Preços dos alimentos no domicílio caem pelo 6º mês consecutivo

Por: Superintendência Técnica da CNA

Pelo sexto mês consecutivo os preços dos alimentos consumidos no domicílio apresentaram queda. Depois de cair 0,70% em setembro, a baixa foi de 0,03% em outubro.  Já o IPCA global subiu apenas 0,10%, a menor taxa para meses de outubro desde 1998. (Gráfico 1)

Gráfico 1- Índice de Preço ao Consumidor Amplo (IPCA) Índice Geral e Alimentação no Domicílio – Mensal

No acumulado de 12 meses o IPCA está em apenas 2,54%, depois de fechar setembro a 2,89%. A expectativa do mercado é que esse indicador encerre o ano em 3,30%, patamar ligeiramente acima do piso da meta de inflação de 2019 (2,75%) e praticamente 1 ponto percentual abaixo do centro da meta, que é de 4,25%. (Gráfico 2)

Gráfico 2- Índice de Preço ao Consumidor Amplo (IPCA) Índice Geral e Alimentação no Domicílio – Acumulado em 12 meses

Esse ritmo bastante lento de reajuste de preços tem ancorado decisões do Comitê de Política Monetária (COPOM) de alongamento do ciclo de redução da taxa SELIC. Até junho/2019, a expectativa dos agentes do mercado era de que a SELIC encerraria o ano a 6,5%. Contudo, com a divulgação naquele mês, do IPCA de maio/2019 – quando a inflação reverteu sua trajetória – as expectativas para a SELIC também voltaram a cair até a mediana atual 4,5%. Ou seja, como a SELIC está em 5% a.a., o mercado espera uma nova redução de 0,5 p.p. ainda em 2019.

Embora em outubro, a variação dos preços dos alimentos consumidos em casa tenha sido, na média, de apenas -0,03%, alguns produtos apresentaram variações bastante expressivas justificadas por movimentos de mercado detalhados a seguir:  

Principais Quedas de Preço:

Cebola – A intensificação da colheita no nordeste (Mossoró/RN, Braúna/RN e Irecê/BA) associada a manutenção dos estoques no cerrado (Triangulo Mineiro e Cristalina/GO) contribuíram para a redução dos preços da cebola no último mês.

Mamão – A cotação do mamão segue em queda desde meados de setembro. A redução do preço tem acompanhando a elevação das temperaturas nas principais regiões produtoras, que resulta em maior celeridade na maturação dos frutos e, consequente, ampliação da oferta no mercado nacional.

Cenoura - A cenoura segue a tendência de queda dos últimos meses refletindo as boas condições climáticas que têm promovido ganhos de produtividade e consequentemente da produção, principalmente na região do Triangulo Mineiro e Alto Paranaíba.

Batata-inglesa – A intensificação da colheita da safra de inverno nos principais estados produtores levou à redução de preço nas principais centrais de abastecimento do país.

Principais Altas de Preço:

Carnes – O aumento de 1,77% nos preços internos da carne bovina em outubro está associado ao incremento em 3,1% no preço da arroba do boi gordo. Apesar da estabilidade na demanda doméstica, as exportações cresceram 27,4% frente a setembro, impulsionada pela maior demanda chinesa.

Limão – Com a passagem do inverno, a safra mais forte de limão Thaiti chegou ao fim. Além disso, o clima desfavorável influenciou as atividades de campo e a oferta de frutas no mercado, com volume e qualidade adequada, durante o mês de outubro. Isso promoveu a ampliação dos preços.

Laranja - Com a aproximação do fim da colheita da laranja pera, as cotações estão sendo mantidas pela demanda ainda aquecida por frutas de maior qualidade.

Morango – Após os baixos preços praticados no auge da safra, a recuperação de preços era esperada dada a redução sazonal dos volumes colhidos nas principais regiões produtoras.


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