IPCA acumulado até Maio/2020 é o menor do Plano Real

Por: Superintendência Técnica da CNA

O Índice de Preços ao Consumidor (IPCA) de maio, divulgado hoje pelo IBGE, foi de -0,38%. É o segundo mês seguido de deflação dado que em abril os preços, em média, já haviam caído 0,31%. De janeiro a maio de 2020, o IPCA acumula baixa de 0,16% e nos últimos 12 meses (de junho/2019 a maio de 2020) a alta é de apenas 1,88%, o menor valor para o período de toda a série histórica na vigência do Real. O IPCA, que já vinha relativamente estável desde o ano passado, intensificou sua baixa no atual contexto de forte retração da atividade econômica em meio às medidas de isolamento social no contexto do covid-19.

A queda nos preços dos transportes (-1,9% frente a -2,66% em abril), puxada pelo barateamento médio de 4,56% dos combustíveis, foi o principal motivo da deflação em maio. Os preços de “alimentação e bebidas” teve alta de 0,24%, um ritmo significativamente menor que em abril quando os preços subiram 1,79%. Os preços dos alimentos consumidos no domicílio subiram 0,33% em maio, enquanto os consumidos fora do domicílio observaram alta de apenas 0,04% no mesmo período, como pode ser visto no gráfico 1 a seguir.

Gráfico 1- Índice de Preço ao Consumidor Amplo (IPCA)
Índice Geral e Alimentação no Domicílio (%) – Mensal em 2019 e 2020

Em linhas gerais, a alta dos preços dos alimentos, particularmente daqueles consumidos no domicílio, resulta de dois efeitos conjuntos. Por um lado, a menor oferta sazonal ou derivada de efeitos climáticos principalmente na produção de cebola, batata e feijão; e por outro, o aumento do preço do dólar que tem incentivado a preferência pelo atendimento da demanda externa, como ocorreu no caso da manga. Já as quedas de preços de alguns alimentos consumidos no domicílio estão associadas às altas produtividades observadas, bem como a algumas restrições/imperfeições de comercialização que permanecem no contexto das medidas de isolamento social.

Gráfico 2- Índice de Preço ao Consumidor Amplo (IPCA) 
Índice Geral e Alimentação no Domicílio – Acumulado em 12 meses

Abaixo os produtos que apresentaram as maiores altas e as maiores quedas de preço em maio de 2020, e os respectivos impactos no IPCA.

Principais Altas de Preço:

Cebola – A oferta do produto é baixa no mercado interno devido alguns fatores, como o final da safra em Santa Catarina, a quebra da safra no Nordeste e devido à produção ainda baixa da safra do cerrado de Minas Gerais e Goiás, que se inicia.  Além disso, há dificuldade de importação da cebola Argentina por medidas mais restritivas adotadas pelo governo argentino para combater a pandemia do novo coronavírus.

Manga – A alta do preço da manga foi resultado da restrição da mercado interno, pois os produtores do Vale do São Francisco (PE/BA), região onde ocorre a maior produção no período, priorizaram o atendimento do mercado externo, que esteve com boa demanda e com preço atrativo devido à taxa de câmbio favorável. Diante disso, o preço teve um aumento significativo no mês de maio. 

Batata inglesa – As condições climáticas desfavoráveis ao desenvolvimento e colheita da batata, reduziram a produção e a oferta do produto em diversas regiões do país. Nos estados da Região Sul, a estiagem provocou quebra de safra, o que manteve a oferta limitada e garantiu a valorização do produto.

Feijão carioca – A oferta restrita pela expectativa de menor produção nacional na segunda safra, principalmente nos estados de Minas Gerais e Paraná, tem mantido a oferta muito próxima da demanda.

Arroz - A pandemia do coronavírus aumentou a procura pelo produto na prateleira dos supermercados, mantendo a demanda aquecida. Com isso, a oferta nacional tornou-se  mais restrita, elevando a cotação do arroz no mês de maio. A valorização foi sutil, principalmente, por se tratar de um mês de colheita.

Principais Quedas de Preço

Cenoura – A boa produtividade nas lavouras de cenoura em São Gotardo/MG e Cristalina/GO mantiveram a oferta estável no mercado interno e, diante da demanda bastante reduzida devido às medidas de isolamento, os preços foram deprimidos em maio.

Mamão – A produção de mamão continua alta devido à boa produtividade nas lavouras do Norte do Espírito Santo e do Sul da Bahia. A dificuldade de exportação e a baixa demanda interna, por conta das medidas de isolamento e da economia enfraquecida, levaram o mamão a finalizar o mês de maio com uma redução significativa dos preços.

Tomate – A redução do preço foi consequência da intensificação da safra de inverno em Sumaré/SP e Venda Nova do Imigrante/ES, associada à demanda limitada pelas medidas de isolamento.  

Ovos – O mercado de ovos apresentou uma grande alta durante o início da crise da COVID-19, uma proteína barata e de alto valor biológico, foi a primeira opção de muitos consumidores preocupados com o orçamento familiar. Esse aumento de preços começou a tornar o ovo menos competitivo em relação ao frango, ou carnes bovinas de segunda. O consumidor diversificou sua dieta dentro de casa e isso refletiu nos preços dos ovos em maio, que acabaram caindo, resultado de uma pressão de demanda menor. Também não ajudaram as publicações das estatísticas de que os produtores acabaram alojando mais galinhas desde o segundo semestre do ano passado, a expectativa do mercado era de que os produtores haviam promovido descarte dos animais para adequar o custo de produção aos preços de mercado, mas como isso não ocorreu, os grandes compradores se deram conta que havia espaço para negociar redução de preços.

Leite – O Leite Longa Vida, que vinha perdendo força nas últimas semanas de abril, iniciou o mês de maio com a mesma tendência. Com os preços baixos, as negociações entre laticínios e varejistas reduziram, ocasionando um aumentou no estoque de produtos por parte dos laticínios e pressionando para baixo o preço pago no leite in natura para os produtores. Devemos ressaltar que esse comportamento ocorreu na última semana de abril e na primeira semana de maio, já na segunda quinzena de maio a comercialização de produtos lácteos, em especial o Leite Longa Vida, voltou a ficar aquecida, principalmente com a flexibilização do isolamento e a reabertura de alguns canais de vendas. Por fim, o que temos hoje é uma forte valorização do Leite Longa Vida para o consumidor final.




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