PIB do Agronegócio cresceu 0,53% no 1º semestre de 2019

O Produto Interno Bruto (PIB) do agronegócio brasileiro, calculado pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Esalq/USP, em parceria com a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) e com a Fundação de Estudos Agrários Luiz de Queiroz (Fealq), apresentou redução de 0,8% em junho. Ainda assim, no acumulado do ano (de janeiro a junho), o resultado se manteve positivo, com alta de 0,53%.

Em junho, a retração no PIB do agronegócio refletiu as quedas para os segmentos primário (-0,55%), agroindustrial (-0,86%) e de agrosserviços (-1,03%). Já o segmento de insumos, seguindo a tendência observada desde o início do ano, manteve crescimento em junho, de 0,23%. No acumulado do primeiro semestre, insumos (7,26%), agroindústria (1,26%) e agrosserviços (0,65%) cresceram, mas o segmento primário recuou (-2,04%) (Tabela 1).

Tabela 1. PIB do Agronegócio: Taxa de variação mensal e acumulada no período (%)

Entre os ramos, o agrícola registrou baixa em junho (-0,74%) e também no acumulado de janeiro a junho (-0,97%). No mês, apenas os insumos agrícolas cresceram (0,68%), e os segmentos primário, agroindustrial e de agrosserviços apresentaram reduções, de 1,2%, 0,62% e 0,73%, respectivamente. Já no acumulado do semestre, além dos insumos, que subiram expressivos 9,08%, a agroindústria também manteve alta, de 1,09%. Já o segmento primário agrícola acumulou redução de 7,71% no período, influenciando negativamente o resultado dos agrosserviços, que foi de redução em 0,16% (Tabela 2). Como destacado em relatórios anteriores, o PIB do segmento primário agrícola segue pressionado por menores preços e por elevação dos custos de produção.

Tabela 2. Ramo Agrícola: Taxas de variação mensal e acumulada no período (%)

Com relação ao ramo pecuário, houve redução de 0,93% em junho. No mês, houve alta para o segmento primário (0,83%), mas reduções para os demais segmentos, de 0,80% para insumos, de 1,83% para a agroindústria e de 1,72% para os agrosserviços. Já no acumulado de janeiro a junho, o ramo pecuário registrou alta importante de 4,65%, com crescimento para todos os segmentos e destaque para o primário (10%). Para insumos, agroindústria e agrosserviços, as elevações no período foram de 3,32%, 1,99% e 2,66%, respectivamente (Tabela 3).

Tabela 3. Ramo Pecuário: Taxas de variação mensal e acumulada no período (%)

No caso do segmento primário da pecuária, preços altos vêm sendo alcançados em 2019, com elevações importantes principalmente para frango, suínos e leite. Esse cenário, aliado a um aumento também da produção, explica o crescimento do PIB, mesmo diante de aumento dos custos de produção.

SEGMENTO DE INSUMOS: Crescimento se mantém ao longo do 1º semestre/2019

O segmento de insumos do agronegócio cresceu 0,23% em junho, acumulando alta de 7,26% no primeiro semestre de 2019. Em junho, os insumos agrícolas avançaram (0,68%), ao passo que os pecuários tiveram baixa (-0,8%), pressionados por uma piora na produção da indústria de rações. Já no acumulado do semestre, os insumos agrícolas e pecuários mantiveram crescimentos, de 9,08% e de 3,32%, respectivamente (Tabelas 1 a 3).

Conforme se observa na Figura 1, que mostra as variações anuais de volume, de preços e de faturamento para as indústrias de insumos acompanhadas, os destaques em termos de alta foram os setores de fertilizantes e defensivos.

Figura 1. Insumos: variação (%) anual de volume, dos preços e do faturamento 2019/2018 com informações até junho/2019

O aumento importante previsto para o faturamento da indústria de fertilizantes reflete principalmente a alta de 15,61% nos preços do produto, na comparação entre os primeiros semestres de 2019 e de 2018. Como destacado em relatórios anteriores, alguns fatores explicam o elevado patamar de preços do produto ao longo de 2019, com destaque para a desvalorização da taxa de câmbio. Especificamente em junho, a valorização da taxa de câmbio frente ao mês anterior pressionou para baixo os valores dos fertilizantes.

Para a produção de fertilizantes, o resultado também é positivo, porém mais modesto, com alta anual prevista em 3,19%. Essa variação relativamente baixa, considerando-se informações disponíveis até junho de 2019, reflete a fraca movimentação do mercado no período, resultado principalmente dos preços elevados e do atraso para liberação do crédito aos produtores.

No caso da indústria de defensivos, a projeção de alta no faturamento reflete principalmente o aumento esperado de 29,30% na produção anual. Para preços, na comparação entre o primeiro semestre de 2019 e o mesmo semestre de 2018, a elevação foi de 5,16%. Como destacado nos relatórios anteriores, o importante aumento da produção de defensivos pode ser resultado da maior demanda por parte de culturas mais intensivas no uso desse insumo, como o algodão, associada à resposta da indústria nacional ao fechamento de diversas indústrias do insumo na China (frente à política de recuperação ambiental que vem sendo aplicada no país). No caso dos preços dos defensivos, o elevado patamar ao longo de 2019 também é explicado principalmente pela desvalorização da taxa de câmbio (na comparação entre o primeiro semestre de 2018 e de 2019).

Já para a indústria de máquinas agrícolas, espera-se redução de 1,78% no faturamento anual de 2019. O resultado negativo reflete a queda esperada na produção, de 5,5%, e que foi intensificada em junho. Segundo informações da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), a menor produção entre maio e junho se deveu ao represamento dos pedidos diante da espera do lançamento do Plano Safra 2019/2020.

Para a indústria de rações, o crescimento esperado no faturamento está atrelado às elevações em preços (8,47%), tendo em vista a redução esperada na produção para o ano (-0,90%). Para as indústrias de medicamentos para animais, houve altas de 1,1% para as cotações (na comparação entre o primeiro semestre de 2018 e de 2019) e de 3,16% na produção anual esperada.

SEGMENTO PRIMÁRIO: Recuo de preço e custos em alta pressionam PIB da agricultura, mas pecuária mantém crescimento

O PIB do segmento primário do agronegócio recuou 0,55% em junho. Assim, no acumulado do semestre, houve decréscimo de 2,04%. As realidades dos ramos agrícola e pecuário são bastante distintas. Para o segmento primário agrícola, foram verificadas quedas no mês (-1,2%) e no acumulado do semestre (-7,71%), com a renda sendo pressionada por menores preços e maiores custos de produção. Já no primário da pecuária, mesmo com custos em alta, os maiores preços e produção dos produtos favoreceram o PIB, que cresceu 0,83% em junho e 10% no acumulado do semestre (Tabelas de 1 a 3).

Para 2019, espera-se redução de 0,51% no faturamento médio das atividades do segmento primário agrícola, considerando-se projeções de produção para o ano e preços de janeiro a junho de 2019 comparados com os do mesmo período do ano anterior. Com relação à produção, para 2019, espera-se alta de 1,49% na média ponderada das atividades acompanhadas, enquanto para preços, na comparação entre os semestres, houve recuo médio real de 1,97%. Como ressaltado nos relatórios anteriores, o PIB do segmento segue pressionado pelo aumento do custo de produção, com destaque para os elevados preços de fertilizantes e defensivos.

Já no segmento primário da pecuária, para 2019, espera-se crescimento de 13,96% no faturamento, com preços 10,48% maiores e aumento de 3,16% na produção, considerando-se a média ponderada das atividades acompanhadas.

As Figuras 2 e 3 e a Tabela 4 detalham os resultados específicos do segmento por atividades agrícolas e pecuárias. Entre as culturas do segmento primário agrícola acompanhadas pelo Cepea, projetam-se crescimentos nos faturamentos em 2019 para algodão, banana, batata, cacau, cana-de-açúcar, feijão, laranja, milho, tomate, trigo, uva e lenha/carvão. Já as culturas para as quais se projetam quedas no faturamento são arroz, café, fumo, mandioca, soja, madeira em tora e madeira para celulose – Figura 2 e Tabela 4.

Dentre as culturas com expectativa de aumento de faturamento, destaca-se o caso do feijão. Comparando-se o primeiro semestre de 2019 com o mesmo período de 2018, os preços mais que dobraram (subiram 105,03%), enquanto a quantidade esperada de produção para o ano caiu 2,45%. De acordo com o Instituto Brasileiro de Feijão e Pulses (Ibrafe), a menor oferta resulta da diminuição de área e das condições climáticas desfavoráveis à cultura. Segundo o Instituto, especificamente em junho, as perdas se acentuaram no Sul do País, ocasionadas pelo excesso de chuva na região, dificultando a entrada de maquinário no campo para colheita e prejudicando a qualidade do grão.

No caso do milho, o crescimento projetado no faturamento reflete a expectativa de aumento na quantidade produzida, em 23,05% para o ano, uma vez que os preços apresentaram queda de 1,87% na comparação do primeiro semestre de 2019 em relação ao mesmo período de 2018. Segundo a Conab, a produção de milho alcançou produtividade acima da média nas principais regiões, favorecida especialmente pelo adiantamento da cultura da soja, que possibilitou o aproveitamento integral da janela climática e que deve favorecer uma colheita recorde na safra 2018/19. Em relação aos preços, a equipe Grãos/Cepea indica que, apesar de a demanda externa ter auxiliado na sustentação dos valores, o avanço da colheita tem pressionado as cotações, ao gerar forte incremento na oferta interna.

Na cultura do tomate, se destaca o aumento nos preços em 30,42% na comparação entre janeiro a junho de 2019 e o mesmo período de 2018, enquanto para a produção a previsão para o ano é de queda, de 5,76%. Como apontado em relatório anterior, segundo a equipe Hortifrúti/Cepea, neste ano, verificam-se reduções de área plantada e de produtividade na cultura, devido a intempéries climáticas ocorridas em algumas regiões, restringindo a oferta e impulsionando os preços. Especificamente em junho, os preços aumentaram em relação ao mês anterior. De acordo com a equipe, esse avanço foi resultado da menor oferta no período, reflexo da queda na temperatura que prejudicou a maturação dos frutos.

Para a cana-de-açúcar, sutis aumentos na produção esperada para o ano (0,30%) e nos preços reais (0,69%) na comparação entre o primeiro semestre de 2019 e o mesmo período de 2018 explicam o crescimento esperado do faturamento. Destaca-se que houve melhora na expectativa para a produção do ano, já que, até o relatório anterior, esperava-se queda. Segundo a Conab, esse reajuste positivo na expectativa da produção refletiu a possível maior produtividade da cultura. De acordo com a Companhia, a colheita ainda não foi finalizada na maioria dos estados, porém, há a perspectiva de aumento na produtividade, devido ao clima favorável. Em São Paulo, principal estado produtor, espera-se produtividade 2,7% superior à da safra anterior.

No caso do algodão, o crescimento esperado no faturamento advém da expectativa de aumento da produção para o ano, em 34,18%, enquanto os preços apresentaram queda de 12,20% na comparação entre períodos. De acordo com a equipe Algodão/Cepea, o mercado de algodão espera a entrada da nova safra para a comercialização. Por este motivo, os produtos negociados em junho foram, principalmente, para suprir necessidades de curto prazo e foram vendidos por preços baixos. De acordo com a Conab, a área plantada na região Centro-Oeste (principal produtora da fibra) é 37,3% superior à da safra anterior. Este aumento de área, que também ocorreu em outras regiões, é fator primordial da maior produção, já que a produtividade deve permanecer praticamente estável em relação à safra anterior.

Figura 2. Agricultura: Variação (%) anual do volume, dos preços e do faturamento 2019/2018 com informações de junho/2019

Tabela 4. Agricultura: Variação (%) anual do volume, dos preços e do faturamento 2019/2018 com informações de junho/2019

Entre as culturas para as quais se projeta redução no faturamento, destaca-se o caso da mandioca. Essa diminuição esperada no faturamento é reflexo da queda dos preços em 37,82% na comparação entre o primeiro semestre de 2019 e o mesmo período de 2018, já que, para a produção, projeta-se aumento para o ano, de 3,79%. De acordo com a equipe Mandioca/Cepea, os produtores da raiz estão desestimulados, devido à menor rentabilidade da cultura com os baixos preços. Especificamente em junho, um fator que influenciou a queda nos preços foi a diminuição da demanda industrial.

No caso da soja, a redução projetada no faturamento se deve à queda nos preços na comparação entre períodos (-6,09%) e também à projeção de menor produção (-3,53%). De acordo com a Conab, apesar do ligeiro aumento de área destinada à cultura, a produção de soja foi pressionada para baixo pela ocorrência de adversidades climáticas que prejudicaram a produtividade. Apesar da queda dos preços na comparação entre períodos, especificamente em junho, houve aumento. Segundo a equipe Soja/Cepea, esse movimento refletiu a valorização dos contratos futuros na Bolsa de Chicago. No entanto, a valorização da taxa de cambio no mês amenizou a transferência dos ganhos ao produtor brasileiro.

Para o café, a redução esperada do faturamento reflete a projeção de queda na produção, de 17,42% para o ano, bem como a diminuição nos preços reais, em 12,99% na comparação entre o primeiro semestre de 2019 e o mesmo período de 2018. Como já mencionado em relatórios anteriores, essa safra é de bienalidade negativa na cultura do café. De acordo com a Conab, temperaturas elevadas e escassez de chuva agravaram o cenário de baixa produtividade. Quanto aos preços, apesar de terem aumentado em maio e junho, estão em patamar historicamente baixo, segundo a equipe Café/Cepea. Esse cenário reflete o excesso de oferta no mercado mundial, com a existência de estoques remanescentes da safra passada e boas perspectivas para o volume da temporada atual – a produção pode ser considerada boa para um ano de bienalidade negativa.

Para o segmento primário da pecuária, esperam-se aumentos nos faturamentos de todas atividades acompanhadas, como se observa na Figura 3.

Figura 3. Pecuária: Variação anual dos preços e do faturamento 2019/2018 com informações de junho/2019

O crescimento esperado do faturamento da bovinocultura de corte é de 4,25%, conduzido pela variação positiva do preço entre janeiro e junho deste ano em comparação ao mesmo período do ano anterior (2,42%) e pelo aumento esperado na produção (1,79%). Especificamente em junho, o preço do boi gordo caiu em relação a maio. Tal movimento se deu pela paralisação temporária dos embarques de carne bovina à China, após constatação de um caso atípico de Encefalopatia Espongiforme Bovina (Mal da Vaca Louca) em Mato Grosso.

Novamente, manteve-se o forte aumento esperado do faturamento das produções de suínos de corte (27,48%) e frango de corte (23,76%). Em ambos os casos, a alta nos preços foi o principal motivo deste resultado. Essa elevação, por sua vez, reflete a demanda externa aquecida, principalmente por parte da China, em decorrência da Peste Suína Africana.

Especificamente em junho, houve novo e importante aumento no preço do suíno vivo em relação a maio. Segundo a Equipe Suíno/Cepea, apesar de o volume abatido ter sido o maior desde 2017, o preço do animal vivo subiu, especialmente diante da demanda externa aquecida (em especial, China e Hong Kong). Em suma, comparando janeiro a junho deste ano com o mesmo período de 2018, registrou-se crescimento de 22,43% nos preços.

Já o preço do frango vivo subiu 25,06% na comparação entre os períodos. Mas, especificamente em junho, na comparação com o mês anterior, houve redução, reflexo das dificuldades de negociar a carne no mercado interno aos preços elevados que vinham sendo praticados.

O faturamento esperado da venda de leite avançou 26,54%, impulsionado principalmente pelo aumento do preço, que, em comparação a janeiro a junho de 2018, cresceu 20,56%. Segundo a Equipe Leite/Cepea, essa elevação é registrada desde o início do ano, atrelada à redução da oferta do produto e à maior concorrência pela matéria-prima junto à indústria de derivados.

SEGMENTO INDUSTRIAL: Agroindústria acumula alta no semestre

O PIB do segmento agroindustrial recuou 0,86% em junho, mas, no acumulado do semestre, registrou alta de 1,26%. No mês, tanto a indústria agrícola quanto a pecuária tiveram baixas, de 0,62% e 1,83% respectivamente. Ao contrário, para o acumulado do semestre, a agroindústria manteve avanço nos dois ramos, de 1,09% no agrícola e de 1,99% no pecuário (Tabelas 1, 2 e 3).

Na indústria de base agrícola, espera-se alta de 1,06% no faturamento anual, resultado de elevações em preços (0,94%) e em quantidade produzida (0,12%) considerando-se o resultado médio ponderado do segmento. Para a indústria de base pecuária, espera-se aumento de 8,86% no faturamento, resultado de maiores preços (7,26%) e produção (1,49%), em média.

No acompanhamento feito pelo Cepea para a evolução do PIB, as indústrias de base agrícola que apresentaram projeção de crescimento do faturamento foram: celulose e papel, vestuários, moagem e fabricação de produtos amiláceos, conservas de frutas/legumes/outros vegetais, produtos do fumo, açúcar, bebidas e outros produtos alimentares. As demais indústrias registram perspectivas de redução: produtos e móveis de madeira, biocombustíveis, têxtil, café e óleos vegetais (Figura 4).

Figura 4. Agroindústrias de base agrícola: variação anual do volume, preços reais e faturamento das indústrias agrícolas acompanhadas

Das indústrias de base agrícola acompanhadas pelo Cepea, tiveram destaque pelo alto crescimento esperado no faturamento a de açúcar (17,9%) e a de celulose e papel (8,8%). Essas duas foram as que registraram maiores altas nos preços no acumulado dos seis primeiros meses de 2019 em comparação ao mesmo período do ano anterior: de 9,5% para celulose e papel e de 7,68% para o açúcar. Para a quantidade produzida, houve recuo de 0,7% para a indústria de celulose e papel e elevação de 9,45% para a produção de açúcar.

O Boletim mensal da Equipe Florestal/Cepea indica o bom desempenho das exportações de produtos florestais, incluindo papel e celulose, no acumulado dos dois primeiros trimestres do ano, embora tenha iniciado movimento de retração a partir de junho. Ressalta-se que, embora os preços estejam em média maiores em 2019, frente ao primeiro semestre de 2018, esses recuaram mensalmente ao longo do ano. Como apontado em relatórios anteriores, os preços têm sido pressionados pela fraca demanda interna e pelos altos estoques da indústria.

Já para o caso da indústria de açúcar, o bom resultado em 2019 também é reflexo de recuperações do preço e da produção após quedas acentuadas no ano anterior, atribuídas à fraca demanda, tanto doméstica quanto externa. A redução das exportações brasileiras naquele ano esteve atrelada ao aumento da produção de açúcar pelos principais países consumidores. Apesar da alta dos preços na comparação entre períodos, especificamente em junho, houve redução. Segundo a equipe Açúcar/Cepea, essa redução no mês refletiu o andamento da safra 2019/2020, com a colheita e o processamento da cana sendo favorecidos pelo clima seco que predominou em São Paulo.

Ainda no rol de setores que apresentaram expectativa de crescimento de faturamento, embora mais moderadamente, tem-se a indústria de bebidas (4,5%), de outros produtos alimentares (3,3%) e de produtos amiláceos (1,8%). Para o caso das bebidas, a projeção de crescimento de produção (5,7%) tem contrabalanceado as sucessivas pequenas quedas nos preços acumuladas em comparação ao ano anterior, que, na última atualização, caiu 1,1%. Já para a produção de outros produtos alimentares, a variação positiva se deu tanto em preço (2,5%) quanto na produção esperada (0,8%), ainda que de forma sutil. Por fim, a indústria de moagem e fabricação de amiláceos teve sua produção esperada reduzida em 2,1%, sustentando o comportamento oscilatório que tem apresentado desde o início deste ano, tendo seu preço variado 4,0% em relação aos primeiros seis meses de 2018, quando registraram quedas acentuadas o ano inteiro.

Algumas indústrias tiveram sua projeção de variação de faturamento quase estável – com leve aumento ou diminuição –, devido ao contrabalanceamento entre variações nos preços e nas quantidades produzidas. São os casos de a) indústria de vestuário, com projeção de variação de faturamento de 0,9%, com alta de preço (1,1%) e queda de produção (-0,2%); b) indústria de conservas, com projeção de variação de faturamento de 0,6%, com recuo no preço (-2,3%) e aumento na quantidade (3,0%); c) indústria de fumo, com variação esperada de faturamento de 0,3%, com queda nos preços (-2,8%), mas avanço na produção (3,2%); d) indústria têxtil, com projeção de variação de faturamento negativa em 0,3%, com variação positiva de 1,4% no seu preço e retração de 1,7% na quantidade produzida; e, por fim, e) móveis de madeira, que registrou projeção de variação de faturamento de -0,6%, com variação positiva de 0,6% do preço e redução de 1,2% da quantidade produzida.

Entre os setores deste segmento que apresentaram queda de faturamento, chamam atenção os casos dos biocombustíveis (etanol) e da indústria de café. Para os biocombustíveis, as baixas são de 6,72% em preços e de 4,57% na produção. Vale mencionar que a retração da quantidade produzida está sendo amenizada pelo crescimento importante na produção de etanol de milho, de 70,3% entre as safras 2018/19 e 2019/20. Quanto à produção de etanol de cana-de-açúcar, a redução observada reflete uma volta à normalidade do volume produzido, que atingiu recorde na safra passada, segundo a Conab. No caso dos preços, especificamente em junho, acentuou-se o movimento de baixa já observado entre abril e maio. Segundo a equipe Etanol/Cepea, essa redução refletiu o baixo ritmo de compras por parte de distribuidoras.

A segunda diminuição considerável foi na indústria de café, em que se registra recuo do faturamento esperado de 11,2%, em resposta à queda do preço, de 12,4%, quando comparado ao mesmo período de análise do ano anterior. O preço na indústria do café tem seguido trajetória descendente desde o ano anterior, intensificando-se no início deste ano. Diante disso, a expectativa de aumento da produção de 1,3% não foi suficiente para amenizar o efeito da queda registrada no preço sobre o faturamento.

Além dessas, as indústrias de óleos vegetais e de produtos de madeira também tiveram projeção de redução do faturamento anual. No primeiro caso, de forma mais acentuada, a retração de 8,0% provém da combinação da variação negativa dos preços entre períodos de 5,90%, com queda na produção esperada de 2,20%. Já no segundo, o aumento de 2,9% do preço, nos seis primeiros meses do ano em comparação ao mesmo período de 2018, atenuou o efeito da diminuição da produção esperada de 5,3%, levando à previsão de redução de 2,5% no seu faturamento.

No que tange às indústrias pecuárias, conforme descrito na Tabela 5, a projeção de variação do faturamento registrou valores positivos tanto para o setor de laticínios quanto para abate e preparação de carnes e pescados. Já para a indústria de couro e calçados de couro, a expectativa é de redução. O preço na indústria de laticínios segue tendência crescente, mês a mês, desde o início do ano, com recuo apenas em junho (frente a maio). Na comparação entre janeiro a junho deste ano em relação a 2018, o preço avançou 1,72% e a expectativa de produção é de crescimento de 3,30%, promovendo alta de 5,08% do faturamento esperado. A redução de preços observada em junho, especificamente, refletiu a fraca demanda interna pelos derivados lácteos. Segundo a Equipe Leite/Cepea, o principal desafio deparado pelo setor tem sido o repasse do aumento do preço da matéria-prima ao consumidor final.

Já a indústria do abate obteve o melhor resultado, tratando-se de expectativa de faturamento. A projeção de crescimento de 11,57% se deveu principalmente à elevação de 10,25% nos preços, na comparação entre os mesmos períodos de 2018 e 2019. Novamente, tal cenário é justificado pela demanda externa aquecida, em especial da China, que tem colaborado para o aumento dos preços.

Por fim, na contramão, a indústria de couro e calçados mantém a tendência de redução de preços (-3,67%, na comparação entre janeiro a junho de 2019 em relação a 2018) e produção esperada (-2,84%,) que se reafirma desde 2015, ocasionando queda esperada de 6,24% no faturamento do setor.

Tabela 5. Agroindústrias de base pecuária: variação anual do volume, preços reais e faturamento das indústrias pecuárias acompanhadas

SEGMENTO DE SERVIÇOS: Serviços do agronegócio acumulam alta no semestre

Como observado na Tabela 1, o PIB dos agrosserviços recuou em junho (-1,03%), refletindo as reduções observadas nos segmentos primário e agroindustrial no mês. Mas, no acumulado do semestre, o segmento manteve crescimento, de 0,65%. Em junho, o segmento recuou tanto no ramo agrícola quanto no pecuário. E no acumulado do ano (janeiro a junho), o segmento foi impulsionado pelos serviços prestados às atividades pecuárias, com redução no segmento de serviços do ramo agrícola. Como mencionado em relatórios anteriores, o bom resultado do PIB dos agrosserviços pecuários reflete o elevado ritmo das exportações de proteína brasileira, que tem levado a aumentos de preços ao longo das cadeias e, também, tem influenciado positivamente a demanda por serviços de armazenagem, transporte, comercialização, entre outros serviços necessários para que os produtos sejam exportados.

CONCLUSÕES

O PIB do Agronegócio brasileiro apresentou crescimento de 0,53% no 1º semestre de 2019, apesar da queda observada em junho.

Essa alta do PIB do agronegócio deriva da expansão observada no ramo pecuário, refletindo o crescimento do segmento primário, dos elos industriais (antes e depois da porteira) e, como reflexo, dos agrosserviços. O principal impulso ao acréscimo de renda no ramo pecuário tem sido o aumento de preços refletindo, sobretudo, a demanda internacional mais aquecida pelos produtos pecuários brasileiros. A produção pecuária também tem crescido, embora em menor magnitude comparativamente à evolução dos preços.

No ramo agrícola do agronegócio, a renda dos agentes do setor tem sido pressionada pela junção de produção relativamente estável, à queda de preços de produtos importantes – como algodão, café, mandioca e soja – e aos elevados custos de produção, com destaque para fertilizantes, defensivos e combustíveis.

Já o crescimento da renda no segmento de serviços, deriva do bom ritmo de exportações e da consequente demanda por serviços necessários para que os embarques ocorram.

ANEXO I – EVOLUÇÃO MENSAL DO PIB DO AGRONEGÓCIO

A1) PIB DO AGRONEGÓCIO: TAXAS DE VARIAÇÃO MENSAL E ACUMULADO DO PERÍODO (EM %)

A2) PIB DO AGRONEGÓCIO: PARTICIPAÇÕES DOS SEGMENTOS (EM %)

A3) PIB VOLUME DO AGRONEGÓCIO: TAXA ANUAL (EM %)*

  • Nota técnica: O PIB Volume do Agronegócio trata-se do PIB do agronegócio calculado pelo critério de preços constantes. Resulta, portanto, a variação apenas do volume de produção. Este é o indicador de PIB comparável às variações apresentadas pelo IBGE.

A4) PIB DO AGRONEGÓCIO - METODOLOGIA

O Relatório PIB do Agronegócio Brasileiro é uma publicação mensal resultante da parceria entre o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (CEPEA), da Esalq/USP, a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) e a Fundação de Estudos Agrários Luiz de Queiroz (FEALQ). O agronegócio é entendido como a soma de quatro segmentos: insumos para a agropecuária, produção agropecuária básica (ou primária), agroindústria (processamento) e agrosserviços – como na Figura que segue. A análise desse conjunto de segmentos é feita para o ramo agrícola (vegetal) e para o pecuário (animal). Ao serem somados, com as devidas ponderações, obtém-se a análise do agronegócio.

Pelo critério metodológico do Cepea/Esalq-USP, o PIB do agronegócio é medido pela ótica do produto, ou seja, pelo Valor Adicionado (VA) total deste setor na economia. Ademais, avalia-se o VA a preços de mercado (consideram-se os impostos indiretos menos subsídios relacionados aos produtos). O PIB do agronegócio brasileiro refere-se, portanto, ao produto gerado de forma sistêmica na produção de insumos para a agropecuária, na produção primária e se estendendo por todas as demais atividades que processam e distribuem o produto ao destino final. A renda, por sua vez, se destina à remuneração dos fatores de produção (terra, capital e trabalho).

Após estimado o valor do PIB do agronegócio no ano-base, que desde janeiro/17 refere-se ao ano de 2010, parte-se para evolução deste valor de modo a se gerar uma série histórica, por meio de um amplo conjunto de indicadores de preços e produção de instituições de pesquisa e governamentais. Seja para a estimação anual do valor do PIB, ou para as reestimativas mensais das previsões anuais, consideram-se informações a respeito da evolução do Valor Bruto da Produção (VBP) e do Consumo Intermediário (CI) dos segmentos do agronegócio. Pela evolução conjunta do VBP e do CI, estima-se o crescimento do valor adicionado pelo setor.

Com base nos procedimentos mencionados e processos adicionais realizados pelo Cepea, os cálculos do PIB do agronegócio resultam em dois indicadores principais, que retratam o comportamento do setor por diferentes óticas:

PIB-renda Agronegócio (equivale ao PIB divulgado anteriormente pelo Cepea): reflete a renda real do setor, sendo consideradas no cálculo variações de volume e de preços reais, sendo estes deflacionados pelo deflator implícito do PIB nacional.

PIB-volume Agronegócio: PIB do agronegócio pelo critério de preços constantes. Resulta daí a variação apenas do volume de produção. Este é o indicador de PIB comparável às variações apresentadas pelo IBGE.

Mensalmente, o foco de análise principal é o PIB-renda Agronegócio, que reflete a renda real do setor. Por conveniência textual, o PIB-renda do agronegócio é denominado apenas como PIB do Agronegócio ao longo deste relatório. Destaca-se que as taxas calculadas para cada período consideram igual período do ano anterior como base, exceto para as quantidades referentes às safras agrícolas, para as quais computa-se a previsão de safra para o ano (frente ao ano anterior).

Importante também destacar que cada relatório considera os dados disponíveis – preços observados e estimativas anuais de produção – até o seu fechamento. Em edições futuras, ao serem agregadas informações mais atualizadas, há a possibilidade, portanto, de ocorrer alteração dos resultados, tanto no que se refere ao mês corrente, como também ao que se refere a meses e anos passados. Recomenda-se, portanto, sempre o uso do relatório mais atualizado. Para uma análise mais detalhada dos aspectos metodológicos, bem como dos resultados dos demais indicadores (PIB volume, Consumo Intermediário, etc.) ver http://www.cepea.esalq.usp.br/...




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