Preços dos alimentos sobem menos que a inflação em Julho/2020

Por: Superintendência Técnica

O Índice de Preços ao Consumidor (IPCA) de julho, divulgado hoje pelo IBGE, foi de 0,36%, uma aceleração frente à inflação de 0,26% em junho. No acumulado de janeiro a julho de 2020, o IPCA está em 2,31% mantendo-se, portanto, significativamente abaixo do centro da meta de inflação para o ano, que é de 4%.

O grupo de “alimentação e bebidas” teve preços praticamente estáveis em julho (0,01%). Os preços dos alimentos consumidos no domicílio subiram apenas 0,14%, um ritmo de reajuste significativamente menor que a média de preços ao consumidor no mesmo período (0,36%), conforme pode ser visto no gráfico 1 a seguir.

Gráfico 1- Índice de Preço ao Consumidor Amplo (IPCA)
Índice Geral e Alimentação no Domicílio (%) – Mensal em 2019 e 2020

Ainda assim, no acumulado dos últimos 12 meses, entre agosto/2019 e julho/2020, os preços dos alimentos consumidos em casa permanecem com alta mais acelerada que a média do IPCA. (ver gráfico 2).

Em linhas gerais, a alta dos preços dos alimentos, particularmente daqueles consumidos no domicílio, resulta da menor oferta sazonal de produtos específicos aliada à retomada da demanda com o início da flexibilização das medidas de isolamento social. No caso da carne bovina, contudo, a menor oferta de animais para abate reflete meses sucessivos de altos preços pagos pela @ do boi gordo, algo anterior à pandemia do coronavírus. Já as quedas de preços de alguns alimentos consumidos no domicílio estão basicamente associadas ao aumento sazonal da oferta particularmente de tubérculos, raízes e legumes cujos preços, em média, caíram 15,6% em julho de 2020.

Gráfico 2- Índice de Preço ao Consumidor Amplo (IPCA)
Índice Geral e Alimentação no Domicílio – Acumulado em 12 meses

Abaixo os produtos que apresentaram as maiores altas e as maiores quedas de preço em julho de 2020, e as respectivas variações de preço acumuladas nos primeiros 7 meses de 2020.

Principais Altas de Preço:

Limão - Com uma estiagem nos meses de junho e julho, a produção de limão foi afetada em São Paulo. Com boa demanda no mercado interno e externo, houve alta sustentada de preço em julho.

Alface - Diante da pandemia e da entrada do inverno, houve redução da área plantada com alface. Diante do desajuste no mercado, os preços apresentaram recuperação, que foi intensificada com a retomada do setor de food service em algumas capitais do país.

Leite longa vida - A baixa disponibilidade de leite no campo, devido ao período de entressafra, somado ao aumento da demanda de produtos lácteos está refletindo na alta de preços do Leite UHT. Quando comparado a julho de 2019, os preços estão 30% superiores. A demanda por lácteos em geral está elevada devido à reabertura, ainda que parcial, dos food services – como bares, restaurantes e hotéis. Além disso, o auxílio emergencial ao garantir renda aos mais afetados pelas medidas de distanciamento social, tem sustentado a demanda por leite UHT.

Carne bovina e suína - Os aumentos nos preços das carnes são oriundos da menor disponibilidade de animais para abate, tanto suínos como bovinos. No caso dos bovinos, isso decorre dos anos anteriores que tiveram maior participação das fêmeas no abate, e com isso menor produção de bezerros. Além disso, houve um adiantamento da produção devido aos preços elevados do ano passado, e com a perspectiva de então de que os preços em 2020 não seriam tão atrativos. Dessa forma, atualmente o mercado passa por uma redução na oferta do boi gordo, que deve durar até o final de agosto. Soma-se a isso a baixa disponibilidade de suínos terminados, levando o preço pago ao produtor para a 10ª semana de alta consecutiva.

Arroz - apesar da safra 2019/2020 ter sido superior à safra anterior, os preços pago ao produtor têm mentido leves altas acompanhando os preços internacionais e o câmbio, que apesar das retrações no mês de julho ainda sustenta patamares superiores aos verificados em safras anteriores com efeito direto no mercado físico nacional.

Principais Quedas de Preço:

Batata – após sustentar altas de preço ao longo da pandemia, a intensificação da safra de inverno em São Paulo e no Sul de Minas Gerais tem promovido as retrações no preço, que já são esperadas para essa época do ano. No entanto, a demanda ainda reduzida tem sido um agravante para os produtores.

Cenoura – No caso da cenoura, a retração de preço também foi sazonal. A intensificação da colheita na região de São Gotardo/MG, aliada à demanda ainda enfraquecida, contribuiu para as depressões de preço verificadas durante o mês de julho.

Tomate – Já para o tomate, mesmo com retração de área, o pico da safra de inverno em importantes regiões produtoras de São Paulo e Minas Gerais foi o responsável pela a contração dos preços.

Cebola – Após acumular altas por problemas de safra e impossibilidade de importação do produto argentino, a cebola apresentou uma leve retração nos preços como resultado da intensificação da colheita do produto em Goiás e a antecipação da oferta de bulbos imaturos, como tem ocorrido em Monte Alto/SP.

Laranja lima – como avanço da safra nas regiões produtores de São Paulo, a retração de preço foi consequência do movimento sazonal de produção.

Feijão carioca – após os picos de alta vivenciados nos meses anteriores, o preço do feijão em cores apresentou retração impulsionada pela intensificação da oferta da segunda safra que se encontra finalizada e pelas boas expectativas para a terceira safra que desenvolve dentro da normalidade.



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