CNA defende ações estruturantes para erradicação da Peste Suína Clássica
Entidades do agro participaram de reunião com o Ministério da Agricultura na terça (10)
Brasília (11/02/2026) – A CNA e outras entidades do agro se reuniram, na terça (10), com o Ministério da Agricultura para discutir ações estruturantes voltadas à erradicação da Peste Suína Clássica (PSC) em todo o território nacional.
A reunião foi uma iniciativa da Associação Brasileira dos Criadores de Suínos (ABCS) e da Associação das Empresas de Genética de Suínos (Abegs), junto ao Departamento de Saúde Animal (DSA) do Mapa.
Atualmente, o Brasil é dividido em Zona Não Livre, que abrange 11 estados das regiões Norte e Nordeste, e Zona Livre da doença, que inclui as regiões Centro-Oeste, Sudeste e Sul, além da Bahia, Sergipe, Acre, Rondônia e parte do Amazonas.
Durante o encontro, o setor demonstrou preocupação com a presença da PSC na Zona Não Livre, que concentra um rebanho de cerca de 6 milhões de animais e cerca de 310 mil propriedades. Esses estados enfrentam restrições sanitárias que afetam diretamente o desenvolvimento da cadeia produtiva local.
A última notificação da doença registrada e saneada ocorreu no município de Porto, no Piauí, em 2025. Segundo a CNA, existe uma série de restrições em relação a comercialização e movimentação de animais na Zona Não Livre e que impactam o restante das áreas.
“O principal ponto é avançar nas ações estruturantes, buscando o reconhecimento internacional do Brasil como país livre da doença”, destacou o presidente da Comissão Nacional de Aves e Suínos da CNA, Adroaldo Hoffmann.
Ações – O Ministério da Agricultura apresentou as ações já em andamento e os próximos passos previstos para a Zona Não Livre, que está dividida em regiões 1 e 2, de acordo com o nível de risco sanitário.
Na região 1, que abrange o Nordeste (com exceção do Maranhão), a estratégia consiste na vigilância clínica e na adoção de um cronograma de vacinação nas áreas onde houve focos recentes da enfermidade.
Já a região 2, que compreende os estados do Norte e o Maranhão, apresenta um cenário mais avançado, uma vez que não há registro de casos da doença nos últimos anos. Nessa área, as ações também incluem vigilância clínica nos criatórios de suínos e a realização de estudos epidemiológicos, com o objetivo de comprovar a ausência de circulação do vírus na região.
O assessor técnico da CNA Rafael Ribeiro explicou que, caso os resultados sejam favoráveis, o próximo passo será a elaboração de um dossiê para solicitar à Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA) o reconhecimento de área livre de Peste Suína Clássica sem vacinação.
Na reunião, as entidades também defenderam o fortalecimento da capacidade laboratorial para assegurar o acesso ao diagnóstico preciso de diversas enfermidades, que vêm causando alto impacto econômico nas granjas tecnificadas dessas regiões.