Comissão de Cana da CNA debate novo Zarc e perspectivas de mercado de açúcar e etanol

Colegiado também analisou os impactos do acordo Mercosul-União Europeia no setor

Por CNA 24 de fevereiro 2026
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Brasília (24/02/2026) – A Comissão Nacional de Cana-de-açúcar da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) se reuniu, na terça (24), para discutir o novo Zoneamento de Risco Climático (Zarc) da cultura, as perspectivas de mercado de açúcar e etanol para as próximas safras e o plano de ação do colegiado.

O presidente da Comissão, Nelson Perez, o vice, Edilson Maia, e a assessora técnica da CNA Eduarda Lee conduziram os debates. “Esses assuntos são fundamentais para o setor sucroenergético, que deve enfrentar novos desafios esse ano. A comissão tem o papel de acompanhar esses movimentos e trabalhar para que os produtores possam produzir com tranquilidade”, disse Nelson.

O novo Zoneamento de Risco Climático da Cana-de-açúcar, publicado em janeiro de 2026, foi uma das pautas da reunião. O coordenador-geral de Risco Agropecuário do Ministério da Agricultura, Hugo Rodrigues, e o pesquisador da Embrapa, Santiago Cuadra, esclareceram sobre a atualização e as principais mudanças.

Santiago explicou que o novo estudo foi produzido em duas etapas, sendo a primeira sobre a avaliação de risco de produção de cana e a segunda de avaliação do risco de implantação. No mapeamento e classificação do risco de produção foram considerados o rendimento normalizado; a chuva no período de colheita e período mínimo de colheita/moagem.

O novo Zarc da cana também incluiu a avaliação dos municípios até então com restrição de recebimento de financiamento público pelo Zoneamento Agroecológico da Cana (ZAE). “Várias culturas passaram por uma atualização para aprimoramento e adaptação das regiões. Agora está mais abrangente”, disse Hugo Rodrigues.

O Zoneamento Agrícola de Risco Climático é uma das estratégias para mitigação de riscos na agricultura e recentemente passou a ser adotado como condição de elegibilidade no crédito rural.

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Durante a reunião, o economista da Pecege Consultoria e Projetos, Raphael Delloiagono, apresentou projeções para a safra 2026/27 de cana-de-açúcar e perspectivas de mercado de açúcar e etanol, destacando as condições climáticas e produtividade, componentes de variação da moagem da cana e variação de preços do setor.

Segundo estimativas da consultoria, a produção de açúcar no novo ciclo será de 40,34 milhões de toneladas na região Centro-Sul do país. Já a produção do etanol obtido da cana está projetada em 26,53 bilhões de litros. Em relação aos preços do açúcar, etanol e Açúcar Total Recuperável (ATR), o economista alertou que as projeções indicam queda em relação à safra 25/26.

“O mercado internacional enfrenta excesso de oferta, principalmente devido a recuperação da Índia. O aumento dos estoques tem pressionado o preço para baixo. No Brasil, há ainda o efeito da valorização da taxa de câmbio, o que fez o açúcar em reais por saca também cair. Mesmo no melhor cenário, o valor médio do ATR ainda ficará muito abaixo do registrado nas últimas safras”.

Outro assunto tratado no encontro foi os desdobramentos do acordo Mercosul-União Europeia. A assessora de Relações Internacionais da CNA, Isadora Barbosa, afirmou que foram 25 anos de negociação entre os dois blocos econômicos, que resultou na assinatura em janeiro deste ano. “É o acordo mais amplo já negociado pelo Mercosul e que vai impactar 780 milhões de consumidores de ambos os lados”.

Isadora disse que para o setor sucroenergético, o acordo prevê abertura de cotas específicas. No caso do etanol, a União Europeia concederá cota de 450 mil toneladas por ano com tarifa zero para uso industrial e de 200 mil toneladas anuais com tarifa reduzida para etanol destinado a combustível. As condições tarifárias dentro dessas cotas passam a valer a partir da entrada em vigor do acordo.

Em relação ao açúcar, o bloco europeu abrirá cota de 180 mil toneladas por ano com tarifa zero, benefício que também começa a valer no primeiro dia de vigência. Apesar dos avanços, não se trata de uma abertura total do mercado europeu, já que o acesso é limitado a volumes específicos. “Só passa a valer quando o acordo for ratificado pela União Europeia e pelo Mercosul”.

O colegiado também abordou os temas prioritários a serem trabalhos durante o ano, como agroenergia, custos de produção e projetos de lei que impactam o setor.

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