PIB do 1º tri/2019 confirma frustração das expectativas de retomada da economia brasileira em 2019

Por: Superintendência Técnica da CNA

1. Indicadores do PIB

O resultado do Produto Interno Bruto (PIB) do 1º trimestre de 2019, divulgado hoje pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), confirma a frustração do mercado quanto a uma possível retomada consistente da economia brasileira em 2019.

Desde o início de março, o Boletim Focus do Banco Central vem captando essa piora do humor dos agentes. Depois do mercado manter a expectativa de crescimento na faixa de 2,5%, para 2019, durante todo o 2º semestre de 2019 – um voto de confiança no novo Governo – o início de março marca uma acentuada deterioração dessas expectativas, como revela o gráfico 1 a seguir.

Gráfico 1 – Evolução das Expectativas de Mercado para o PIB Brasileiro em 2019

Entre 01/março e 24/maio a expectativa de crescimento – expressa semanalmente no Boletim Focus – caiu pela metade, alcançando 1,23%, com bancos de destaque já apontando previsões de crescimento próximas a 1% em 2019.

Essa piora nas expectativas quanto à recuperação da atividade econômica brasileira expressa o baixo ritmo notado pelos agentes econômicos no início de 2019. O resultado do PIB divulgado hoje, confirma essa percepção das instituições acompanhadas pelo Banco Central. Os dados do IBGE revelam que, no 1º trimestre de 2019, a economia brasileira encolheu 0,2% frente ao último trimestre de 2018, e cresceu 0,5% frente ao período entre janeiro de março do ano passado, como expresso na Tabela 1 a seguir.

O gráfico 2 a seguir revela o desempenho por setor de atividade econômica. Nos últimos 12 meses o crescimento da economia brasileira foi de 0,9%.

Enquanto o setor agropecuário cresceu a uma taxa ligeiramente superior (1,1%), a indústria extrativa (0,6%), atividades financeiras (0,4%), Administração, Defesa, Saúde e Educação Pública (0,2%) e Indústria de Transformação (0,1%) cresceram menos que a média nacional. Com um desempenho ainda pior, o setor de construção encolheu 2% no mesmo período, puxando para baixo o desempenho do PIB brasileiro.

Além da agropecuária (1,1%), cresceram mais que a média nacional de 0,9% nos últimos 12 meses, os seguintes setor: Eletricidade, água e esgoto (3%), Atividades Imobiliárias (3,2%), Informação e Comunicação (2%), Transporte, Armazenagem e Correio (1,5%), Comércio (1,3%) e Outras Atividades e Serviços (1%).

Gráfico 2 – PIB e subsetores 1º trimestre/2019

(Taxa acumulada em quatro trimestres em relação ao mesmo período do ano anterior)

Considerando apenas o período entre janeiro e março de 2019 – comparativamente ao último trimestre de 2018 -, a retração de 0,2% da economia brasileira reflete o seguinte desempenho setorial: Agropecuária (-0,5%), Indústria (-0,7%) e Serviços (0,2%).

Entre os componentes da demanda interna, houve avanço de 0,3% do Consumo das Famílias e de 0,4% do Consumo do Governo. Destaque para a queda de 1,7% da Formação Bruta do Capital Fixo (FBCF), refletindo a acentuada queda dos investimentos observados nos últimos 4 anos no Brasil. No setor externo, as Exportações de Bens e Serviços caíram 1,9%, enquanto as Importações de Bens e Serviços avançaram 0,5%.

2. PIB – Agropecuário

No 1º trimestre de 2019, comparativamente ao mesmo período do ano anterior, o setor agropecuário brasileiro apresentou retração de 0,1%. Frente ao trimestre imediatamente anterior (4º tri/2018), a retração do PIB agropecuário foi ainda maior (-0,5%), como pode ser visto na tabela 2 abaixo.

Essa queda entre os primeiros trimestres de 2018 e 2019 foi decorrente, principalmente, do desempenho da produção arroz (-10,6%), soja (-4,4%) e fumo (-2,9%). Essa queda na produção de soja deriva do aumento do estoque de passagem, muito concentrado nos EUA cujas exportações à China despencaram em 2018. Nesse contexto de Guerra Comercial EUA e China, e de aumento de estoque da oleaginosa, os produtores brasileiros de soja adotaram relativa cautela quando da escolha do pacote tecnológico para a safra 2018/19. Depois de 4 anos seguidos de bons preços e altamente capitalizados, os produtores investiram no pacote tecnológico para a safra anterior (2017/18) o que, juntamente às condições climáticas excepcionais, resultaram na histórica safra de soja naquele ano.

Adicionalmente, diante da peste suína africana, a China deve importar menos farelo de soja em 2019. Sozinha, a oleaginosa é responsável por R$1,00 de cada R$4,00 do valor bruto da produção (VBP)agropecuária brasileira e R$ 1,00 de cada R$ 3,00 do VBP agrícola. Adversidades climáticas nas principais regiões produtoras também afetaram significativamente as produtividades, principalmente de soja e de arroz.

Gráfico 3 – PIB Agropecuário, taxa acumulada em quatro trimestres (%)

Por outro lado os desempenhos do milho e da pecuária foram positivos ajudando a equilibrar os efeitos das quedas de soja e arroz no PIB agropecuário do 1º trimestre de 2019. No caso do milho, a ampliação de área estimada em 6,4% comparativamente à safra 2017/18 deriva da antecipação da colheita de soja o que abriu a possibilidade de aproveitamento integral da janela climática, e portanto, de boa produtividade e produção de milho safrinha (2ª safra).

Também em terreno positivo, o bom desempenho da pecuária no 1º trimestre de 2019, impediu uma queda mais acentuada do PIB agropecuário, comparativamente ao mesmo período de 2018. Embora afete a exportação brasileira de farelo de soja à China, a peste suína abre oportunidade para maior exportação de carne suína brasileira. O esforço do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) na ampliação da lista de frigoríficos aptos e habilitados a exportarem carne à China reflete o interesse brasileiro em ampliar ainda mais esse comércio, com impacto positivo no PIB nos próximos trimestres. 

Por fim, entre abril de 2018 e março de 2019 o PIB agropecuário cresceu 1,1% enquanto a economia brasileira, como um todo, cresceu mais modestamente (0,9%), como pode ser visto nos dados do gráfico 3 e tabelas 1 e 2 acima.

3. Considerações Finais

        O resultado do PIB divulgado hoje mostra que o Brasil ainda não retomou, de forma consolidada, a recuperação da atividade econômica, mesmo depois de transcorridos 5 anos do início da recessão brasileira. A queda de 0,2% do PIB Brasileiro no 1º trimestre de 2019, comparativamente ao 4º trimestre de 2018, tem um significado ainda maior já que, além de ser a primeira retração da atividade econômica desde o 4º trimestre de 2016, corrobora a deterioração das expectativas sobre o desempenho da economia brasileira em 2019, observada a partir de março.

            Dada a sazonalidade típica da atividade agropecuária, o indicador que compara os primeiros trimestres de 2018 e 2019 é o mais adequado para acompanhamento do ritmo da atividade setorial. Nessa comparação interanual o PIB da agropecuária apresentou um leve recuo de 0,1% resultado, por um lado, das quedas de 4,4% da produção de soja, 10,6% de arroz e 2,9% de fumo, e por outro, das expansões da pecuária e do milho (12,6%).




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