PIB do 3º TRI/2019 continua surpreendendo positivamente o mercado

Por: Superintendência Técnica da CNA

1. Indicadores do PIB

Divulgado hoje pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o Produto Interno Bruto (PIB) do 3º trimestre de 2019 apontou crescimento de 1,0% no acumulado do ano. O crescimento apresentado neste trimestre (0,6%), foi maior do que o esperado pelos analistas ouvidos pela Bloomberg, a estimativa era de crescimento de apenas 0,4%. De acordo com o Boletim Focus (29/11/2019), a previsão de crescimento para o ano fechado era de 0,98%, o resultado apresentado hoje deverá forçar uma revisão das estimativas para o crescimento do PIB.

Os dados do IBGE revelam ainda que, no 3º trimestre de 2019, a economia brasileira cresceu 0,6% frente ao segundo trimestre de 2019, e cresceu 1,2% frente ao período entre julho e setembro do ano passado, como expresso na Tabela 1 a seguir.

O gráfico 2 a seguir revela o desempenho por setor de atividade econômica. Nos últimos 12 meses o crescimento da economia brasileira foi de 1,0%.

Além da agropecuária (2,0%), cresceram mais que a média nacional de 1,0% nos últimos 12 meses, os seguintes setor: Informação e Comunicação (3,4%), Eletricidade, água e esgoto (3,4%), Atividades Imobiliárias (2,7%), Outras Atividades e Serviços (1,5%) e Comércio (1,4%).

A indústria extrativa (-0,9%), indústria de transformação (-0,5%), Administração, Defesa, Saúde e Educação Pública (-0,1%), Atividades financeiras e de Seguros (0,0%), Transporte, Armazenagem e Correio (0,4%) e Construção (0,4%) apresentaram resultados piores que a média nacional.

Gráfico 2 – PIB e subsetores 3º trimestre/2019
(Taxa acumulada em quatro trimestres em relação ao mesmo período do ano anterior)

Considerando apenas o período entre julho e setembro de 2019 – comparativamente ao segundo trimestre de 2019 - crescimento de 0,6% da economia brasileira.

Entre os componentes da demanda interna, houve avanço de 0,8% do Consumo das Famílias e de -0,4% do Consumo do Governo. Destaque para o crescimento de 2,0% da Formação Bruta do Capital Fixo (FBCF). No setor externo, as Exportações de Bens e Serviços caíram 2,8%, enquanto as Importações de Bens e Serviços avançaram 2,9%.

2. PIB – Agropecuário

No 3º trimestre de 2019, comparativamente ao mesmo período do ano anterior, o setor agropecuário brasileiro apresentou crescimento de 2,1%. Frente ao trimestre imediatamente anterior (2º tri/2019), houve um crescimento de 1,3%, como pode ser visto na tabela 2 abaixo.

Importante lembrar que a taxa apresentada nesse trimestre, comparado ao ano anterior, foi ocasionada graças ao crescimento da safra de culturas relevantes para o período, com destaque para a produção do algodão (39,7%), milho 2ª safra (23,2%) e laranja (6,3%). Além dos resultados positivos da produção pecuária.

3. Considerações finais

A economia brasileira apresentou crescimento maior que o previsto pelos analistas de mercado, com uma ampla expansão do setor privado, a agropecuária é destaque dentre os setores que alavancam o crescimento. Certamente o resultado apresentado hoje irá forçar uma revisão das expectativas do mercado, a ser observada no próximo Boletim Focus.

Importante lembrar que a atividade econômica ainda está abaixo do potencial, o hiato do produto e o nível de desemprego ainda refletem que a economia está rodando abaixo de seu potencial. Destaque também que a saída da maior e mais profunda crise econômica que o país atravessou, encontrou obstáculos ao longo deste ano, sobretudo por conta do acirramento da guerra comercial e da redução da atividade econômica mundial, que impactaram no resultado do Brasil.

Contudo, é fato que a política econômica está no caminho certo e certamente trará crescimento econômico nos próximos períodos. O risco Brasil (CDS – Credit Default Swap) ao longo de 2019, apresentou redução de 38,4%, atingindo 126 pontos em 3 de dezembro. Sinal de que o país apresenta sinais alvissareiros de melhora nos indicadores de sustentabilidade econômica.

Pelo lado das famílias, o consumo ainda está pressionado dado o elevado nível de desemprego (previsão de 12% ao final de 2019) e pela baixa massa salarial. Pelo lado dos investimentos, embora a formação bruta de capital fixo esteja apresentando resultados melhores, a falta de confiança do empresário ainda limita um expressivo aumento do indicador.

Os principais fatores internacionais que devem permanecer no radar e deverão influenciar os resultados no próximo ano são;

  • 1) Guerra comercial entre EUA e China; A elevação das tarifas pelas duas potências econômicas mundiais estão ampliando o protecionismo e reduzindo a liquidez comercial mundial;
  • 2) Eleições norte-americanas; O desenrolar do processo de impeachment do presidente Trump, bem como a definição das primárias para as eleições que ocorrem no segundo semestre de 2020;
  • 3) Instabilidades políticas na Europa; Data definitiva para saída do Reino Unido da União Europeia (Brexit), Formação de governo de coalização na Itália e Eleições na Alemanha;
  • 4) Instabilidade cambial;

No front doméstico, algumas iniciativas do governo federal deverão impulsionar o consumo, dentre os principais;

  • 1) Liberação do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS);
  • 2) Nova redução das taxas de juros (SELIC);
  • 3) Aprovação das reformas (Administrativa, Regra de Ouro e Tributária) deverão dar maior confiança aos empresários e consumidores.


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