CNA promove discussão sobre ações para cadeia do leite em 2026
Comissão Nacional de Pecuária de Leite se reuniu na quarta (25)
Brasília (25/02/2026) – A CNA promoveu a discussão sobre as ações para a cadeia produtiva do leite em 2026, durante reunião da Comissão Nacional de Pecuária de Leite, na quarta (25).
O assessor técnico, Guilherme Dias, apresentou o plano de ação da comissão, com iniciativas voltas a cinco temas principais: antidumping do leite, mercado futuro, brucelose, acordo Mercosul x União Europeia e regularização das agroindústrias.
Antidumping do leite - Sobre o antidumping do leite, Dias fez um balanço do processo até o momento e explicou que nesse ano os próximos passos envolvem esforço do setor para fornecer conteúdo técnicos ao Departamento de Defesa Comercial (Decom) do Ministério de Desenvolvimento, Indústria e Comércio (MDIC) para as tomadas de decisão sobre o tema.
O técnico ressaltou que o prazo para manifestações das partes terminou em fevereiro e o MDIC deverá publicar nota técnica com fatos essenciais sobre o processo em 26 de março.
Além disso, em maio, o ministério deve elaborar o parecer de determinação final após as últimas manifestações das partes. Caso o Decom conclua pela existência de dumping, dano e nexo causal, a matéria segue para análise da Câmara de Comércio Exterior (Camex), que votará pela aplicação ou não dos direitos antidumping.
Segundo Dias, se a votação for favorável, os direitos antidumping têm vigência praticamente imediata e terá validade por cinco anos, sendo possível a renovação a cada cinco anos.
O presidente da comissão, Jonadan Ma, afirmou que a CNA e as federações devem concentrar a atuação junto às bases para que a decisão final do ministério seja favorável ao setor.
Mercado futuro - Guilherme Dias falou ainda do Mercado Futuro do Leite, que pretende desenvolver previsibilidade de preços para o leite brasileiro, disponibilizar ferramenta de gestão de riscos para a atividade e possibilitar tomada de investimentos de médio e longo prazos. Na avaliação do técnico, a volatilidade é o que mais compromete a renda do produtor e o mercado futuro pretende transformar essa volatilidade em política de renda para os produtores de leite. Isso poderá ser feito por meio de uma ferramenta que deve ser lançada ainda no primeiro semestre desse ano.
"A ferramenta busca resolver anseios antigos dos produtores, a previsibilidade. Com isso, ele poderá trabalhar sabendo por quanto venderá seu leite, permitindo melhor planejamento e tomada de crédito, levando desenvolvimento para a cadeia", destacou o presidente Jonadan Ma.
Programa Brucelose e Tuberculose - A comissão também debateu a atuação no Programa Nacional de Controle e Erradicação da Brucelose e da Tuberculose Animal (PNCEBT), com a realização de discussões sobre como modernizar o programa, como o Workshop Nacional da Brucelose, que reuniu representantes da cadeia produtiva de corte e leite na CNA em novembro de 2025.
Guilherme Dias afirmou que a CNA pretende elencar propostas contundentes em todos os eixos de atuação do Programa. O primeiro evento focou na vacinação e no benchmarking internacional e trouxe importantes visões sobre a atuação em outros países.
Esse ano, a CNA realizará um segundo encontro para discutir testagem, certificação, destinação e indenização de produtores por animais abatidos. "Todas as propostas do setor produtivo serão enviadas ao Ministério da Agricultura para articulação e implantação das mudanças no plano", disse Dias.
Acordo Mercosul x União Europeia - Os membros também abordaram os impactos do acordo para o setor de lácteos, com a participação da assessora de Relações Internacionais, Isadora Souza.
Segundo ela, lácteos e vinhos foram os únicos setores que foram celebradas cotas, e que essas terão sua desagravação gradual ao longo de 10 anos até serem zeradas ao final do período. Entre os produtos contemplados e respectivas cotas, estão o leite em pó (10 mil toneladas/ano), fórmulas infantis (5 mil t/ano) e queijos, exceto muçarela, (30 mil t/ano).
A CNA destacou que o balanço do acordo é positivo e que tem trabalhado medidas de defesa comercial para evitar que o acordo contribua para o ingresso de volumes excessivos de lácteos no país. Em paralelo, estão sendo desenvolvidos notas técnicas e materiais de comunicação para reduzir ruídos e destacar os aspectos técnicos do acordo junto aos produtores.
O último item da pauta foi a regularização das agroindústrias. Guilherme Dias afirmou que a CNA tem trabalhado uma proposta voltada à regularização de agroindústrias e queijarias. A iniciativa surge como uma forma de aprimorar o arcabouço normativo do setor ao harmonizar com a Lei do Autocontrole (14.515/2022), levando à ampliação da formalização das atividades.