CNA e Faemg debatem crise do leite

Live foi realizada na segunda (26)

Por CNA 27 de janeiro 2026
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Leite

Brasília (27/01/2025) - A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) participou, na segunda (26), de uma live promovida pela Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Minas Gerais (Faemg) para debater a crise do leite no Brasil e os fatores que explicam o atual cenário no setor.

A transmissão foi aberta pelo presidente da Faemg, Antônio Pitangui de Salvo, que ressaltou a gravidade do momento e classificou a situação como uma das maiores crises já enfrentadas pela pecuária leiteira mineira e brasileira.

“Estamos muito atentos e trabalhando com intensidade para reverter esse quadro. A primeira carta que temos na mão é dar continuidade à ação para sanar definitivamente a entrada de leite em pó a a preços de dumping oriundo da Argentina e do Uruguai”, ressaltou.

“Essa medida pode nos trazer segurança duradoura, permitindo que, nos próximos momentos, possamos investir com mais tranquilidade na nossa atividade, e com a garantia de que não competiremos com preços artificiais ”, afirmou.

O assessor técnico da CNA, Guilherme Dias, participou do encontro e apresentou uma linha do tempo das ações da Comissão Nacional de Leite e da atuação da entidade nas discussões sobre o tema.

Ele lembrou que, desde 2022, quando teve início a crise das importações no Brasil, a CNA atua para conter os impactos oriundos dessas importações no mercado interno de leite.

A CNA encontrou indícios de dumping no leite em pó importado e protocolou a solicitação de investigação junto ao Ministério de Desenvolvimento da Indústria, Comércio e Serviços, em agosto de 2024. Entretanto, em agosto de 2025 a CNA foi surpreendida por uma mudança de entendimento do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), que passou a considerar que o leite em pó importado deveria ser comparado ao leite em pó nacional não mais ao leite fluido dos produtores .

“A mudança não fez sentido, justamente porque quem sofre os impactos são os produtores rurais, e o governo sempre considerou o leite dos produtores como o produto impactado. A CNA protocolou recurso e apresentou novas provas ao processo. Em dezembro de 2025, conseguimos que a investigação fosse retomada, e ela segue em andamento.”

Atualmente, de acordo com o assessor, foram solicitadas informações complementares sobre preços e custos para exportadores argentinos e uruguaios, bem como aos importadores brasileiros . As provas devem ser apresentadas até 4 de fevereiro. Após essa etapa, o governo calculará a margem de dumping — cujos cálculos da CNA estimam entre 53% e 54% abaixo dos preços praticados no país de origem — além do dano e do nexo causal, após a manifestação dos importadores.

“Seguimos acompanhando de perto. Existem prazos a serem cumpridos, e continuamos realizando a gestão técnica e política do processo. Esperamos que a investigação transcorra sem novas intercorrências, que o dumping seja comprovado e que possamos aplicar tarifas capazes de corrigir as distorções de mercado geradas por essa prática desleal de comércio”, concluiu.

A presidente da Frente Parlamentar em Apoio ao Produtor de Leite (FPPL), deputada federal Ana Paula Leão (PP-MG), também participou da live e reforçou a importância das medidas antidumping.

“Nesse momento, o que vai nos tirar da crise são as medidas antidumping. Pedimos que os produtores continuem unidos e pressionando o governo para que tenhamos êxito nessa iniciativa”, afirmou.

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