PIB do Agronegócio mantém crescimento em maio

Por: Superintendência Técnica da CNA e Cepea

O Produto Interno Bruto (PIB) do agronegócio brasileiro, calculado pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Esalq/USP, em parceria com a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), continuou crescendo em maio, completando cinco meses sucessivos de alta em 2020. No mês, a expansão foi de 0,78%, levando ao crescimento de 4,62% no acumulado no período (Tabela 1).

Em maio, apenas o PIB da agroindústria recuou (-0,68%), com crescimentos para todos os demais segmentos: 0,17% para os insumos, 3,08% para o primário e 0,49% para os agrosserviços. No caso da agroindústria, a queda refletiu os impactos negativos da Covid-19 sobre a indústria de base agrícola. No acumulado até maio, o resultado foi semelhante, com redução de 0,24% no PIB da agroindústria e altas para os outros segmentos, com destaque para o primário (11,67%) – ver Tabela 1.

Tabela 1. PIB do Agronegócio: Taxa de variação mensal e acumulada no período (%)

Quanto aos ramos do agronegócio, ambos cresceram em maio e no acumulado. Para o PIB do ramo agrícola, as altas foram de 0,75% no mês e 2,51% até maio; para o ramo pecuário, foram de 0,9% em maio e expressivos 9% no período (Tabela 2 e Tabela 3).

A Tabela 2 mostra os resultados do ramo agrícola. O PIB do ramo, que havia recuado em abril diante da pandemia, retomou o crescimento em maio, impulsionado pelo segmento primário. Especificamente, no mês, houve altas de 0,08% para os insumos, 0,11% para os agrosserviços e expressivos 4,62% para o segmento primário, com queda apenas na agroindústria,  de  1,15%. No  acumulado  até  maio,  apenas  a  agroindústria  agrícola  recuou (-3,07%). Para os segmentos de insumos, primário e de agrosserviços do ramo agrícola, as altas no período foram de 0,85%, 15,17% e 0,69%, respectivamente (Tabela 2).

Tabela 2. Ramo Agrícola: Taxa de variação mensal e acumulada no período (%)

Como destacado nos relatórios anteriores, o excelente resultado do segmento primário agrícola reflete os preços maiores na comparação entre os períodos de janeiro a maio de 2019 e de 2020, assim como a maior produção na safra que se encerrou em Junho (o presente relatório expressa os dados disponíveis até maio/2020) e cuja estimativa é de produção recorde de grãos, e crescimentos importantes de café e laranja.

No caso da indústria agrícola, a queda da produção decorrente da pandemia, na comparação entre períodos, se acentuou em maio para os seguintes setores: produtos de madeira e móveis de madeira, papéis, têxtil, vestuário, conservas de frutas/legumes/outros vegetais, café, e couro e calçados. Por outro lado, os setores cujos cenários não se agravaram em maio foram celulose, produtos amiláceos, produtos do fumo, óleos vegetais e bebidas.

A Tabela 3 mostra os resultados do ramo pecuário, no qual foram registradas altas em todos os segmentos, tanto no mês como no acumulado dos primeiros 5 meses do ano. Em maio, as altas foram de 0,37% para os insumos, 0,54% para a atividade “dentro da porteira” (ou segmento primário), 0,83% para a agroindústria e 1,22% para os agrosserviços. No acumulado do ano, os crescimentos foram de 1,32% para os insumos, 6,20% para o primário, 9,04% para a agroindústria e 11,53% para os agrosserviços. Como também destacado nos relatórios anteriores, o bom resultado no ramo pecuário reflete os maiores preços das proteínas até maio de 2020 (frente ao mesmo período de 2019).

Tabela 3. Ramo Pecuário: Taxa de variação mensal e acumulada no período (%)

SEGMENTO DE INSUMOS: insumos agrícolas e pecuários crescem em maio

O PIB do segmento de insumos do agronegócio cresceu 0,17% em maio, acumulando alta de 1,0% nos primeiros cinco meses de 2020 (Tabela 1). O PIB dos insumos agrícolas cresceu 0,08% no mês e 0,85% no período (Tabela 2). Para os insumos pecuários, os crescimentos foram de 0,37% em maio e 1,32% de janeiro a maio (Tabela 3). Conforme se observa na Figura 1, espera-se queda no faturamento anual da indústria de máquinas agrícolas e, em menor grau, da de medicamentos para animais. Por outro lado, espera-se crescimento do faturamento anual para as indústrias de fertilizantes, defensivos e rações.

Figura 1. Insumos: variação (%) anual de volume, dos preços e do faturamento – 2020/2019 com informações de maio

A indústria de fertilizantes e corretivos de solo apresenta perspectiva de crescimento de 6,26% no seu faturamento em 2020, impulsionado pelo aumento de 14,5% da produção esperada para esse ano, uma vez que os preços registraram queda de 7,20% na comparação entre janeiro a maio de 2020 frente ao mesmo período de 2019. Os preços internacionais dos fertilizantes intermediários recuaram em resposta às incertezas causadas pela pandemia do coronavírus, que ocasionaram a redução da demanda pelo insumo em importantes países consumidores. No Brasil, especificamente em maio, os preços avançaram em função da desvalorização do Real frente ao Dólar.

Quanto à indústria de máquinas agrícolas, a retração no faturamento esperada para esse ano é 13,51%, em relação a 2019. A redução decorre do recuo de 2,05% dos preços reais, na comparação entre períodos, mas principalmente da queda esperada de 11,70% para a produção anual. De acordo com a Associação Brasileira de Máquinas e Equipamentos (ABIMAQ) e a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (ANFAVEA), a queda da produção reflete os impactos da pandemia, que afetou tanto as negociações quanto a operação de fábricas. Contudo, a expectativa das associações é de recuperação do setor ao longo do segundo semestre.

SEGMENTO PRIMÁRIO: agropecuária é destaque em crescimento no agronegócio

O PIB do segmento primário do agronegócio cresceu 3,08% em maio, acumulando alta de 11,67% nos 5 primeiros meses de 2020 – o maior crescimento entre os segmentos do agronegócio (Tabela 1). No mês, o impulso veio do primário agrícola, cujo PIB cresceu 4,62%, enquanto o do primário pecuário teve alta de 0,54%. No período, as altas foram expressivas tanto na agricultura quanto na pecuária, de 15,17% e 6,20%, respectivamente (Tabelas 2 e 3).

No caso do segmento primário agrícola, os preços médios ponderados das culturas acompanhadas cresceram 14,73% entre janeiro a maio de 2020, comparativamente ao mesmo período do ano anterior. Entre os produtos, os destaques em termos de altas de preços foram: milho, café, cacau, arroz, soja e trigo, todos com elevações superiores a 15%. O preço da cana, produto de alta relevância no PIB, também foi maior no período. Além de preços em alta, para o segmento primário, espera-se aumento de 2,7% na produção, mesmo em meio à pandemia. Nesse caso, são esperadas safras maiores em 2020 para: algodão, arroz, cacau, café, feijão, laranja, milho, soja, trigo e madeira para celulose. Então, o crescimento esperado real no faturamento anual é de 17,83% para o segmento primário agrícola.

Para o segmento primário pecuário, considerando a média das atividades acompanhadas, houve alta de 12,14% nos preços na comparação entre janeiro a maio de 2020 e de 2019, com fortes aumentos para o boi gordo, os suínos e os ovos. Já para a produção, espera-se recuo anual médio de 1,27%. Então, como reflexo dos bons preços, espera-se crescimento do faturamento anual, de 10,72%.

As Figuras 2 e 3 e a Tabela 4 detalham os resultados específicos do segmento por atividades agrícolas e pecuárias. Entre as culturas do segmento primário agrícola acompanhadas, espera-se crescimento de faturamento em 2020 para: arroz, cacau, café, cana-de-açúcar, mandioca, milho, soja, trigo e uva. Já as culturas para as quais se esperam quedas no faturamento são: algodão, banana, batata, feijão, fumo, laranja, tomate, madeira em tora, madeira para celulose e lenha e carvão.

Dentre as culturas com projeção de crescimento do faturamento anual, destaca-se o caso do café, em que os aumentos na produção esperada, de 20,84%, e nos preços, de 29,64% na comparação entre janeiro a maio de 2020 e de 2019, explicam o avanço projetado de 56,66% no faturamento. Como mencionado em relatórios anteriores, a maior produção é reflexo do efeito da bienalidade positiva, especialmente nas regiões produtoras do café arábica, e dos ganhos produtivos esperados para o café conilon, devido às condições climáticas favoráveis. Com relação aos preços, a alta nos primeiros meses do ano refletiu o período de entressafra, a escassez de produto de melhor qualidade, a menor disponibilidade do grão no mercado interno (baixo volume de café remanescente disponível na mão de produtores), a desvalorização cambial e a valorização externa do grão. Adicionalmente, com a pandemia, houve aumento da demanda internacional no curto prazo, problemas de logística decorrentes das restrições de mobilidade interna nos países produtores e aceleração do consumo dos estoques de passagem em importantes países demandantes. Especificamente em maio, as cotações foram pressionadas pelas valorizações do Real frente ao Dólar, pelo avanço da colheita da safra 2020/21, com expectativa de possível safra recorde no Brasil e, consequentemente, pela queda dos preços externos do grão.

Para o trigo, a projeção de maior faturamento anual (42,24%) é reflexo da expansão, tanto na produção esperada para o ano (22,53%) quanto nos preços reais (16,09%) na comparação entre períodos. O movimento de alta das cotações, iniciado em outubro de 2019, é influenciado pela desvalorização do Real frente ao Dólar, pelo período de entressafra no Brasil e na Argentina e pela alta dependência das importações – dada a escassez de trigo no mercado doméstico e a firme demanda interna. De acordo com a Conab, o crescimento da produção está relacionado com as expectativas de maiores área destinada à cultura (13,7%) e ao incremento esperado de 7,8% na produtividade, beneficiadas pelas condições climáticas na região Sul – sobretudo no Paraná –, aos preços atrativos do cereal e à busca por minimizar o impacto negativo ocorrido nas safras da soja e do milho.

No caso o milho, o aumento esperado de 36,46% no faturamento anual é reflexo sobretudo da alta de 35,76% nos preços reais na comparação entre períodos, visto o bastante modesto crescimento de 0,52% esperado para a produção anual. Segundo a Conab, apesar da expansão da área, problemas climáticos na região Sul prejudicaram o potencial produtivo de milho primeira safra, com redução na quantidade produzida. Com relação à segunda safra (colheita em andamento), o quadro climático da região Centro-Sul fez com que as lavouras de algumas regiões não conseguissem expressar todo o seu potencial produtivo, ficando aquém do esperado. No primeiro trimestre de 2020, a elevação nos preços esteve relacionada à maior demanda pelo grão e à disponibilidade restrita. Em abril, os preços foram pressionados pela redução na demanda interna, influenciada pelas incertezas relacionadas à pandemia, destacando-se as preocupações no mercado de carnes, importante consumidor de milho. Em maio, as incertezas quanto ao desenvolvimento das lavouras de segunda safra (irregularidades de chuvas em importantes estados produtores), o menor interesse de negociação por parte dos produtores e a necessidade dos compradores em recompor estoques no curto prazo impulsionaram as cotações. Este comportamento só não foi intensificado devido ao início da colheita da segunda safra, à postergação das negociações de grandes lotes por parte dos compradores e à queda nas intenções de compra nos portos.

Para a cultura do arroz, a projeção de faturamento anual 31,66% maior reflete as altas nas cotações do produto na comparação entre períodos (23,59%) e na produção esperada para o ano (6,53%). As condições de oferta e demanda do produto no País sinalizavam para a menor disponibilidade interna. Em março e abril, as cotações foram impulsionadas ainda pela desvalorização do Real frente ao Dólar, pela restrição por parte dos vendedores, pela postura mais ativa dos agentes que anteciparam suas compras devido à pandemia e pela necessidade de compra das indústrias para repor estoques e atender as maiores demanda interna e externa. Em maio, a alta esteve relacionada ao alto ritmo de negociação das indústrias e beneficiadoras, devido à concorrência com a exportação e à demanda interna aquecida para o arroz beneficiado. Com relação à produção (safra 2019/20 quase finalizada), a Conab evidencia que o aumento está relacionado aos ganhos produtivos (eventos climáticos que favoreceram o desenvolvimento da cultura), apesar da redução da área destinada à cultura, especificamente do arroz irrigado.

Figura 2. Agricultura: Variação (%) anual do volume, dos preços e do faturamento – 2020/2019 com informações de maio

No caso da soja, a elevação em 18,96% dos preços na comparação entre janeiro a maio de 2020 comparativamente ao mesmo período do ano anterior, e de 5,09% da produção esperada para 2020, explicam a projeção de crescimento de 25% do faturamento. De acordo com a Conab, apesar das quebras de safra no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina – acometidos por adversidades climáticas –, a produção de soja atingiu recorde histórico na atual safra, reflexo da expansão da área (3%) e dos ganhos produtivos (2%), com importantes estados produtores apresentando produtividade recorde (devido à condição climáticas favoráveis). Com relação aos preços, o movimento geral de elevação das cotações da oleaginosa, é resultado das condições climáticas adversas que afetaram o cinturão agrícola dos Estados Unidos, da desvalorização do Real frente ao Dólar, do clima desfavorável ao semeio no Brasil em alguns períodos, do baixo excedente da soja brasileira, da demanda externa aquecida e da menor relação estoque/consumo mundial e brasileiro. Como destacado no relatório anterior, nos meses de março e abril, novos compradores internacionais direcionaram suas aquisições ao Brasil, visto o preço competitivo e o grande volume da produção. Em maio, apesar das cotações do grão renovarem as máximas nominais em algumas regiões, sojicultores estiveram cautelosos em comercializar, pois havia expectativa de patamares ainda maiores, tendo em vista o baixo volume remanescente de soja no País, o menor incentivo às exportações da Argentina e as incertezas no que se refere às relações comerciais entre Estados Unidos e China.

No caso da mandioca, a projeção de maior faturamento (4,88%) é resultado apenas dos maiores preços reais (5,03%) na comparação entre períodos, visto que se espera uma produção ligeiramente menor (-0,15%). Segundo a equipe Mandioca/Cepea, este resultado é reflexo dos menores níveis de preços observados no período de janeiro a maio de 2019 e dos elevados patamares observados nos últimos meses de 2019, visto que ao longo dos primeiros cinco meses de 2020 as cotações da raiz foram pressionadas pela maior oferta e, em alguns momentos, pela demanda enfraquecida. A maior oferta refletiu a necessidade de se capitalizar e/ou liberar áreas de alguns mandiocultores, seja para entrega dos arrendamentos ou para um novo plantio.

Para a cana-de-açúcar, a expansão esperada no faturamento (4,26%) é reflexo apenas da alta nos preços reais, de 6,24% na comparação entre janeiro a maio de 2020 e o mesmo período de 2019, uma vez que se espera ligeira redução de 1,87% na produção. De acordo com a Conab, a queda na produção advém da projeção de menor produtividade e da diminuição da área destinada à cultura – devido às recentes oscilações de mercado e aos impactos da pandemia do coronavírus. No caso do preço, a elevação reflete o comportamento altista para o açúcar, como será retratado posteriormente.

Entre as culturas para as quais se projetam quedas no faturamento, destacam-se as que compõem a horticultura. Para a batata, a projeção de queda (-35,64%) é reflexo dos menores preços reais (-27,56%), quando comparados períodos iguais, e da menor produção esperada (-11,15%). Segundo a equipe Hortifruti/Cepea, no fim de fevereiro e em março, os preços foram impulsionados por condições climáticas adversas, pelo fim da safra das águas e pela demanda aquecida na terceira semana de março – influenciada pela pandemia do coronavírus. Em abril e maio, mesmo com uma menor demanda, os preços foram impulsionados pela menor oferta de batata. Em 2020, a menor quantidade produzida esperada está relacionada à menor área destinada à temporada das águas (finalizada) e à quebra de produção da temporada das secas, garantindo os atuais patamares de preços ao produtor – só não alcançaram valores superiores devido à pandemia. Como destacado em relatórios anteriores, apesar das altas observadas, as cotações se mantiveram bem inferiores às praticadas entre os meses de janeiro a maio de 2019.

Tabela 4. Agricultura: Variação (%) anual do volume, dos preços e do faturamento – 2020/2019 com informações de maio

Para o tomate, a redução esperada no faturamento (-17,01%) é reflexo da projeção de menor produção anual (-5,79%) e dos menores preços reais (-11,92%) na comparação entre períodos. Segundo a equipe Hortifruti/Cepea, até abril, os preços se mantiveram nos patamares observados em janeiro, resultado do menor volume ofertado e da desaceleração da colheita da safra verão em março e abril. Já em maio, as cotações foram pressionadas pelo avanço da safra de inverno e pela menor demanda por conta dos efeitos da Covid-19. A equipe evidencia que as quedas só não foram mais intensas devido à maturação mais lenta dos tomates – menores temperaturas no mês de maio. Como mencionado no relatório anterior, a piora na relação de preços entre períodos refletiu sobretudo o forte aumento verificado em abril do ano passado, quando problemas na produção limitaram a oferta e impulsionaram as cotações.

No caso da banana, a projeção de redução de faturamento é de 3,70%, via queda de 4,56% na produção esperada. Para os preços, houve ligeira valorização de 0,90% na comparação entre períodos. Apesar da recuperação observada nas cotações da variedade nanica a partir do mês de fevereiro, nos meses de abril e maio, os preços recuaram significativamente, devido ao ritmo dos negócios afetados pela prorrogação da quarentena, ao menor poder de compra dos comerciantes e à intensificação da colheita. Neste cenário, as exportações ao Mercosul têm sido uma alternativa para escoar a oferta e não sobrecarregar o mercado interno.

Para a laranja, a ligeira redução do faturamento anual esperado (-0,80%) é resultado dos menores preços reais (-4,74%) na comparação entre janeiro a maio de 2019 e de 2020. Já para a produção, espera-se incremento de 4,13%. Segundo a equipe Hortifruti/Cepea, apesar de os preços estarem em menores patamares relativamente a 2019, permaneceram firmes nos primeiros meses de 2020, devido à menor oferta da fruta nesse período de entressafra. A partir de abril, as variedades de laranja tiveram suas cotações pressionadas pelo menor ritmo de comercialização (desaceleração da demanda no período de quarentena e clima mais ameno no mês de maio), pela intensificação da oferta de laranjas precoces da safra 2020/21 nos pomares paulistas e pela menor qualidade das frutas em São Paulo – afetada pela ausência de chuva.

Para a cultura do algodão, a queda de faturamento esperada é de 5,42%, reflexo dos preços reais 9,08% menores, visto que se projeta crescimento de 4,03% na produção anual. Segundo a Conab, o aumento da produção, que deverá ser recorde, está relacionado ao incremento de área em relação à safra passada (3,1%), às boas condições climáticas e aos grandes investimentos feitos no setor. Com relação aos preços, houve um aumento no primeiro bimestre de 2020, refletindo a desvalorização do Real frente ao Dólar e a demanda aquecida. Entretanto, em março e abril, as cotações foram pressionadas pelo descompasso entre oferta e demanda, esta última afetada negativamente pela pandemia. Em maio, os preços fecharam com pequena recuperação, suportados pela paridade das exportações – cenário que deve perdurar até que a entrada da safra 2019/20 se intensifique.

No caso do feijão, a ligeira retração esperada no faturamento (-0,85%) é reflexo apenas da queda nos preços reais, de 5,20% na comparação entre janeiro a maio de 2020 e o mesmo período de 2019, uma vez que se espera expansão de 4,59% na produção. De acordo com a Conab, a maior produção esperada é decorrente dos ganhos produtivos, tendo em vista que não se observou um aumento significativo na área. Na primeira safra, o bom desempenho do clima nos principais estados produtores contribuiu para o aumento na produção. A segunda safra (colheita finalizando), por sua vez, teve sua produtividade afetada por condições climáticas adversas em grandes regiões produtoras, apresentando resultados aquém dos esperados. Para a terceira safra, se espera uma maior produção devido aos ganhos produtivos, e se observa uma pequena redução na área. Com relação aos preços, segundo a Companhia, houve redução em janeiro devido à concentração da colheita, à fraca demanda e à baixa qualidade do produto ofertado. A partir de fevereiro houve recuperação das cotações, impulsionadas de forma significativa pelo aumento da demanda do varejo, especialmente em março – reflexo do coronavírus. Em abril, apesar de se observar movimentos de recuo, as cotações continuaram elevadas devido à baixa oferta de produto. Em maio, a maior demanda e a menor oferta do grão (quantidade e qualidade) impulsionaram os preços.

Na Figura 3 é possível se observar o comportamento das atividades que compõem o segmento primário da pecuária. Espera-se crescimento do faturamento anual para a criação de suínos e bovinos e para a produção de ovos. Por outro lado, para a produção de leite e de frangos, projeta-se redução do faturamento.

Entre as atividades do segmento primário da pecuária, para a suinocultura projeta-se o maior crescimento de faturamento anual (30,62%), dado o aumento observado dos preços (21,34%), quando comparados os meses de janeiro a maio de 2019, e o aumento esperado para a produção anual (7,65%). Ao longo do mês de maio especificamente, os preços dos produtos de origem suinícola, incluindo do animal vivo, se desvalorizaram. Os agentes consultados reportaram dificuldades em escoar a produção devido às medidas de isolamento social. Ao contrário, no front externo, a demanda chinesa pela carne manteve-se aquecida, fazendo com que as exportações atingissem patamar recorde – o que se pode atribuir à persistência de casos de Peste Suína Africana e, mais recentemente, casos de febre aftosa.

Figura 3. Pecuária: Variação anual dos preços e do faturamento 2020/2019 com informações de maio

Na sequência, a bovinocultura de corte aparece como a atividade com o segundo maior crescimento esperado do faturamento anual (13,37%), impulsionado pela variação positiva observada nos preços reais do produto (23,86%), na comparação entre períodos. De acordo com a equipe Boi/Cepea, os altos patamares de preços da arroba representam a sustentação da média observada ao fim do ano passado. Essa sustentação reflete a oferta reduzida de boi gordo que, por sua vez, é uma resposta ao aumento no abate de fêmeas entre 2018-2019. Segundo dados do IBGE, o volume abatido no País no primeiro trimestre de 2020 foi o menor desde 2011. A manutenção do ritmo intenso de embarques brasileiros da carne bovina contribuiu para a sustentação dos preços domésticos, tanto da arroba quanto da carne, apesar do enfraquecimento da demanda interna em virtude da crise desencadeada pela pandemia.

Quanto à avicultura de corte, espera-se redução do faturamento anual (-3,10%), devido ao recuo dos preços reais (-6,86%), de janeiro a maio de 2020 frente ao mesmo período de 2019, uma vez que é esperado crescimento da produção anual (4,03%). Especificamente em maio, a equipe Frango/Cepea aponta que as vendas nacionais foram marcadas por menor liquidez, aumento dos estoques e, logo, queda nos preços. Por outro lado, as exportações de carne avícola mantiveram-se aquecidas, tendo como principal destino a China.

Em relação à produção de leite, a queda de 12,28% do preço real, na comparação entre períodos, é responsável pela projeção de recuo de 10,74% no faturamento anual da atividade. Para produção é esperado crescimento anual de 1,75%. Especificamente em maio, de acordo com a equipe Leite/Cepea, o preço spot caiu em resposta ao enfraquecimento da demanda ocorrida em abril, primeiro mês inteiro de medidas de distanciamento social – lembrando que o preço da matéria-prima é formado após as negociações quinzenais do leite spot e da venda dos derivados lácteos, fazendo com que haja um atraso na precificação do produto.

SEGMENTO INDUSTRIAL: Agroindústria recua novamente em maio

Entre os segmentos do agronegócio, a agroindústria tem sido a mais prejudicada pelas medidas relacionadas ao Covid-19. Nesse cenário, o PIB agroindustrial recuou novamente em maio, 0,68%, com o resultado acumulado no ano se tornando também negativo, em 0,24% (Tabela 1). Entre os ramos, os cenários são opostos, com a agroindústria de base agrícola enfrentando a conjuntura mais adversa e recuando 1,15% em maio e 3,07% no período (Tabela 2). Já a indústria de base pecuária, embora também tenha sentido os reflexos do Coronavírus, cresceu 0,83% em maio, acumulando alta de 9,04% no período (Tabela 3).

Na indústria de base agrícola, a queda no faturamento anual é de 1,89%, resultado de preços médios 2,69% maiores e de queda de 4,47% na produção. Entre o último relatório e o atual, com a inclusão das informações de maio, houve importante piora no indicador da produção agroindustrial de origem vegetal. Já para a indústria de base pecuária, o aumento esperado no faturamento é de 6,26%, com preços 12,85% maiores e queda de 5,85% na produção. Para a indústria pecuária, a inclusão das informações de maio também implicou em piora no resultado, especificamente, devido às reduções de preços em decorrência da pandemia.

No acompanhamento feito pelo Cepea para a evolução do PIB, as indústrias de base agrícola para as quais se espera crescimento do faturamento em 2020, com base em informações até maio, são, apenas: moagem e fabricação de produtos amiláceos, açúcar e óleos vegetais. Para todas as demais indústrias de base agrícola, se espera queda do faturamento em 2020: biocombustíveis, produtos do fumo, produtos e móveis de madeira, celulose e papel, têxtil e vestuário, indústria do café, conservas de frutas, verduras e outros vegetais, bebidas e outros produtos alimentares (Figura 4).

Para a indústria do açúcar, a importante expansão esperada no faturamento (44,3%) é reflexo dos aumentos tanto nos preços (21,8%), na comparação de janeiro a maio de 2020 frente a janeiro a maio de 2019, quanto na produção esperada para o ano (18,5%). De acordo com o último levantamento da Conab, o setor está intensificando a produção do açúcar visando vendas no mercado externo, com o intuito de reduzir o impacto da dupla crise que atinge o mercado de biocombustível. Assim, deverá ser destinado uma maior quantidade de ATR para a produção de açúcar em detrimento do etanol. Como destacado pela Companhia, há uma janela de oportunidades para o setor brasileiro devido aos problemas de produção na Tailândia e nos embarques de alguns países exportadores (por exemplo, a Índia). Esse cenário é reflexo da pandemia, e da restrição das exportações por alguns países que priorizaram o atendimento ao mercado interno (como ocorre, por exemplo, na América Central). Segundo a equipe Açúcar/Cepea, os preços nos primeiro cinco meses de 2020 foram impulsionados pela projeção de déficit global e pela desvalorização cambial. Em março e abril, as cotações domésticas foram pressionadas diante da incerteza mundial devido à pandemia. No mês de maio, a equipe aponta que as exportações do cristal voltaram a remunerar mais que as negociações no mercado spot do estado de São Paulo – cenário sustentado pela desvalorização cambial. Adicionalmente, houve um aumento na liquidez, resultado da demanda um pouco mais aquecida. No final do mês, a oferta no mercado paulista ficou limitada dada os elevados níveis de exportação e a suspensão pontual da produção em algumas regiões produtoras de cana-de-açúcar – devido às precipitações, sustentando as cotações do produto.

Com relação à indústria de papel e celulose, a queda esperada de 10,0% no faturamento anual decorre da redução de 9,0% dos preços, na comparação entre janeiro a maio de 2020 e o mesmo período de 2019. Apesar de se observar elevações das cotações da celulose e do papel ao longo de 2020, a queda de preços na comparação entre períodos reflete, principalmente, os recuos sucessivos da cotação da celulose ao longo de 2019 devido aos estoques elevados no mercado internacional. Adicionalmente, destaca-se que os impactos da pandemia do coronavírus pressionaram a estabilidade do preço médio em dólar da tonelada de celulose de fibra curta no Brasil, sendo sua alta em reais explicada pela desvalorização cambial.

Figura 4. Agroindústrias de base agrícola: variação anual do volume, preços reais e faturamento das indústrias agrícolas acompanhadas

No caso da produção de biocombustíveis, espera-se redução de 11,1% no faturamento, tendo em vista a produção anual esperada 10,3% menor. Para os preços, houve ligeira queda de 0,8% na comparação entre os primeiros cinco meses de 2020 e 2019. Segundo a equipe Etanol/Cepea, se observou alta nos preços em janeiro e fevereiro, reflexo do viés de alta observado desde outubro do ano passado. Já nos meses de março e de abril, os preços foram pressionados fortemente devido à queda nas cotações do petróleo e à diminuição da demanda por etanol, impactada pelas medidas adotadas para conter a disseminação do coronavírus. Em maio, a volta gradativa do consumo em alguns importantes polos consumidores do País impulsionou as cotações, entretanto, não foi suficiente para recuperar as quedas observadas nos meses anteriores. Com relação à produção, como já mencionado na análise do açúcar, a Conab evidencia que houve uma mudança de estratégia das unidades produtoras devido ao menor consumo interno de etanol e à desvalorização dos preços internacionais do petróleo, o que explica a redução esperada.

Para a indústria do café, a projeção de menor faturamento anual (-5,9%) é decorrente de menores preços (-7,4%), visto que se espera um ligeiro aumento na produção (1,6%). De acordo com a Conab e com a Associação Brasileira de Cafés Especiais (BSCA), os impactos da pandemia e das medidas adotadas com o intuito de contê-la têm afetado diretamente o segmento dos cafés especiais, com perdas médias de 76,25% na venda do produto. Este segmento é composto, em sua maioria, por micro e pequenas empresas independentes nas áreas de torrefação e cafeterias.

Como já mencionado, a inclusão das informações mais recentes, especialmente de abril, mas também de maio, impactou em piora expressiva no indicador de produção da agroindústria agrícola. Nesse sentido, os destaques negativos em termos de queda da produção frente ao mesmo período de 2019 foram as indústrias de vestuários de base natural (-34,3%), móveis de madeira (-21,9%), têxtil de base natural (-21,4%), bebidas (-15,5%) e produtos de madeira (-13,6%) (Figura 4).

Quando analisada a agroindústria de base pecuária, somente a do abate e preparação de carnes e pescados apresenta projeção de crescimento de seu faturamento anual, ao passo que as indústrias de laticínios e calçados apresentam projeção de queda.

Para a indústria do abate e preparação de carnes e pescados é esperado crescimento de 13,90% do faturamento anual, impulsionado pelo avanço de 17,09% dos preços reais na comparação entre janeiro a maio de 2020 frente ao de 2019. Para a produção, espera-se queda de 2,33%. Apesar da alta na comparação com os cinco primeiros meses de 2019, especificamente em maio, os preços das carnes foram pressionados para baixo. No caso da carne de frango, as vendas nacionais foram marcadas por menor liquidez, aumento nos estoques e consequente queda nos preços, ao passo que as exportações estiveram aquecidas, com destaque para a demanda chinesa. No caso da carne suína, houve melhora das vendas no início de maio, favorecendo as cotações, mas queda depois disso, devido às dificuldades em escoar a produção frente às medidas de isolamento social que afetaram estabelecimentos de food service. Por outro lado, as exportações de carne suína atingiram patamar recorde em maio. No caso da carne bovina, os preços negociados no mercado atacadista da Grande São Paulo estiveram enfraquecidos em maio, diante da demanda doméstica arrefecida. 

Na indústria de laticínios, a redução esperada de 9,78% para o faturamento anual se deve à queda esperada de 11,60% na produção de derivados em 2020. Os preços observados, por sua vez, estão 2,05% acima dos registrados no mesmo período de 2019, e especificamente em maio houve alguma leve elevação. Segundo a equipe Leite/Cepea, a menor produção de derivados em abril reduziu os estoques de UHT e muçarela em maio, o que favoreceu as cotações nos primeiros quinze dias do mês. A equipe também destaca que parece ter havido uma melhora na demanda em maio.

Tabela 5. Agroindústrias de base pecuária: variação anual do volume, preços reais e faturamento das indústrias pecuárias acompanhadas

SEGMENTO DE SERVIÇOS: PIB dos agrosserviços cresce em maio

O PIB dos agrosserviços do agronegócio brasileiro cresceu 0,49% em maio, acumulando alta de 4,51% nos primeiros cinco meses do ano (Tabela 1). No ramo agrícola, após recuar em abril, o segmento de agrosserviços voltou a crescer em maio, com leve alta de 0,11%. Com isso, o crescimento acumulado nos primeiros 5 meses de 2020 foi de 0,69% (Tabela 2). Já no ramo pecuário, o PIB dos agrosserviços cresceu 1,22% no mês e 11,53% no acumulado do ano (Tabela 3).

Como destacado em relatório anterior, por um lado, o resultado positivo do PIB dos agrosserviços pode ser explicado pela continuidade do abastecimento do mercado doméstico, apesar das questões logísticas e dos desafios impostos pela pandemia. Por outro lado, o bom desempenho foi reforçado pelos resultados excelentes em termos de exportações.

CONCLUSÕES

Pelo quinto mês consecutivo em 2020, o PIB do agronegócio apresentou crescimento. A alta foi de 0,78% em maio, chegando a um resultado positivo acumulado de 4,62% entre janeiro e maio de 2020, comparativamente ao mesmo período do ano anterior.

Ainda como efeito da pandemia do Covid-19, a agroindústria - segmento mais prejudicado pelas medidas de distanciamento social - foi o único segmento com retração no PIB. Em maio a queda foi de 0,68%, e no acumulado de janeiro a maio, de 0,24%, frente ao mesmo período de 2019. Assim como ocorreu em abril, em maio, a agroindústria foi pressionada pelos setores industriais de base agrícola, com bom desempenho da indústria pecuária.

No caso da indústria agrícola, a queda da produção decorrente da pandemia, na comparação entre períodos, se acentuou em maio para os seguintes setores: produtos de madeira e móveis de madeira, papéis, têxtil, vestuário, conservas de frutas/legumes/outros vegetais, café, couro e calçados. Por outro lado, os setores cujos cenários não se agravaram em maio foram celulose, produtos amiláceos, produtos do fumo, óleos vegetais e bebidas. Já no caso da agroindústria de base pecuária, o segmento segue sustentado pela indústria do abate, resultado dos elevados preços das carnes em comparação ao período de janeiro a maio de 2019. Mesmo assim, o resultado poderia ter sido ainda melhor não fossem os efeitos da pandemia sobre a demanda doméstica, o que gerou pressão negativa sobre os preços das carnes (frango, bovina e suína) em maio. Ressalta-se que as exportações se mantiveram aquecidas no mês, com destaque para o papel da China, impedindo baixas maiores nos preços das carnes.

O segmento “dentro da porteira” (ou segmento primário agropecuário) foi destaque no PIB do agronegócio tanto em maio, com crescimento de 3,08%, como no acumulado entre janeiro e maio de 2020 quando cresceu 11,67% frente ao mesmo período de 2019. Esse resultado foi impulsionado pelo desempenho do ramo agrícola, cujas expansões foram de 4,62% em maio e de 15,17% nos 5 primeiros meses de 2020. Entre os produtos, os destaques em termos de altas de preços foram: milho, café, cacau, arroz, soja e trigo, todos com elevações superiores a 15%. O preço da cana, produto de alta relevância no PIB, também foi maior no período. Além de preços em alta, também se espera aumento na produção agrícola no ano, mesmo em meio à pandemia. Nesse caso, são esperadas safras maiores em 2020 para algodão, arroz, cacau, café, feijão, laranja, milho, soja, trigo e madeira para celulose.

Para o segmento primário pecuário, o PIB cresceu 6,20% de janeiro a maio, impulsionado pelos maiores preços, com fortes aumentos para o boi gordo, os suínos e os ovos. O elevado patamar dos preços pecuários nos primeiros meses de 2020 ainda refletiu um efeito inercial da forte elevação ao longo de 2019, relacionada à Peste Suína Africana. Ao longo de 2020, a baixa oferta de bovinos para abate e o elevado ritmo de exportações de carnes também contribuíram para essa sustentação de preços.

O segmento de agrosserviços também cresceu em maio e no acumulado do ano (até maio), apesar da pandemia. Esse resultado reflete, por um lado, a manutenção das atividades do agro mesmo em meio às medidas de distanciamento social, e por outro, o forte ritmo de exportações do agronegócio.

ANEXO I – Evolução mensal do PIB DO AGRONEGÓCIO

A1) PIB do Agronegócio: Taxas de variação mensal e acumulado do período (em %)

A2) PIB do Agronegócio: Participações dos segmentos (em %)

A3) PIB Volume do Agronegócio: Taxa anual (em %)

  • Nota técnica: O PIB Volume do Agronegócio trata-se do PIB do agronegócio calculado pelo critério de preços constantes. Resulta, portanto, a variação apenas do volume de produção. Este é o indicador de PIB comparável às variações apresentadas pelo IBGE.

A4) PIB DO AGRONEGÓCIO - METODOLOGIA

O Relatório PIB do Agronegócio Brasileiro é uma publicação mensal resultante da parceria entre o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (CEPEA), da Esalq/USP, a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) e a Fundação de Estudos Agrários Luiz de Queiroz (FEALQ). O agronegócio é entendido como a soma de quatro segmentos: insumos para a agropecuária, produção agropecuária básica (ou primária), agroindústria (processamento) e agrosserviços – como na Figura que segue. A análise desse conjunto de segmentos é feita para o ramo agrícola (vegetal) e para o pecuário (animal). Ao serem somados, com as devidas ponderações, obtém-se a análise do agronegócio.

Pelo critério metodológico do Cepea/Esalq-USP, o PIB do agronegócio é medido pela ótica do produto, ou seja, pelo Valor Adicionado (VA) total deste setor na economia. Ademais, avalia-se o VA a preços de mercado (consideram-se os impostos indiretos menos subsídios relacionados aos produtos). O PIB do agronegócio brasileiro refere-se, portanto, ao produto gerado de forma sistêmica na produção de insumos para a agropecuária, na produção primária e se estendendo por todas as demais atividades que processam e distribuem o produto ao destino final. A renda, por sua vez, se destina à remuneração dos fatores de produção (terra, capital e trabalho).

Após estimado o valor do PIB do agronegócio no ano-base, que desde janeiro/17 refere-se ao ano de 2010, parte-se para evolução deste valor de modo a se gerar uma série histórica, por meio de um amplo conjunto de indicadores de preços e produção de instituições de pesquisa e governamentais. Seja para a estimação anual do valor do PIB, ou para as reestimativas mensais das previsões anuais, consideram-se informações a respeito da evolução do Valor Bruto da Produção (VBP) e do Consumo Intermediário (CI) dos segmentos do agronegócio. Pela evolução conjunta do VBP e do CI, estima-se o crescimento do valor adicionado pelo setor. 

Com base nos procedimentos mencionados e processos adicionais realizados pelo Cepea, os cálculos do PIB do agronegócio resultam em dois indicadores principais, que retratam o comportamento do setor por diferentes óticas:

•     PIB-renda Agronegócio (equivale ao PIB divulgado anteriormente pelo Cepea): reflete a renda real do setor, sendo consideradas no cálculo variações de volume e de preços reais, sendo estes deflacionados pelo deflator implícito do PIB nacional.

•         PIB-volume Agronegócio: PIB do agronegócio pelo critério de preços constantes. Resulta daí a variação apenas do volume de produção. Este é o indicador de PIB comparável às variações apresentadas pelo IBGE.

Mensalmente, o foco de análise principal é o PIB-renda Agronegócio, que reflete a renda real do setor. Por conveniência textual, o PIB-renda do agronegócio é denominado apenas como PIB do Agronegócio ao longo deste relatório. Destaca-se que as taxas calculadas para cada período consideram igual período do ano anterior como base, exceto para as quantidades referentes às safras agrícolas, para as quais computa-se a previsão de safra para o ano (frente ao ano anterior).

Importante também destacar que cada relatório considera os dados disponíveis – preços observados e estimativas anuais de produção – até o seu fechamento. Em edições futuras, ao serem agregadas informações mais atualizadas, há a possibilidade, portanto, de ocorrer alteração dos resultados, tanto no que se refere ao mês corrente, como também ao que se refere a meses e anos passados. Recomenda-se, portanto, sempre o uso do relatório mais atualizado. Para uma análise mais detalhada dos aspectos metodológicos, bem como dos resultados dos demais indicadores (PIB volume, Consumo Intermediário, etc.) ver http://www.cepea.esalq.usp.br/br/pib-do-agronegocio-brasileiro.aspx




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