Goiás

12/08/2020

ATeG do Senar Goiás capacita produtores a formularem dietas ajustadas para rebanho

Por: Comunicação Sistema Faeg/Senar

Em um sistema de produção de leite, a alimentação adequada do rebanho é de fundamental importância tanto do ponto de vista nutricional, quanto econômico. Produtores afirmam que o custo com a nutrição de bovinos, em média, chega a representar até 60% do custo total de produção de suas propriedades. E, para auxiliar o produtor de leite a tomar decisões mais eficientes e eficazes, o Senar Mais, programa de assistência técnica e gerencial (ATeG) do Senar Goiás, para bovinocultura de leite, tem auxiliado cerca de dois mil produtores goianos a ajustar corretamente a dieta oferecida às suas vacas em lactação, novilhas e bezerras – mantendo o custo médio com a nutrição animal abaixo dos 50%, elevando a margem bruta do produtor por litro de leite e colaborando para a permanência dos produtores na atividade.

Consultores em nutrição definem a dieta como o conjunto de alimentos, incluindo sua quantidade respectiva, prescrita para uma determinada categoria animal. Segundo este grupo, a ração é a quantidade total de alimentos consumidos em 24 horas (volumosos, concentrados, aditivos e minerais), e esta relação deve ser balanceada com base nas exigências dos animais e nas características dos alimentos utilizados. Eles informam que, à medida, que se busca maior produtividade por animal, os volumosos (pasto, silagem e feno) por si só não são suficientes para manter esta maior produtividade. Neste caso, além de volumosos, alimentação do gado de leite deve ser acrescida de uma mistura de concentrados, minerais e até vitaminas.

Segundo o gerente de ATeG do Senar Goiás, Guilherme Bizinoto, a dieta é imprescindível para garantir lucratividade, saúde animal e produção eficiente. Ele explica que a base para formulação de dietas eficientes é a análise do estágio de lactação e da produção de cada vaca leiteira. "Na primeira visita à propriedade, durante o diagnóstico, os técnicos de campo solicitam a pesagem do leite ao produtor. A partir de então, este controle passa a ser feito regularmente, no mínimo, uma vez ao mês. Os dados são registrados no Caderno do Produtor. Na etapa seguinte, o técnico ajuda o produtor a formular uma dieta personalizada de acordo com os alimentos disponíveis na propriedade e nos resultados almejados no planejamento", afirma. Como o custo com alimentação e a disponibilidade de pastagem oscila entre o período de chuvas e o da seca, o gerente indica que o produtor faça a análise bromatológica dos volumosos, para conhecer as características nutricionais da pastagem e disponibilidade de forragem.

“Pensando em nutrição de precisão, a análise bromatológica de cada alimento é essencial, só assim o balanceamento da dieta será 100% efetivo. Na maioria das propriedades leiteiras, os alimentos mudam durante o ciclo de produção, de acordo com as épocas do ano e a disponibilidade no mercado, entre outros fatores. Cabe ao produtor, juntamente com seu técnico de campo, buscarem a melhor alternativa do ponto de vista econômico, que garanta a produção esperada das vacas em lactação", enfatiza o gerente da ATeG.

Planejamento e método

Responsável pela assistência a 25 produtores de leite nos municípios de Anápolis, Bonfinópolis, Campo Limpo, Leopoldo de Bulhões, Nerópolis e Pirenópolis, o técnico de campo do Senar Goiás, André Milhardes, considera que a dieta é um pilar da pecuária de leite. "Aliada à sanidade do rebanho e a genética dos animais, a dieta mantém o produtor na atividade e colabora para que ele obtenha bons resultados. No sistema tradicional semi-intensivo, com produção de leite a pasto, a relação entre volumoso e concentrado deve responder por até 50% do custo operacional efetivo do produtor, sendo 35% concentrado (ração) e 15% volumoso (silagem na época seca). Em função da receita bruta do produtor, o ideal é que o concentrado (ração) não passe de 35%", orienta.

A metodologia do Senar Mais é fundamentada em cinco etapas, que abrangem todo o processo a ser aplicado no desenvolvimento da propriedade rural. A primeira é o diagnóstico produtivo, que permite ao técnico conhecer toda a realidade daquela produção. Em seguida, é realizado um planejamento estratégico que define, juntamente com produtor, o que tem que ser melhorado e onde existem gargalos. A terceira etapa é a adequação tecnológica, como o manejo intensivo de pastagens, acompanhada de uma capacitação profissional complementar, que é a quarta etapa, se necessário. E, por último, a avaliação sistemática dos resultados.

Na prática, a assistência começa com a avaliação dos pontos fortes e fracos, identificando sistemicamente as oportunidades e ameaças disponíveis. "Nós montamos um planejamento estratégico com o produtor, definindo prioridade e metas. Depois, começamos as adequações, onde usamos as tecnologias que mais se adequam à realidade do produtor. Propomos soluções para os gargalos identificados e revisamos os indicadores mensais e anuais, adotando as correções necessárias e efetuando o novo planejamento para os próximos 12 meses. Um dos principais gargalos na produção leiteira em Goiás é o custo operacional com a nutrição animal. Segundo Milhardes, quando este custo supera 50% do total de despesas na atividade produtiva da propriedade, a margem bruta e, consequentemente, o lucro por litro de leite ficam muito apertados.

Recomendações sugeridas pela ATeG

1. Não forneça alimentos pela média;

2. Divida as vacas em lactação, em lotes, de acordo com a produção diária e o estágio da lactação. Pese o leite, separe os lotes. Priorize as vacas em lactação. Divida o rebanho em dois ou três lotes (menor produção e maior produção ou menor, média e maior produção diária);

3. Formule a dieta por lotes homogêneos pode facilitar o manejo;

4. Ajuste a dieta desde o bezerreiro. Separe o rebanho em três grupos: vacas em lactação, novilhas e bezerras. Como o futuro da propriedade está nas novilhas e bezerras, o ideal é começar com êxito, para que o primeiro parto da novilha seja feito aos seus 24 meses e a prenhes aos 14/15 meses;

5. Fazendas com menor número de animais (até 20 vacas em lactação) e dificuldade de manejo devem adotar dietas individualizadas conforme a produção diária de cada vaca;

6. A quantidade de concentrado varia conforme produção, dias em lactação (DEL), genética e score corporal. Quanto maior a produção diária, maior a quantidade de concentrado a ser ofertada;

7. Cada animal deve comer uma quantidade de concentrado segundo sua produção diária de leite. A dieta individualizada deve apontar exatamente este percentual. Lembre-se: um animal que está consumindo concentrado em excesso, tira o lucro do outro;

8. Avalie a viabilidade de comprar os insumos (matérias-primas) e misturá-los na propriedade. Formular a ração na fazenda diminui os custos. É uma boa opção, caso o produtor conte com mão de obra disponível e capacitada;

9. Custo operacional da alimentação só é reduzido ajustando a dieta e o resultado pode ser visto no mês seguinte;

10. Para produtores com menor número de animais e que enfrentam dificuldades de manejo, o melhor é lembrar: vacas com maior produtividade comem mais concentrado e para as com menor produtividade, reduza a porção;

11. Busque alternativas alimentares para complementar a dieta mantendo o custo médio abaixo dos 50%, sem afetar a produção e produtividade;

12. Invista no manejo inteligente e na capacitação – o Senar Goiás oferece mais de 25 cursos e treinamentos gratuitos disponíveis para atividade leiteira;

13. Acompanhe os indicadores. O Plano de alimentação (dieta) deve ser monitorado. Recomenda-se monitoramento da produção (peso do leite) para vacas em lactação e o monitoramento do GMD (ganho médio diário) para animais em fase de crescimento (bezerras e novilhas);

14. Use eventuais substitutos para baixar custo na formulação dos concentrados nas propriedades. Em geral, a base da dieta dos ruminantes em Goiás, inclui o milho, como fonte de energia, mais uma fonte de proteína – o farelo de soja, mais os núcleos minerais. Os eventuais substitutos usados são o sorgo e o milheto (para energia); caroço e derivados de algodão e/ou farelos de trigo e arroz (para proteína). Em algumas regiões também estão sendo usados resíduos de cervejaria que tem alto valor enérgico, como cevada, polpas cítricas e resíduos de tomates.

15. Compre de forma coletiva. Caso seja viável, os produtores da mesma região podem organizar negociações coletivas com condições melhores de pagamento;

16. Água é essencial à nutrição de bovinos leiteiros. A disponibilidade de água potável de qualidade e em quantidade é tão essencial quanto manter bebedouros limpos. A qualidade da água oferecida ao gado deve ser avaliada e monitorada de forma contínua para o alcance das metas, evitando problemas sanitários e coibindo o controle de verminoses e patógenos.

Resultado comprovado

Seguindo há sete meses as recomendações do técnico do Senar Mais, André Milhardes, o produtor João Paulo Teixeira Rezende, proprietário da Fazenda Sozinha, no município de Bonfinópolis, conta que conseguiu economizar R$ 9 mil produzindo o concentrado na propriedade e formulando a dieta por lotes. A fazenda possui 52 vacas em lactação, 20 vacas secas, 19 bezerras, 27 bezerros, 23 novilhas e dois touros reprodutores. Conforme explica, a ração é feita conforme os alimentos disponíveis na fazenda. "Nas secas, no período do inverno, invisto na silagem de qualidade e, nas chuvas, uso a dieta formulada de acordo com pastagem e o rodízio de piquetes", detalha João Paulo.

Ele produz um concentrado único, à base de milho triturado, farelo de soja e núcleo (minerais). Os insumos são misturados com a enxada manualmente e ensacados para evitar contaminação. Depois, ele os disponibiliza aos animais de acordo com a sua produtividade. "Além de reduzir em 15% o custo com concentrado, sabemos sempre o que estamos dando ao rebanho. Isso é muito positivo porque percebo que os animais gostam da manutenção da dieta", analisa. Uma vez ao mês, ele pesa o leite e lança individualmente a produção de cada animal no Caderno do Produtor. Em média, os animais consomem de 2 a 8 quilos de concentrado por dia, divididos em dois turnos de alimentação.Vacas mais produtivas consomem 8 quilos por dia e as menos produtivas, cerca de 2 quilos por dia.

"A assistência do Senar Goiás é o meu norte para tomada de decisões. Às vezes tenho uma ideia e consulto o técnico, porque o André tem bastante experiência. Assim, evito o desperdício de dinheiro e tempo", salienta. Nos últimos meses, ele conta que aprendeu a formular dieta com mais precisão, acompanhando os diferentes estágios da lactação. "As vacas em lactação consomem a ração no momento da ordenha, em cochos individuais. Desta forma, consigo individualizar o fornecimento de concentrado por animais".

Em outra propriedade rural, a Fazenda Genipapo, em Anápolis, os resultados orgulham a família de produtores. As 24 vacas em lactação produzem mais de 400 litros de leite por dia, em apenas 10 hectares e, recentemente, a família Camargo assinou um contrato com a Nestlé. O pai, José Camargo de Moura e os filhos Thiago Oliveira Camargo e João Antônio de Moura, dedicam-se à atividade leiteira desde 2015 e já pensaram em desistir algumas vezes. No entanto, a realidade da fazenda transformou-se com as orientações técnicas oferecidas pelo Senar Goiás. Atualmente, a fazenda tem 60 animais, em 10 hectares e investe em inseminação.

João explica que cada animal da fazenda consome somente o que está na dieta formulada pelo técnico e tanto a silagem e o concentrado são produzidos e armazenados na Genipapo. "São dois turnos de alimentação, administrados antes das ordenhas (às 06 horas e às 16horas). A dieta é segmentada em cinco lotes: bezerras amamentando; bezerras desmamadas até 250 quilos; vacas secas; novilhas em pré-parto (30 dias antes); e vacas em lactação. Pesamos mensalmente o leite e, de acordo com os resultados, calculamos a quantidade de ração", informa.

De acordo com o produtor, desde que adotou dietas especiais para cada lote, o ganho de peso e a produção por animal subiu. "O técnico insistiu com a construção do bezerreiro e foi uma orientação bastante assertiva.Antes, cada bezerro amamentava até os cinco meses e não ganhava o peso desejado. Atualmente, com a nova dieta, com 60 dias cada bezerro dobrou de peso. Resultado: economia média de 4 litros de leite por dia, por animal", calcula.

Antes das orientações, ele fornecia 7,5 quilos por animal (ração pela média) e perdia muitos bezerros por problemas sanitários. "Com a divisão do rebanho em lotes, as vacas que produzem 30 quilos de leite por dia consomem exatamente 10 quilos de ração, contendo 53% de milho triturado, 44% de farelo de soja e 4% de núcleo. Se a produção for de 15 quilos de leite por dia, são fornecidos 5 quilos", afirma.

Outra medida que trouxe retorno foi a personalização da dieta de 30 dias antes do parto. "Nesta fase, para evitar a retenção da placenta e o descarte do leite, as vacas recebem um núcleo especial aniônico. Embora, este produto seja mais caro, a tecnologia presente reduziu em 80% o custo com o tratamento para a retenção da placenta. Também investimos na análise bromatológica e percebemos que a dieta atual tem evitado problemas nos cascos dos animais", enumera João Antônio.

O uso de abrigos individuais para bezerros também tem aumentado bastante em função dos bons resultados alcançados. O bezerreiro proporciona menos problemas sanitários, menor mortalidade e promove um desejável aumento de consumo de alimento na forma sólida, concentrados e volumosos (feno ou capim picado).A principal conquista segundo João Antônio foi perceber que trabalhando seriamente, de olho nos números e na evolução dos animais, há viabilidade na atividade leiteira. 

Comunicação Sistema Faeg/Senar

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