Alimentação no domicílio garante deflação em setembro e abre espaço para Selic de até 4,5% em 2019

Por: Superintendência Técnica da CNA

Pelo 5º mês consecutivo os preços dos alimentos consumidos no domicílio apresentaram queda. Em setembro esses alimentos ficaram 0,70% mais baratos, reduzindo o IPCA global em 0,11 pontos percentuais.

Com o resultado de -0,04% de setembro, o IPCA que nos últimos 12 meses acumula alta de apenas 2,89% passou a ancorar expectativas de novas quedas da taxa básica de juros, a SELIC, para até 4,5% no fim de 2019. Atualmente a SELIC está em 5,5% ao ano.

Gráfico 1- Índice Mensal de Preço ao Consumidor Amplo (IPCA)- Índice Geral e Alimentação no Domicílio

Como pode ser visto nos gráficos 2 e 3 a seguir, depois do pico alcançado em abril/2019 – quando a alta em 12 meses dos preços dos alimentos consumidos no domicílio foi quase o dobro (9,10%) do índice global do IPCA (4,94%) –, ambos os índices têm convergido para abaixo do centro da meta de inflação (4,25% a.a.). Isso tem ocorrido graças às quedas, desde maio, dos preços dos alimentos consumidos no domicílio.

Gráfico 2- Índice de Preço ao Consumidor Amplo (IPCA) - Índice Geral e Alimentação no Domicílio – Acumulado em 12 meses

Gráfico 3- Índice de Preço ao Consumidor Amplo (IPCA) - Índice Geral e Alimentação no Domicílio – Mensal

Os alimentos que tiveram as maiores variações de preço em setembro/2019 foram:

Principais Quedas de Preço:

Tomate
- A ampliação da oferta dada pela aceleração da maturação dos frutos em decorrência das condições meteorológicas favoráveis foi a principal determinante na queda dos preços do tomate.

Cebola
– A proximidade do término de safra, e as elevadas temperaturas ampliaram a comercialização em Minas Gerais, Goiás e em São Paulo uma vez que o calor impede que a cebola fique muito tempo exposta na roça.

Batata
- A redução no preço foi resultado da intensificação da colheita da safra de inverno, aliada ao aumento de produtividade em algumas regiões produtoras principalmente do estado de São Paulo.

Mamão
– A elevação das temperaturas nas principais regiões produtoras do país gerou um processo de aceleração na maturação dos frutos, ampliando a oferta no mercado nacional. A elevação da oferta sem uma proporcional elevação na demanda pelo produto gera a queda dos preços.

Morango
– Os preços do morango apresentaram típico comportamento sazonal. A esperada intensificação da colheita do fruto no mês de setembro foi a principal responsável pela queda dos preços. A partir de outubro, com o início da entressafra da cultura, a redução do nível de oferta deve nivelar os preços novamente.

Uva
– Com a manutenção das condições meteorológicas favoráveis e temperaturas adequadas à maturação, a produção encontra-se em expansão na região do Vale do São Francisco (PE/BA), que está em pico de produção de uvas finas. O aumento da produção associado ao modesto embarque das exportações tem ampliado a oferta dessa fruta no mercado interno.

Principais Altas de Preço:

Óleo de Soja
– O aumento de 5,03% no preço do óleo de soja se deve à redução da disponibilidade interna do produto, devido ao aumento das exportações da soja.

Açúcar refinado
– A elevação de 3,87% no preço do produto reflete dois aspectos principais, a redução da produção e a consolidação do perfil alcooleiro da cultura. Esses fatores convergem para uma redução de oferta, tanto pelos resultados reduzidos da última safra quanto pela realocação do destino final da cultura, com redução para 35% da destinação da safra de cana para o consumo final em forma de açúcar refinado.

Leite Longa Vida
– Após queda do preço do produto nos últimos meses, criou-se um cenário de desaquecimento da produção. Além do histórico de queda nos preços, as regiões Sudeste e Centro-Oeste sofrem com a baixa captação, como consequência da baixa disponibilidade de pastagens causada pela seca. A baixa captação, indústrias operando com um volume reduzido de produção de leite UHT e estoques menores do produto, têm repercutido em alta no preço médio do leite longa vida.

Arroz
– O produto, assim como o óleo de soja, também sofreu alta de preços no último mês em função do aumento das exportações, consequente redução de disponibilidade interna, e redução de 11% na produção em comparação com a safra passada. As maiores perdas ocorreram no Rio Grande do Sul, atual maior produtor do país, devido ao excesso de chuvas nos meses de janeiro e fevereiro.

Carnes
– O aumento nos preços internos da carne bovina foi causado pela diminuição da disponibilidade da proteína para o consumidor, associada à entressafra. Apesar da estabilidade na demanda doméstica, as exportações já cresceram cerca de 9% em 2019, em comparação com o mesmo período do ano anterior.

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