Agropecuária puxa crescimento do PIB no primeiro trimestre de 2021

Por: Direção Técnica da CNA

1. PIB Brasil

O Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil, divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) no dia 1º/06, registrou crescimento de 1,2% no primeiro trimestre de 2021, quando comparado ao quarto trimestre de 2020. A maior contribuição veio da Agropecuária, com crescimento de 5,7%, seguido da Indústria (0,7%) e de Serviços (0,4%). Esse é o terceiro resultado positivo do PIB, depois dos recuos no primeiro (-2,2%) e no segundo (-9,2%) trimestres de 2020.

Na comparação com o mesmo trimestre de 2020, o PIB apresentou crescimento de 1,0%. A Agropecuária cresceu 5,2% em relação a igual período de 2020, enquanto Indústria e Serviços registraram variação de 3,0% e - 0,8%, respectivamente.

No acumulado nos quatro trimestres terminados em março de 2021, por outro lado, o PIB registrou queda de 3,8%, quanto comparado aos quatro trimestres anteriores. Nessa base de comparação, apenas a Agropecuária registrou crescimento (2,3%). Serviço e Indústria registraram queda de 4,5% e 2,7%, respectivamente.

Gráfico 1. PIB A PREÇOS DE MERCADO
Variação do primeiro trimestre de 2021 contra o quarto trimestre de 2020 – em %


O ano começou com expectativa positiva de crescimento. No fim de 2020, os setores da economia mais fortemente atingidos pela crise – Serviços e Indústria – começaram a apresentar recuperação e alguns segmentos já apresentavam níveis de produção e faturamento de antes do início da crise sanitária.

Entretanto, com o recrudescimento da pandemia de Covid-19, novas medidas restritivas de circulação de pessoas tiveram que ser tomadas, comprometendo o ciclo de recuperação econômica. Apesar disso, parte dos agentes econômicos (tanto produtores quanto consumidores) já estava mais adaptada ao cenário de medidas de distanciamento social, o que acabou reduzindo os impactos negativos sobre a economia.

A Tabela 1 mostra o desempenho da economia brasileira nos últimos trimestres. Após o forte impacto da crise sanitária sobre a atividade no primeiro e, sobretudo, no segundo trimestre de 2020, a economia começou a dar sinais de recuperação. O PIB cresceu 7,7% no terceiro trimestre de 2020, recuperando parte da queda acumulada nos dois trimestres anteriores: recuo de 1,5% no primeiro trimestre e de 9,6% no segundo. No quarto trimestre, quando o número de casos de contaminação por Covid-19 voltou a crescer, o resultado seguiu positivo (3,2%), mas o crescimento apresentou expressivo arrefecimento.


Além da agropecuária, o avanço do PIB no primeiro trimestre de 2021, frente ao mesmo período de 2020, também foi puxado pelo crescimento das Indústrias de Transformação (5,6%), e Eletricidade e gás, água, esgoto, atividades de gestão de resíduos (2,1%). Nos Serviços, houve resultados positivos em Transporte, armazenagem e correio (1,3%), Intermediação financeira e seguros (5,1%), Informação e comunicação (5,5%), Comércio (3,5%) e Atividades imobiliárias (3,9%). Por outro lado, tiveram retração os serviços de Administração, saúde e educação públicas (-4,4%). Outras atividades de serviços (7,3%) e a Construção (-0,9%). Nas atividades industriais, as Indústrias Extrativas também recuaram (-1,3%).


Pela ótica da demanda, em 2021 observamos queda no consumo das famílias, em função da redução do auxílio emergencial de renda à população mais vulnerável (em termos de valor e número de beneficiários). Paralelamente, o mercado de trabalho ainda se encontra bastaste deteriorado, em particular o informal, com 14,8 milhões de desempregados e uma taxa de desemprego que alcança 14,7% da força de trabalho, a pior taxa da série histórica da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) do IBGE, iniciada em 2012.

O consumo das famílias tem sido fortemente impactado pela crise da covid-19, decorrência do distanciamento social, dos efeitos negativos sobre o mercado de trabalho e da queda dos serviços prestados às famílias. No primeiro trimestre de 2021, o consumo das famílias caiu 6,1%, quando
comparado ao primeiro trimestre de 2020. A queda foi ainda mais expressiva no primeiro trimestre de 2020 (-7,3%), seguido de queda de 11,3% no segundo trimestre de 2020. No terceiro e quarto trimestres de 2020, com a flexibilização das medidas de distanciamento e maior alcance do auxílio emergencial de renda, o consumo das famílias registrou crescimento de 10,3% e 6,9%, respectivamente.


2. PIB Agropecuário

A agropecuária mantém sua trajetória de crescimento, contribuindo para o resultado positivo do PIB brasileiro em 2021. O setor mostra resiliência, mesmo diante de mais um ano atípico, em função das adversidades climáticas, que levaram à prorrogação dos plantios e prejudicaram as colheitas. Apesar desse cenário mais desfavorável, o setor segue apresentando resultados positivos, o que evidencia o
investimento dos produtores em pacotes tecnológicos mais modernos.

No primeiro trimestre de 2021, a agropecuária cresceu 5,2%, em comparação com igual período de 2020, melhor resultado registrado para o PIB do setor desde 2017. O crescimento decorreu tanto do volume de grãos produzido, quanto dos preços elevados de soja e milho no mercado internacional. Segundo a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), a produção de soja na safra 2020/2021 deve alcançar 135 milhões de toneladas, 8,5% a mais que na safra passada. Em relação ao arroz, a estimativa da Companhia é de 11,6 milhões de toneladas, o que representa crescimento de 3,9% em relação à safra anterior.

A elevação do preço da carne bovina, devido à menor disponibilidade de animais para abate, em função da seca que prejudicou o crescimento das pastagens e acarretou na elevação dos custos de produção, também contribui para o desempenho da agropecuária no primeiro trimestre de 2021.

Em termos de expectativa para o segundo trimestre do ano, historicamente o percentual de crescimento é menor; porém, há duas variáveis de grande relevância que devem ser consideradas: as condições climáticas e os custos de produção. As condições climáticas adversas no final de 2020 e início de 2021 levaram ao deslocamento de parte da colheita da soja para o segundo trimestre (cerca de 30% das lavouras, 10 pontos percentuais acima da safra anterior, segundo a Conab). Além disso, tem acarretado em quebra na segunda safra de milho em importantes regiões produtoras do Paraná, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Minas Gerais. Há estimativas de redução da 2ª safra de milho para cerca de
70 milhões de toneladas, frente a 82 milhões previstas pela Conab no início do ciclo.

Outro fator com significativo impacto sobre o resultado do próximo trimestre será o custo dos insumos, especialmente dos fertilizantes. Na comparação de abril/2021 com abril/2020, o custo do fosfato monoamônico (MAP) aumentou 90,8%, o cloreto de potássio (KCL), 46,1%, e a ureia, 55,2%. Para as atividades pecuárias, especialmente pecuária de leite, produção de ovos, aves e suínos, o aumento dos preços da ração (base milho e farelo de soja), terá impacto significativo sobre as suas margens.

3. Conclusão

Ao longo de 2020 foi observada queda significativa no desempenho da economia brasileira por conta da pandemia de Covid-19 em quase todos os setores da economia. A exceção veio da agropecuária, que contribuiu e segue contribuindo positivamente para o PIB brasileiro. Segundo cálculos da CNA, a participação da agropecuária no PIB do 1º Trimestre de 2021 foi de 7,1%, acima dos 6,8% observados no quarto trimestre de 2020.

Ressalta-se que o setor continua aumentando sua importância na economia nacional, e também mundial, especialmente em termos de exportações e empregos. As exportações do setor alcançaram níveis recordes, assim como a oferta de emprego no setor, que teve o melhor resultado para o quadrimestre desde 2011, com 70,7 mil novas vagas formais acumuladas de janeiro a abril de 2021, segundo dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (CAGED) do Ministério da Economia.

Para os próximos meses do ano, a agropecuária deve seguir com bom desempenho, mesmo com menor volume produzido na segunda safra. Na atividade global, as expectativas ainda não estão totalmente claras, já que dependem mais fortemente da evolução da pandemia, da necessidade de manutenção das medidas restritivas e da evolução do calendário de vacinação.


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