CNA sedia reunião da Câmara Temática de Infraestrutura e Logística 

Encontro foi realizado na quinta (26), em Brasília

Por CNA 26 de fevereiro 2026
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Brasília (26/02/2026) – A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) sediou, na quinta (26), a reunião da Câmara Temática de Infraestrutura e Logística (CTLOG) do Ministério da Agricultura, que discutiu temas estratégicos para o setor, como safra de grãos, balança comercial, ferrovias, hidrovias e piso do frete.

Esse foi o primeiro encontro presidido por Mário Borba, que também lidera a Comissão Nacional de Logística e Infraestrutura da Confederação, e a Federação da Agricultura e Pecuária do Estado da Paraíba (Faepa-PB). O vice-presidente da CNA, Gedeão Pereira, participou dos debates.

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O relatório da safra de grãos 2025/26 foi um dos temas tratados no encontro. O gerente de safras da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), Fabiano Vasconcelos, informou que a estimativa de produção total de grãos em fevereiro deste ano é de 353,4 milhões de toneladas, alta de 0,4% em relação ao ciclo anterior.

Fabiano alertou para a previsão climática e como ela pode impactar o plantio de grãos e o desenvolvimento das culturas, especialmente do milho. Além disso, trouxe dados de área cultivada, produtividade e produção estimada da soja, milho, feijão, arroz, algodão e café.

A previsão para a soja, por exemplo, é de 178 milhões de toneladas, 3,8% a mais em comparação à safra anterior. Já o milho 2ª safra está projetado em 109,3 milhões de toneladas e o total do cereal em 138,4 milhões. O algodão em pluma deve alcançar 3,85 milhões de toneladas; o arroz, 10,9 milhões; e o feijão, 2,96 milhões nas três safras. Para o café, a estimativa é de 66,1 mi/sc, em ano de bienalidade positiva.

Outro assunto da reunião foi o desempenho da balança comercial brasileira em 2025 e impactos na logística de escoamento da safra. O presidente executivo da Associação Nacional dos Usuários do Transporte de Carga (ANUT), Luis Henrique Baldez, abordou o superávit da balança, a importância do agro nos dados, o custo da produção agrícola e a relação de custo de produção com piso mínimo do frete, que influencia diretamente a competitividade e a logística de escoamento da safra.

Baldez também falou sobre estratégia para enfrentar os gargalos logísticos no país, como a criação de um núcleo de acompanhamento de políticas públicas setoriais; a disponibilidade de recursos orçamentários para projetos de infraestrutura; apoio à retomada do programa de transformação dos rios em hidrovias; retomada do programa de redução do custo Brasil e definição de posicionamentos claros sobre políticas públicas junto aos candidatos à Presidência.

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A contribuição das ferrovias para a descarbonização também esteve em pauta. O tema foi apresentado pelo diretor de Dados e Autorregulação da Associação Nacional dos Transportadores Ferroviários (ANTF), Paulo Oliveira, que destacou a expansão da produção agrícola e a necessidade de equilíbrio da matriz logística para ganhos de eficiência e ganhos climáticos relevantes, sendo uma diretriz chave no PNL 2035.

Segundo Paulo, a grande alavanca é a migração modal. “Temos que colocar mais cargas em hidrovias e ferrovias. Além da contribuição para o clima e descarbonização, as ferrovias reduzem acidentes e fatalidades e aliam investimento verde com competividade”, disse.

Em seguida, a coordenadora-geral de Política de Navegação Interior do Ministério de Portos e Aeroportos, Bruna Arruda Santoyo, apresentou os projetos que estão na carteira de concessões 2024-2026 do órgão, sendo eles as hidrovias do Madeira; do Paraguai; do Tocantins e Tapajós; da Lagoa Mirim e Verde.

Bruna explicou que os projetos devem gerar ganhos ambientais, com menor impacto direto ambiental, redução de emissões e pronta resposta a incidentes e contingências; ganhos logísticos, ao elevar a eficiência e reduzir custos no transporte de cargas e ampliar a capacidade de absorção da produção; e por fim ganhos sociais, com desoneração do orçamento público, geração de emprego e renda e estímulo ao desenvolvimento local e regional.

A CTLOG encerrou a reunião com um debate sobre a Política Nacional de Pisos Mínimos de Frete. O coordenador geral do Grupo Esalq-Log/USP, Thiago Guilherme Péra, trouxe esclarecimentos sobre a política, que foi criada em 2018 em um cenário onde o país passava por uma quebra de safra e desaceleração da economia.

Em sua fala, Thiago disse que o custo de transporte é definido a partir da estrutura de custo de transporte de um caminhão típico (custos fixo e variável) mais a produtividade operacional (velocidade, rendimento do consumo de combustível, tempo de carregamento e descarregamento e viagem). O coordenador falou ainda sobre a metodologia do piso do frete e os impactos no mercado.

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