O mundo precisa da agricultura brasileira

Por: José Zeferino Pedrozo*

A agricultura brasileira se expande, adota cada vez mais tecnologia e busca a sustentabilidade. Essa é uma das leituras possíveis do Censo Agropecuário recém-concluído pelo IBGE. Hodiernamente, 41% do território brasileiro são utilizados para a produção de alimentos, entre lavouras, pastagens, matas naturais e matas plantadas que somam 350 milhões de hectares. Figurando como modelo de harmonia entre produção e respeito ambiental, Santa Catarina tem 183.000 estabelecimentos rurais ativos que ocupam 6,4 milhões de hectares. A importância do setor primário barriga-verde é inquestionável e representa 29% do PIB estadual.

A agricultura está mais moderna, tecnificada e empresarial em face de maiores investimentos. A frota de tratores empregada nos campos, por exemplo, cresceu quase 50% desde 2006. A área irrigada aumentou 52% em relação ao último censo e a irrigação é utilizada por 10% dos 5,1 milhões de estabelecimentos rurais do País. O campo registra maior aporte de tecnologia, com mais de 1,4 milhão com acesso à internet.

O levantamento revela, ao lado das potencialidades, algumas deficiências, como o envelhecimento da população rural, fenômeno que vem sendo tratado em Santa Catarina com programas de qualificação e requalificação da família rural. Por outro lado, cooperativas e sindicatos mantêm programas de valorização dos jovens e estímulo para retorno ou permanência no campo.

Em todo o mundo a agricultura merece prioridade total em razão da segurança alimentar que cada Nação persegue: não há paz social e desenvolvimento econômico sem fartura com preços acessíveis. Nesse aspecto, o Brasil é um paradigma internacional. Em 2017, por exemplo, os alimentos contribuíram fortemente para os baixos índices inflacionários. Entretanto, os alimentos pesarão um pouco mais no bolso dos consumidores brasileiros em 2018 em razão da valorização da soja e do milho, principais insumos da nutrição animal. Essa situação tende a pressionar para cima os preços das carnes, principalmente no segundo semestre. Outros produtos básicos (arroz, feijão, hortifrutigranjeiros) também tendem a subir moderadamente. A quebra da safra da Argentina e a guerra comercial entre os EUA e a China, entre outros fatores, valorizaram esses grãos. Entretanto, a lenta recuperação da economia brasileira dificultará a alta de preços no varejo.

A contribuição da agricultura fortalece o Brasil na sétima posição – de acordo com o Fundo Monetário Internacional – no ranking mundial sobre as quinze maiores economias do mundo no quesito PIB/Paridade Poder de Compra (PPC), em bilhões de dólares. O FMI projeta que até o ano de 2050 o País se transformará na sexta potência mundial. Um dos mais robustos pilares será o agronegócio, eterno responsável por superávit na economia e pelo aumento no PIB (volume do agronegócio projetado) que em 2018 deve chegar em 3,17%.

Aumentar a produção interna bem como a exportação de commodities agrícolas é um desafio complexo, porque é necessário que seja realizado de forma sustentável, com a estrita observância da legislação ambiental. Mas esse caminho é imperioso, pois a nova projeção de demanda de alimentos, fibras e bioenergia até o ano 2050 (elaborada pela FAO e pela ONU) não pode jamais dispensar o concurso da produção brasileira no mercado mundial.

O mundo precisa da agricultura brasileira para a segurança alimentar do Planeta. O produtor e o empresário rural precisam de um ambiente amigável, por isso, o Estado brasileiro, no cumprimento de suas funções de incentivo e planejamento, deve oferecer segurança jurídica e outras formas de apoio para as atividades econômicas que se situam no multifacetado universo do agronegócio. A agricultura e o agronegócio merecem uma política de Estado permanente e não apenas políticas transitórias de governo.

*José Zeferino Pedrozo - Presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de SC (FAESC) e do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (SENAR/SC)

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