Setor produtivo discute impactos de importação de banana do Equador
CNA, entidades e governo participaram de reunião na quarta (18), na Casa Civil
Brasília (18/03/2026) – A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) participou de uma reunião na Casa Civil, na quarta (18), para discutir os possíveis impactos da abertura do mercado brasileiro à importação de bananas do Equador.
O encontro reuniu produtores e representantes da bananicultura de diversas regiões do país, além de representantes do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA) e parlamentares.
Durante a reunião, o setor produtivo destacou a importância estratégica da banana para a segurança alimentar, a geração de renda e a manutenção de milhares de famílias no campo. Também foi ressaltada a representatividade econômica e social da cultura e sua ampla presença no país. Hoje, a área aproximada é de 470 mil hectares e volume superior a 7 milhões de toneladas.
A CNA e outras entidades falaram sobre o perfil da atividade, marcada pela forte presença da agricultura familiar e por sua relevância para a economia de inúmeras regiões produtoras. Nesse contexto, foram manifestadas preocupações quanto aos efeitos de uma eventual entrada da fruta equatoriana em relação à competitividade do produto nacional.
Outra preocupação apontada foi o risco fitossanitário relacionado ao TR4, considerado uma das mais graves ameaças à bananicultura mundial. No Brasil, a praga é classificada como quarentenária ausente, o que torna sua prevenção um tema estratégico para a defesa agropecuária nacional.
De acordo com materiais do Ministério da Agricultura e da Embrapa, o TR4 afeta variedades relevantes para a produção e o consumo no país, pode permanecer por longos períodos no solo e tem elevado potencial de comprometer a viabilidade produtiva das áreas atingidas.
No debate, representantes do setor ressaltaram que a eventual entrada da praga traria consequências econômicas e sociais amplas, com impactos diretos sobre os produtores, especialmente os de menor escala, no abastecimento interno e na renda gerada pela atividade em diversas regiões.
De acordo com a assessora técnica da CNA Letícia Barony, a entidade já havia alertado anteriormente para a necessidade de rigor máximo na avaliação da possível importação de banana do Equador, justamente em razão do risco de ingresso do TR4 e da necessidade de definição prévia de requisitos fitossanitários e medidas de mitigação compatíveis com a proteção da cadeia produtiva nacional.
“Qualquer avanço nessa discussão deve estar necessariamente amparado por análise técnica rigorosa, critérios sanitários robustos, rastreabilidade e mecanismos efetivos de prevenção, de modo a resguardar a produção brasileira e evitar danos de difícil reversão para a bananicultura nacional”, explicou Letícia.
Ainda no encontro, o governo informou que os estudos de Análise de Risco de Pragas (ARP) estão em andamento, com foco na avaliação de eventuais riscos associados à entrada de pragas quarentenárias ausentes no Brasil, por meio da importação da fruta. Segundo os representantes, também serão analisadas possíveis medidas de mitigação, com o compromisso de proteger a cadeia produtiva nacional.