Logo CNA

Mato Grosso

Déficit de armazenagem amplia importância de classificação de grãos em Mato Grosso
24082020030417

A etapa é crucial para a comercialização dos produtos e interfere na receita bruta do produtor

26 de agosto 2020

Por: Assessoria de Imprensa/Senar-MT

Fonte: Assessoria de Imprensa/Senar-MT

Ao final da safra - entre a colheita e entrega de grãos - produtores rurais enfrentam um dos maiores gargalos na produção agrícola: a classificação dos produtos de origem vegetal. A etapa é crucial para a comercialização dos produtos e interfere na receita bruta do produtor. Para promover capacitação para os classificadores, o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural de Mato Grosso (Senar-MT) em parceria com os Sindicatos Rurais realizou cerca de 10 treinamentos neste mês de agosto.

Dados do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (IMEA), indicam que dentre os principais motivos para a tamanha importância da classificação é o déficit de armazenagem do Estado. Segundo metodologia preconizada pela Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO), a disponibilidade ideal de armazéns é 120% da produção anual de grãos. Mato Grosso possui um déficit de 64%.

Canarana é um dos municípios em que somente a minoria dos produtores possui armazém próprio. Segundo o presidente do sindicato rural local, Rodrigo Piccinini, a classificação é o coração da produção agrícola e é necessária ser feita com zelo. "Não adianta investir na lavoura e perder na classificação. É primordial que seja feita com ética e comprometimento senão causa muitos danos".

Segundo o presidente, além dos benefícios ao proprietário rural, os cursos também trazem vantagens à comunidade. "A capacitação dá emprego aos moradores e abre as portas para eles começarem uma trajetória trabalhando dentro do agro".

Para Mayra Bordin, 19, de Sinop, participar do treinamento do Senar-MT foi uma oportunidade para adquirir conhecimento na área de formação. "Estou no segundo semestre de agronomia e eu não tinha ideia de como era feita esta análise. Foi muito importante para eu aprender como funciona a prática”.

A classificação de produtos de origem vegetal é obrigatória de acordo com a Lei nº 9.972/2000. A atividade é feita por amostragem tanto na entrada quanto na saída dos armazéns para comercialização e interfere na receita do produtor. Segundo o instrutor credenciado junto ao Senar-MT, Antônio Xavier, a instituição promove o curso para classificação comercial. "Têm pessoas que iniciam o curso sem saber nada sobre a área e ao final do treinamento são contratadas".

Tecnologia - Devido a importância da etapa, há cada dia mais iniciativas que juntam a atividade com a tecnologia. Segundo o head do Agrihub, Otávio Celidônio, a iniciativa vencedora do 2º Hackathon Dev. Agri – em 2017 - foi relacionada à classificação de grãos. "Tem muita ideia boa nessa área e investimentos de Startups para melhorar essa etapa para o produtor".

Integrante da equipe vencedora, o CEO da Startup Smart Grain (antiga Color Grain), Vitoriano Ferrero, estima que até 2021 seja lançado um aplicativo (app) que classifique grãos. "Atualmente, o produtor depende de uma análise, mas com o app ele poderá ter uma base de comparação".

Segundo o CEO, "o classificador sempre será um elemento indispensável, mas o aplicativo vai auxiliá-lo a fazer a análise de uma melhor forma". Opinião diferente da Startup Tbit que acredita em uma intervenção cada vez mais tecnológica.

De acordo com o diretor executivo, Igor Chalfoun, a área segue a tendência mundial e futuramente poderá sofrer impactos devido a adoção da tecnologia. "Várias áreas estão mudando e é importante que as pessoas se capacitem e acompanhem essa mudança. Hoje na tecnologia da nossa Startup, por exemplo, o fator humano não faz a classificação, mas precisamos de alguém para operar o sistema".

A Startup mineira, que também atua em outros quatro países, instalou um projeto de inovação tecnológica em Mato Grosso. Na iniciativa, um equipamento e um software substituem a intervenção humana no processo de classificação. "O projeto ainda não está a nível de produtor devido aos custos operacionais, mas as empresas que já possuem essa tecnologia nos dão feedback positivo", analisa.