Região Sudeste destaca preocupação com garantias do crédito rural
Alienação fiduciária foi o principal ponto discutido em reunião da CNA, na terça (7)
Brasília (07/04/2026) – O excesso de garantias e exigências para contratação do crédito rural foi o principal ponto discutido durante reunião promovida pela Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) para discutir as propostas da região Sudeste para o Plano Safra 2026/2027.
O encontro foi realizado na terça (7), no município de Linhares, no Espírito Santo, e reuniu produtores e representantes das federações, sindicatos da região. O objetivo foi discutir as necessidades e particularidades do setor em temas como crédito rural, políticas de apoio à comercialização e gestão de risco.
Na abertura, o presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado do Espírito Santo (Faes), Júlio da Silva Rocha, afirmou que as sugestões ao Plano Safra são fundamentais e, com a participação de todos, será possível construir boas propostas para o setor.
“Temos vivenciado um Plano Agrícola e Pecuário que não tem sido muito positivo, especialmente no que diz respeito às garantias, o que tem gerado preocupação entre os produtores”, destacou.
O assessor técnico da Comissão Nacional de Política Agrícola da CNA, Guilherme Rios, explicou que anualmente a entidade tem a iniciativa de reunir o setor produtivo em suas regiões para construir uma proposta robusta e coerente para entregar ao governo.
Em sua fala, Rios apresentou o desempenho de contratação do Plano Safra que tem caído ano após ano. Na safra 2025/2026, a redução foi de 13% em relação ao período anterior, sem incluir as Cédulas de Produto Rural (CPR).
“Não temos visto o crédito chegando na mão do produtor, pois não há recurso disponível. Aqueles que conseguem acessar, relatam redução de limites e exigência maior de garantias, evidenciando um endurecimento do mercado de crédito”, disse.
Garantia fiduciária – Os produtores apontaram a alienação fiduciária como um grande desafio de acesso ao crédito rural e mecanismo desestabilizador da produção. Segundo relatos, arrendatários enfrentam ainda mais dificuldades para obter o financiamento, já que a exigência de garantias, como a fiduciária, tem aumentado e gerado maior pressão das instituições financeiras.
De acordo com os participantes, os bancos vêm ampliando a exigência de garantias em meio ao cenário de endividamento rural. A preocupação é de que muitas propriedades já estão vinculadas a operações anteriores, o que limita novas contratações e torna o acesso ao crédito ainda mais restrito.
Custeio – Outra demanda da região Sudeste é em relação às linhas de custeio agropecuário. No caso do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf) foi apontado o aumento do limite da renda bruta anual de R$ 250 mil para R$ 300 mil e redução das taxas de contratação que variam de 0,5% a 8,0% ao ano.
Investimento – Em relação aos programas de investimento, foram mencionados o Renovagro, Proirriga e Construção e Ampliação de Armazenagem (PCA). No caso do PCA, a justificativa é o aumento da produção de grãos e a necessidade de fomentar condições para que o produtor tenha mais autonomia e possa escolher o melhor momento para comercializar seus produtos.
Fotos: Ascom FAES