanda do produto no País no início do ano sinalizavam para a menor disponibilidade interna. Em março e abril, as cotações foram impulsionadas ainda pela desvalorização do Real frente ao dólar, pela restrição por parte dos vendedores, pela postura mais ativa dos agentes que anteciparam suas compras devido à pandemia e pela necessidade de compra das indústrias para repor estoques e atender às maiores demanda interna e externa. Em maio, a alta esteve relacionada ao alto ritmo de negociação das indústrias e beneficiadoras, devido à concorrência com a exportação e à demanda interna aquecida para o arroz beneficiado. No mês de junho, as negociações estiveram em ritmo desacelerado, devido ao recorde no beneficiamento e nas negociações no mês de maio, à insatisfação quanto ao volume de venda de arroz beneficiado e à disputa em relação aos valores do fardo junto aos setores atacadista e varejista. Mesmo assim, o preço do arroz aumentou novamente em junho, frente a maio.

Para a cultura da soja, a projeção de maior faturamento anual (27,33%) reflete as altas nas cotações do produto na comparação entre períodos (21,11%) e na produção esperada para o ano (5,13%). Segundo a Conab, a produção de soja atingiu recorde histórico na atual safra, reflexo da expansão da área e dos ganhos produtivos, com importantes estados produtores apresentando produtividade recorde (com condições climáticas favoráveis). Esse resultado foi mantido apesar das adversidades climáticas que resultaram em quebras de safra no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina. Para os preços, como destacado em relatórios anteriores, o movimento geral de elevação é resultado das condições climáticas adversas que afetaram o cinturão agrícola dos Estados Unidos, da desvalorização do Real frente ao dólar, do clima desfavorável ao semeio no Brasil em alguns períodos, do baixo excedente da soja brasileira, da demanda externa aquecida e da menor relação estoque/consumo mundial e brasileira. Segundo a equipe Soja/Cepea, em março e abril, novos compradores internacionais direcionaram suas aquisições ao Brasil, visto o preço competitivo e o grande volume da produção. Em maio, apesar de as cotações do grão renovarem as máximas nominais em algumas regiões, sojicultores estiveram cautelosos em comercializar na expectativa de patamares ainda maiores. Mas, diferente do que era esperado pelos sojicultores, no mês de junho, as cotações foram pressionadas pela finalização da colheita de soja na Argentina, pelo amplo estoque norte-americano, pelo clima favorável às lavouras nos Estados Unidos e pela valorização cambial. A queda foi, no entanto, limitada pela retração de sojicultores em comercializar elevados volumes e pelos baixos estoques das indústrias brasileiras.

No caso do feijão, a projeção de maior faturamento (8,96%) é resultado dos maiores preços reais (3,37%) na comparação entre períodos e da expansão da produção esperada para o ano (5,40%). Com relação aos preços, segundo a Conab, houve redução em janeiro devido à concentração da colheita, à fraca demanda e à baixa qualidade do produto ofertado. A partir de fevereiro houve recuperação das cotações, impulsionadas de forma significativa pelo aumento da demanda do varejo, especialmente em março – reflexo do coronavírus. Em abril, as cotações continuaram elevadas devido à baixa oferta do produto e, em maio, a maior demanda e a menor oferta (quantidade e qualidade) impulsionaram os preços. Em junho, os preços foram levemente pressionados devido à finalização da segunda safra. Já para a produção, de acordo com a Companhia, a alta esperada é decorrente dos ganhos produtivos, tendo em vista que não se observou aumento significativo na área. A atenção está voltada para a terceira safra, na qual se espera uma maior produção via maior produtividade. Na primeira safra, o bom desempenho do clima nos principais estados produtores contribuiu para o aumento na produção. A segunda safra, por sua vez, teve sua produtividade afetada por condições climáticas adversas em grandes regiões produtoras, apresentando resultados aquém dos esperados.

Figura 2. Agricultura: Variação (%) anual do volume, dos preços e do faturamento – 2020/2019 com informações de junho

Para a cana-de-açúcar, a expansão esperada no faturamento (6,27%) é reflexo apenas da alta nos preços reais, de 6,37% na comparação entre o primeiro semestre de 2020 e o mesmo período de 2019, uma vez que se espera ligeira redução de 0,10% na produção. De acordo com a Conab, a menor produção advém da diminuição da área destinada à cultura – devido às recentes oscilações de mercado e aos impactos da pandemia do coronavírus –, uma vez que se espera um ligeiro crescimento da produtividade – devido às condições climáticas favoráveis na maioria das regiões produtoras, aos investimentos em tecnificação e às melhorias de manejo. Como evidenciado no relatório anterior, a elevação dos preços reflete o comportamento altista para o açúcar, como será retratado posteriormente.

No caso da mandioca, a projeção de maior faturamento (4,77%) é resultado apenas dos maiores preços reais (5,11%) na comparação entre períodos, visto que se espera uma produção ligeiramente menor (-0,32%). A queda na produção está relacionada ao baixo valor da raiz, o que tem feito com que produtores abandonem a atividade ou migrem para culturas mais rentáveis. Com relação aos preços, como evidenciado no relatório anterior, este resultado é reflexo dos menores níveis de preços observados no período de janeiro a junho de 2019, visto que ao longo do primeiro semestre de 2020 as cotações da raiz foram pressionadas pela maior oferta que, em alguns momentos, não foi acompanhada pela demanda. Segundo a equipe Mandioca/Cepea, a maior oferta refletiu a necessidade de se capitalizar e/ou liberar áreas de alguns mandiocultores, seja para entrega dos arrendamentos ou para um novo plantio. De acordo com a Conab, o cenário de pressão nos preços foi amenizado em alguns meses visto que muitos mandiocultores não demonstraram interesse em comercializar suas produções e que a oferta da raiz foi menor que a esperada devido às condições climáticas adversas e à crise do Covid-19.

Para a laranja, a expansão esperada no faturamento (2,34%) é reflexo apenas da maior produção esperada (4,11%), uma vez que se observam menores preços reais (-1,71%) na comparação de janeiro a junho de 2020 e o mesmo período de 2019. Segundo a equipe Hortifruti/Cepea, os preços permaneceram firmes nos primeiros meses de 2020 devido à menor oferta da fruta nesse período de entressafra. A partir de abril, as variedades de laranja tiveram suas cotações pressionadas pelo menor ritmo de comercialização (desaceleração da demanda no período de quarentena, clima mais ameno no mês de maio e processamento industrial reduzido), pela intensificação da oferta de laranjas precoces nos pomares paulistas e pela menor qualidade das frutas em São Paulo no mês de maio – afetada pela ausência de chuva.

Entre as culturas para as quais se projetam quedas no faturamento, destacam-se as que compõem a horticultura. Para a batata, a projeção de queda (-34,29%) é reflexo dos menores preços reais (-26,50%), quando comparados períodos iguais, e da menor produção esperada (-10,61%). Segundo a equipe Hortifruti/Cepea, no fim de fevereiro e em março, os preços foram impulsionados por condições climáticas adversas, pelo fim da safra das águas e pela demanda aquecida na terceira semana de março – influenciada pela pandemia do coronavírus. Em abril e maio, mesmo com uma menor demanda, os preços foram impulsionados pela menor oferta. Em junho os preços foram pressionados para baixo pela demanda enfraquecida, mesmo com a flexibilização das medidas relacionadas à pandemia, e pela maior oferta dos tubérculos devido à intensificação da safra das secas. Como destacado em relatórios anteriores, apesar das altas observadas, as cotações se mantiveram bem inferiores às praticadas no primeiro semestre de 2019. Com relação à produção, a equipe destaca que a menor quantidade produzida esperada para o ano está relacionada à menor área destinada à temporada das águas (finalizada) e à quebra de produção da temporada das secas.

Tabela 4. Agricultura: Variação (%) anual do volume, dos preços e do faturamento – 2020/2019 com informações de junho

Para o tomate, a redução esperada no faturamento (-24,89%) é reflexo da projeção de menor produção anual (-5,03%) e dos menores preços reais (-20,91%) na comparação entre o primeiro semestre de 2019 e de 2020. Segundo a equipe Hortifruti/Cepea, até abril, os preços se mantiveram nos patamares observados em janeiro, resultado do menor volume ofertado e da desaceleração da colheita da safra verão em março e abril. Em maio e junho, as cotações foram pressionadas fortemente pela maior oferta de tomate, devido às temperaturas mais elevadas (que aceleram a maturação) e ao avanço da safra de inverno, e pela demanda limitada por conta das restrições relacionadas à pandemia.

No caso da banana, a projeção de redução de faturamento é de 3,83%, via queda de 5,17% esperada na produção. Para os preços, houve ligeira valorização de 1,41% na comparação entre períodos. Apesar da recuperação observada nas cotações da variedade nanica a partir do mês de fevereiro, a equipe Hortifruti/Cepea evidencia que, nos meses de abril e maio, os preços recuaram significativamente, devido ao ritmo dos negócios afetados pela prorrogação da quarentena, ao menor poder de compra dos comerciantes e à intensificação da colheita. No mês de junho, apesar do período de finalização da safra, os preços foram pressionados devido aos problemas de qualidade, ao leve aumento na oferta em algumas regiões e às menores negociações na segunda quinzena do mês, mesmo com a flexibilização da quarentena.

Para a cultura do algodão, a queda de faturamento esperada é de 3,61%, reflexo dos preços reais 8,57% menores na comparação entre o primeiro semestre de 2019 e de 2020, visto que se projeta crescimento de 5,43% na produção anual. Segundo a Conab, o avanço da colheita vem confirmando a produção esperada recorde na série histórica da cultura. O bom desempenho da produção está relacionado aos ganhos produtivos – reflexo das boas condições climáticas –, ao incremento de área e aos grandes investimentos feitos no setor. Com relação aos preços, a equipe Algodão/Cepea destaca que houve um aumento no primeiro bimestre de 2020, refletindo a desvalorização do Real frente ao dólar e a demanda aquecida. Entretanto, em março e abril, as cotações foram pressionadas pelo descompasso entre oferta e demanda, esta última afetada negativamente pela pandemia. Em maio, os preços fecharam com pequena recuperação, suportados pela paridade das exportações. Em junho, as negociações envolvendo algodão em pluma registraram melhora, com compradores pedindo maiores prazos para pagamentos e buscando o produto de melhor qualidade, o que pressionou as cotações. Os vendedores estiveram mais atentos aos trabalhos de campo, na expectativa de poder cumprir os contratos já efetuados anteriormente. Com relação ao mercado internacional, no mês de junho, o produto apresentou deságios devido ao excedente expressivo ainda disponível e à chegada de uma nova safra recorde brasileira.

      Quanto ao segmento primário de base pecuária, pode-se observar na Figura 3 o comportamento das atividades acompanhadas pelo Cepea. O destaque fica por conta da suinocultura e bovinocultura de corte, cujas projeções de crescimento de faturamento anual são positivas, além da produção de ovos. Por outro lado, para a avicultura e a produção de leite, projeta-se variação negativa para o faturamento anual.

Para a suinocultura para corte, a projeção para o faturamento anual indica crescimento de 24,34%, combinação do aumento de 15,16% dos preços, na comparação entre semestres, e do aumento de 7,98% esperado para a produção anual. Especificamente em junho, os preços de produtos suinícolas registraram alta. Conforme a equipe Suínos/Cepea, no mês, houve aumento da liquidez doméstica e externa, devido à retomada da atividade após o afrouxamento de medidas de contingenciamento do coronavírus em importantes regiões consumidoras e aos contínuos casos de PSA e febre aftosa em países asiáticos. Destaca-se que, no mês, foi registrado o segundo maior volume de exportação da série da Secex, iniciada em 1997. Apesar do alto volume escoado, o preço de exportação recuou diante de pressões por menores cotações da China, principal consumidor estrangeiro. A perda da receita só não foi maior devido à desvalorização do Real frente ao dólar.

A projeção para o faturamento anual da bovinocultura para corte indica crescimento de 15,75%. A atividade tem sido impulsionada pela alta de preços, que cresceram 25,79% na comparação entre semestres, enquanto a produção anual esperada é 7,99% menor. Conforme mencionado em outros relatórios, a sustentação dos preços da arroba do boi gordo (bem como da carne bovina) em patamares altos é resultante, em partes, da baixa oferta de animais para o abate. Além disso, conforme a equipe Boi/Cepea, mesmo em meio à pandemia, durante o segundo trimestre do ano, quando se percebeu maior adesão às medidas de distanciamento e restrições às atividades econômicas, os preços domésticos não se arrefeceram devido à demanda aquecida no front externo, especialmente advinda da China. O ritmo de embarques das carnes brasileiras foi beneficiado pela desvalorização do Real frente ao dólar, além da redução de concorrentes internacionais em meio à pandemia e outros problemas sanitários (Peste Suína Africana; influenza e febre aftosa).

Figura 3. Pecuária: Variação anual dos preços e do faturamento 2020/2019 com informações de junho

Para a atividade de frango para corte, por sua vez, projeta-se queda de 6,11% no faturamento anual, devido ao recuo de 6,21% dos preços, na comparação com o primeiro semestre de 2019, uma vez que a produção anual esperada permanece praticamente estável, com ligeira alta de 0,11%. Especificamente em junho, os preços reagiram frente à demanda aquecida por carne avícola, dada a perda do poder de compra da população durante a pandemia combinada ao preço competitivo da carne, em comparação às substitutas.

Para a atividade leiteira, espera-se queda no faturamento anual (-12,38%), devido à queda dos preços (-11,89%) na comparação entre períodos e à queda esperada para a produção anual (-0,55%). De acordo com a equipe Leite/Cepea, em maio, houve baixa disponibilidade de leite no campo devido à transição para entressafra no Sudeste e Centro-Oeste (diminuição de chuvas) e à estiagem no Sul, que comprometeu a quantidade e qualidade da produção de silagem. Com isso, se acirrou a competição por matéria-prima entre as indústrias de derivados. Como resultado, os preços do leite ao produtor avançaram em junho.

Referente à atividade avícola poedeira, projeta-se crescimento de 26,41% do faturamento anual, devido ao importante aumento de 22,59% dos preços, em comparação ao primeiro semestre de 2019, e ao crescimento esperado de 3,12% da produção anual. Especificamente em junho, conforme equipe Ovos/Cepea, os preços dos ovos caíram para o segundo menor patamar do ano, atrás apenas do registrado em janeiro. Atribui-se a redução das vendas à pandemia da Covid-19, que impediu a realização de grandes eventos que tradicionalmente ocorrem no mês.

SEGMENTO INDUSTRIAL: Resultados da agroindústria melhoram em junho

Entre os segmentos do agronegócio, a agroindústria tem sido a mais prejudicada pelas medidas relacionadas à Covid-19. Ainda assim, houve alguma melhora no cenário entre maio e junho. O PIB agroindustrial teve alta de 0,27% no mês, puxado pelo crescimento de 2% para a indústria de base pecuária, com leve queda de 0,26% para a indústria de base agrícola. Com isso, no semestre, a queda foi de 0,76% para a agroindústria, com baixa de 4,04% para a de base agrícola e alta de 10,47% para a de base pecuária (Tabelas 1, 2 e 3).

Na indústria de base agrícola, a queda no faturamento anual é de 1,92%, resultado de preços médios 3,05% maiores e de queda de 4,83% na produção. Já para a indústria de base pecuária, o aumento esperado no faturamento é de 6,17%, com preços 13,05% maiores e queda de 6,08% na produção.

No acompanhamento feito pelo Cepea para a evolução do PIB, as indústrias de base agrícola para as quais se espera crescimento do faturamento em 2020, com base em informações até junho, são, apenas: moagem e fabricação de produtos amiláceos, açúcar, óleos vegetais e produtos de fumo. Para todas as demais indústrias de base agrícola, se espera queda do faturamento em 2020: biocombustíveis, produtos e móveis de madeira, celulose e papel, têxtil e vestuário, indústria do café, conservas de frutas, verduras e outros vegetais, bebidas e outros produtos alimentares (Figura 4).

Para a indústria do açúcar, o importante crescimento esperado no faturamento (60,7%) é reflexo dos aumentos tanto nos preços (21,7%), na comparação entre o primeiro semestre de 2020 e o mesmo período de 2019, quanto na produção esperada para o ano (32%). Segundo a Conab, a expansão na produção está relacionada à maior quantidade de ATR destinada para a produção de açúcar em detrimento do etanol – estratégia adotada pelo setor com o intuito de reduzir os impactos da crise que atinge o mercado de biocombustíveis. Adicionalmente, a Companhia destaca a existência de uma janela de oportunidades para o setor açucareiro brasileiro devido aos problemas de produção causados pela seca na Tailândia e nos embarques de alguns países exportadores (por exemplo, a Índia) como reflexo da pandemia, bem como à restrição das exportações por alguns países para priorizar o mercado interno (como ocorre, por exemplo, na América Central). Segundo a equipe Açúcar/Cepea, os preços no primeiro semestre de 2020 foram impulsionados pela projeção de déficit global (menor produção em importantes países produtores) e pela desvalorização cambial. Entretanto, nos meses de março e abril, o cenário de incerteza na economia mundial devido à pandemia e as ações adotadas para reduzir a sua disseminação pressionaram as cotações domésticas. Em maio e junho, mesmo com uma maior produção, a demanda externa aquecida, a recuperação dos preços do petróleo e o volume destinado para as exportações contribuíram para a sustentação das cotações no mercado doméstico.

No caso da indústria de óleos vegetais, o crescimento esperado de 24% para o faturamento anual reflete a alta de 19,8% nos preços reais, na comparação entre o primeiro semestre de 2019 e de 2020, e o aumento esperado da produção, de 3,5%. De acordo com a equipe Soja/Cepea, os patamares de preços mais altos praticados nos primeiros meses deste ano refletiam as perspectivas para o mercado, que foram frustradas pela crise desencadeada pela pandemia da Covid-19. Entretanto, no mês de junho, as cotações foram impulsionadas pelo aumento da demanda do óleo de soja para a produção de biodiesel (muitas indústrias buscaram repor estoques devido às dificuldades na aquisição da soja em grão).

Com relação à indústria de papel e celulose, a queda esperada de 11,8% no faturamento anual decorre das reduções de 8,6% dos preços, na comparação entre janeiro a junho de 2020 e o mesmo período de 2019, e de 3,1% na produção esperada. A queda de preços na comparação entre períodos reflete, principalmente, os recuos sucessivos da cotação da celulose ao longo de 2019 devido aos estoques elevados no mercado internacional e os impactos da pandemia do coronavírus sobre a estabilidade do preço médio em dólar da tonelada de celulose de fibra curta no Brasil.

Figura 4. Agroindústrias de base agrícola: variação anual do volume, preços reais e faturamento das indústrias agrícolas acompanhadas

No caso dos biocombustíveis, espera-se redução de 15,3% no faturamento, tendo em vista a produção anual esperada 14,3% menor. Para os preços, houve ligeira queda de 1,1% na comparação entre os primeiros seis meses de 2020 e de 2019. Com relação à produção, como já mencionado na análise do açúcar, a Conab evidencia que a redução esperada é resultado da mudança de estratégia das unidades produtoras devido à dupla crise que assola o mercado de biocombustível. Segundo a equipe Etanol/Cepea, em janeiro e fevereiro houve alta nos preços, enquanto nos meses de março e de abril, os preços foram pressionados fortemente devido à queda nas cotações do petróleo e à diminuição da demanda por etanol, impactada pela pandemia do coronavírus. Em maio e na primeira quinzena de junho, a volta gradativa do consumo por conta da flexibilização das normas de restrição e a vantagem competitiva do biocombustível frente à gasolina C impulsionaram as cotações – movimento não suficiente para recuperar as quedas observadas nos meses anteriores.

Nos casos das indústrias têxtil e de vestuário, as projeções de queda dos faturamentos anuais (-23% e -37,4%, respectivamente) são resultantes, principalmente, da queda na produção esperada para este ano (-22,0% e -36,6%, respectivamente). Estas indústrias foram fortemente impactadas pela pandemia, sofrendo influência do isolamento social, do direcionamento do consumo para alimentos e remédios e da condição econômica no País (aumento do desemprego e redução de salários). Este resultado só não foi pior devido à estratégia adotada por algumas indústrias, direcionando a produção para itens como máscaras, aventais e outros itens hospitalares.

Quanto à agroindústria de base pecuária, conforme se observa na Tabela 5, apenas a atividade de abate e preparação de carnes e pescado apresenta projeção de crescimento para seu faturamento anual, enquanto as indústrias de laticínios e de couro e calçados apresentam projeção de recuo do faturamento.

A indústria de abate e preparação de carnes e pescado registrou aumento importante de 16,85% dos preços, na comparação entre semestres, variação responsável pela projeção de crescimento de 12,66% do faturamento anual, haja vista a redução esperada de 3,29% para a produção anual. Na indústria do abate de bovinos, especificamente em junho, foi registrado recorde na série de preço real (deflacionado pelo IGP-DI) da carcaça casada de boi negociada no mercado atacadista de São Paulo. Conforme a equipe Boi/Cepea, ressalta-se, no entanto, que ainda que o preço médio da arroba da carne permaneça acima do preço médio da arroba do animal, como se observa desde 2016, essa diferença tem sido atenuada recentemente. A indústria de abate de suínos também experimentou aumento nos preços no mês de junho, impulsionados pelo aumento da liquidez nos mercados doméstico e externo. Na cadeia do frango, os preços dos principais produtos também reagiram no mês de junho, o que, conforme a equipe Frango/Cepea, deveu-se à combinação de aquecimento da demanda final, dada preferência pela carne avícola frente à perda de poder de compra da população, e de imposição de medidas de ajuste da produção no primeiro semestre, tanto pela indústria quanto pelos produtores, no sentido de conter a desvalorização.

Quanto à indústria de derivados do leite, tem-se queda esperada para a produção anual (-9,10%), que explica a projeção de redução do faturamento no ano (-5,66%) – impacto que é atenuado pela alta observada nos preços dos produtos (3,79%). Segundo a equipe Leite/Cepea, em maio, a menor oferta de matéria-prima para a indústria de derivados fez com que o baixo nível dos estoques se intensificasse, em especial, de leite em pó, UHT e muçarela – lembrando que, em abril, devido às incertezas frente à pandemia, a produção já havia sido menor. Todavia, devido ao incremento na renda da população, a partir do auxílio emergencial, as vendas de derivados lácteos foram impulsionadas em maio e junho. Esse cenário de baixo estoque e pressão de demanda impulsionou os preços dos laticínios.

Tabela 5. Agroindústrias de base pecuária: variação anual do volume, preços reais e faturamento das indústrias pecuárias acompanhadas

SEGMENTO DE SERVIÇOS: PIB dos agrosserviços acumula alta no semestre

O PIB dos agrosserviços do agronegócio brasileiro cresceu 1,15% em junho, acumulando alta de 4,76% no primeiro semestre (Tabela 1). No ramo agrícola, o segmento cresceu 0,57% em junho e 0,72% no período (Tabela 2). No ramo pecuário, o PIB dos agrosserviços cresceu 2,32% no mês e 13,15% no semestre (Tabela 3).

Como destacado em relatórios anteriores, o resultado positivo do PIB do segmento reflete, por um lado, a continuidade do abastecimento do mercado doméstico, apesar dos problemas logísticos e dos desafios impostos pela pandemia, e por outro, o excelente desempenho em termos de exportações.

CONCLUSÕES

O PIB do agronegócio brasileiro fechou o 1° semestre de 2020 com alta de 5,26% e 6 meses consecutivos expansão. As altas “dentro da porteira” e dos agrosserviços têm sido determinantes para o crescimento do PIB do Agronegócio em 2020, refletindo por um lado a safra recorde de grãos 2019/2020, e por outro a forte demanda internacional por produtos do agronegócio brasileiro. Os agrosserviços, que representam quase metade do PIB do setor, cresceram 4,76% no semestre, puxados pelo dinamismo das vendas externas.

Entre os segmentos do agronegócio, o único que recuou no acumulado do período foi o agroindustrial mais significativamente afetado pela pandemia do Covid-19. Embora a indústria de base pecuária também tenha sentido algum efeito da pandemia sobre os preços de seus produtos (sobretudo em maio), foi a indústria de base agrícola que sentiu mais acentuadamente seus efeitos negativos, particularmente as indústrias têxtil e de vestuário, a de conservas de frutas, legumes e outros vegetais, os produtos e móveis de madeira, biocombustíveis e a de papel e celulose.

No caso da agricultura, o bom resultado decorre da combinação de preços e produção em alta. Entre os produtos, os destaques em termos de altas, tanto de produção como de preços são milho, café, arroz, soja, cacau e trigo. Já os destaques em termos exclusivamente de expansão da produção são algodão, feijão, laranja, e madeira para celulose. Já para a pecuária, o principal impulso ao PIB relaciona-se aos preços elevados para o boi gordo, ovos e suínos. O elevado patamar dos preços pecuários nos primeiros meses de 2020 ainda refletiu um efeito inercial da forte elevação ao longo de 2019, relacionada à Peste Suína Africana. E, ao longo do primeiro semestre de 2020, a baixa oferta de bovinos para abate e o elevado ritmo de exportações de carnes também contribuíram para manter os preços em patamar elevado.

ANEXO I – Evolução mensal do PIB DO AGRONEGÓCIO

A1) PIB do Agronegócio: Taxas de variação mensal e acumulado do período (em %)

A2) PIB do Agronegócio: Participações dos segmentos (em %)

A3) PIB Volume do Agronegócio: Taxa anual (em %)

  • Nota técnica: O PIB Volume do Agronegócio trata-se do PIB do agronegócio calculado pelo critério de preços constantes. Resulta, portanto, a variação apenas do volume de produção. Este é o indicador de PIB comparável às variações apresentadas pelo IBGE.

A4) PIB DO AGRONEGÓCIO - METODOLOGIA

O Relatório PIB do Agronegócio Brasileiro é uma publicação mensal resultante da parceria entre o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (CEPEA), da Esalq/USP, a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) e a Fundação de Estudos Agrários Luiz de Queiroz (FEALQ). O agronegócio é entendido como a soma de quatro segmentos: insumos para a agropecuária, produção agropecuária básica (ou primária), agroindústria (processamento) e agrosserviços – como na Figura que segue. A análise desse conjunto de segmentos é feita para o ramo agrícola (vegetal) e para o pecuário (animal). Ao serem somados, com as devidas ponderações, obtém-se a análise do agronegócio.

Pelo critério metodológico do Cepea/Esalq-USP, o PIB do agronegócio é medido pela ótica do produto, ou seja, pelo Valor Adicionado (VA) total deste setor na economia. Ademais, avalia-se o VA a preços de mercado (consideram-se os impostos indiretos menos subsídios relacionados aos produtos). O PIB do agronegócio brasileiro refere-se, portanto, ao produto gerado de forma sistêmica na produção de insumos para a agropecuária, na produção primária e se estendendo por todas as demais atividades que processam e distribuem o produto ao destino final. A renda, por sua vez, se destina à remuneração dos fatores de produção (terra, capital e trabalho).

Após estimado o valor do PIB do agronegócio no ano-base, que desde janeiro/17 refere-se ao ano de 2010, parte-se para evolução deste valor de modo a se gerar uma série histórica, por meio de um amplo conjunto de indicadores de preços e produção de instituições de pesquisa e governamentais. Seja para a estimação anual do valor do PIB, ou para as reestimativas mensais das previsões anuais, consideram-se informações a respeito da evolução do Valor Bruto da Produção (VBP) e do Consumo Intermediário (CI) dos segmentos do agronegócio. Pela evolução conjunta do VBP e do CI, estima-se o crescimento do valor adicionado pelo setor. 

Com base nos procedimentos mencionados e processos adicionais realizados pelo Cepea, os cálculos do PIB do agronegócio resultam em dois indicadores principais, que retratam o comportamento do setor por diferentes óticas:

•            PIB-renda Agronegócio (equivale ao PIB divulgado anteriormente pelo Cepea): reflete a renda real do setor, sendo consideradas no cálculo variações de volume e de preços reais, sendo estes deflacionados pelo deflator implícito do PIB nacional.

•            PIB-volume Agronegócio: PIB do agronegócio pelo critério de preços constantes. Resulta daí a variação apenas do volume de produção. Este é o indicador de PIB comparável às variações apresentadas pelo IBGE.

Mensalmente, o foco de análise principal é o PIB-renda Agronegócio, que reflete a renda real do setor. Por conveniência textual, o PIB-renda do agronegócio é denominado apenas como PIB do Agronegócio ao longo deste relatório. Destaca-se que as taxas calculadas para cada período consideram igual período do ano anterior como base, exceto para as quantidades referentes às safras agrícolas, para as quais computa-se a previsão de safra para o ano (frente ao ano anterior).

Importante também destacar que cada relatório considera os dados disponíveis – preços observados e estimativas anuais de produção – até o seu fechamento. Em edições futuras, ao serem agregadas informações mais atualizadas, há a possibilidade, portanto, de ocorrer alteração dos resultados, tanto no que se refere ao mês corrente, como também ao que se refere a meses e anos passados. Recomenda-se, portanto, sempre o uso do relatório mais atualizado. Para uma análise mais detalhada dos aspectos metodológicos, bem como dos resultados dos demais indicadores (PIB volume, Consumo Intermediário, etc.) ver http://www.cepea.esalq.usp.br/br/pib-do-agronegocio-brasileiro.aspx







Áreas de atuação

Núcleo Econômico

Veja também