PIB do Brasil apresenta forte retração por conta do coronavírus

Por: Superintendência Técnica da CNA

Agropecuária é destaque e ainda apresenta crescimento

Divulgado hoje pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil no 2° trimestre de 2020 apontou quedas de 9,7% frente ao 1° trimestre desse ano, e de 11,4% na comparação com o mesmo trimestre de 2019. Foram as piores retrações econômicas de toda a série histórica do IBGE, iniciada em 1996.

Apesar dessa retração sem precedentes, o resultado veio pior que as expectativas de mercado. O Boletim Focus, divulgado ontem (31/08) pelo Banco Central, apontava que a mediana de expectativas era de -10,5% para o PIB brasileiro no 2° tri/2020 frente ao mesmo período de 2019, mas o resultado divulgado hoje aponta retração de 11,4%. O principal determinante foi o resultado observado para o setor de serviços, cuja retração foi, no 2° tri/2020 de 11,2%. O mercado esperava uma retração de 10,5%.

As projeções do mercado, captadas pelo Banco Central do Brasil revelam que a deterioração das expectativas sobre o desempenho da economia brasileira em 2020, ocorre principalmente a partir de meados de março, quando ocorreu a primeira morte pelo Coronavírus no Brasil. Apesar do crescimento menor que o esperado pelo mercado no 2°tri/2020, o setor agropecuário segue em destaque, e descolado dos demais setores, como o único setor com expectativa de crescimento em 2020.

Importante destacar que o resultado apresentado para o setor agropecuário, frente ao projetado pelo mercado, demonstra que o setor também sentiu os impactos da crise sanitária, mesmo que em menor proporção quando comparado aos demais setores da economia brasileira.

A tabela 1 a seguir mostra o desempenho da economia brasileira ao longo de 2019 e nos 2 primeiros trimestres de 2020. Os dados revelam o impacto profundo e adverso da pandemia no desempenho da atividade econômica brasileira em 2020. Comparativamente ao 1° trimestre (que já havia retraído 1,5%), a soma de bens e serviços produzidos no Brasil apresentou retração de 9,7% no 2°tri/2020. Em termos de nível de atividade econômica, a economia brasileira encontra-se no mesmo patamar de 2009!

Na comparação entre primeiros semestres de 2019 e 2020 a queda chega a 5,9%, puxada pelas retrações na indústria (-6,5%) e nos Serviços (-5,9%). Também nessa base de comparação o desempenho da Agropecuária é de destaque, com crescimento de 1,6%.

Especificamente no 2°trimestre/2020, comparativamente ao mesmo período do ano anterior (2°tri/2019), o gráfico 2 traz a comparação de desempenho entre os subsetores de atividade que, agregados, levaram à retração de 11,4% no PIB brasileiro.

Conforme o gráfico 2, além da agropecuária (1,2%), também apresentaram crescimento no 2° trimestre/2020 frente ao 2° trimestre/2019, as seguintes atividades econômicas: Atividades Imobiliárias (1,4%), Atividades Financeiras, de Seguros e Serviços relacionados (3,6%) e Indústrias Extrativas (6,8%). Todas as demais atividades apresentaram retração: Informação e Comunicação (-3,2%), Eletricidade, água e esgoto (-5,8%), Comércio (-14,1%), Construção (-11,1%), Transporte, armazenagem e correio (-20,8%), %), Administração, defesa, saúde e educação públicas e seguridade social (-8,6%), Indústria de Transformação (-20%) e Outras atividades de serviços (-23,6%).

Gráfico 2 – PIB e Subsetores no 2°trimestre/2020 (Taxa no 2° trimestre em relação ao mesmo período do ano anterior)

O setor agropecuário apresentou crescimento de 1,2% no 2° trimestre/2020 frente ao mesmo período de 2019, um ritmo de crescimento ligeiramente mais lento que o observado no 2° trimestre/2019 quando o crescimento foi de 1,4% frente ao mesmo período de 2018.

O consumo das famílias brasileiras, que já vinha crescendo muito modestamente em 2019, observou retração de 0,7% no 1° tri/2020 e de 13,5% no 2° tri/2020, sempre comparativamente ao mesmo período de 2019. Esse resultado poderia ter sido ainda pior não fosse o auxílio emergencial de R$ 600,00 que minimizou os impactos econômicos na parcela mais vulnerável da população brasileiro, garantindo alguma sustentação de demanda, particularmente de alimentos e outros bens de consumo básicos. Apesar dessa menor demanda doméstica – derivada do impacto negativo da crise do Covid-19 no poder de compra do brasileiro - a produção agropecuária nacional segue trajetória expansionista.

Os destaques da produção agropecuária brasileira no início de 2020 têm sido a soja (5,9%), o arroz (7,3%) e o café (18,2%), conforme as estimativas mais atuais da CONAB. A seca na região sul, principalmente Rio Grande do Sul e Paraná, afetou a produtividade, particularmente de soja e trigo, levando à menor produção nessa região, apesar da maior área cultivada. A Peste Suína Africana na China, e o impacto do Covid-19 no processamento de carne nos EUA tem sustentado a demanda internacional por proteínas brasileiras, amenizando os efeitos negativos da menor demanda doméstica pelo produto, especialmente dos cortes mais nobres. Os altos preços da @boi observados desde o final de 2019 refletem a insuficiência de animais prontos para o abate algo não relacionado à pandemia, mas sim ao ciclo da atividade e ao prévio abate de vacas.

O atraso na plantação e colheita da soja levou a um amento da colheita da oleaginosa em abril, influenciando não apenas os resultados de produção (e, portanto, do PIB da agropecuária do 2° trimestre/2020), mas também a expansão no volume e receita das exportações no mesmo período. O maior apetite chinês por soja e carnes brasileiras tem refletido no maior volume de exportações do agronegócio brasileiro para aquele país, e também ajuda a explicar o resultado positivo do PIB agropecuário no 2° trimestre de 2020. Enquanto as exportações brasileiras, no geral, caíram 7,4% no 1°semestre/2019, as do agronegócio cresceram 9,7%. Só para a China, o crescimento das exportações brasileiras do agronegócio foi de 30,3% no 1°semestre de 2020, frente ao mesmo período de 2019



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