Levantamento dos produtos registrados para combater a Cochonilha do Carmim na Palma Forrageira

Por: Instituto CNA

1) Palma Forrageira na Região Nordeste

De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a produção brasileira de Palma Forrageira, em 2017, foi de 3,6 milhões de toneladas, sendo 99,6% desse total originário da Região Nordeste.

Nessa região, a Palma Forrageira se destaca como importante suporte forrageiro, sendo uma das poucas plantas que melhor resistem aos longos períodos de seca. Essa cactácea pode ser fornecida aos rebanhos tanto fresca quanto picada ou em forma de farelo, puro ou preferencialmente como base de um concentrado com outros produtos, como sorgo, farelo de soja, milho, entre outros.

Apesar de possuir baixo teor de proteína, a Palma se destaca por apresentar altos teores de carboidratos totais, matéria mineral e umidade, características importantes na alimentação e
dessedentação dos animais que vivem em regiões com escassez hídrica. Entretanto, por ser rica em energia, a Palma Forrageira pode ser utilizada na substituição total ou parcial de outros ingredientes com maior custo de produção, como o milho (Embrapa, 2015).

Embora sua rusticidade seja positiva para o sucesso de sistemas produtivos no Semiárido, algumas variedades são vulneráveis ao ataque de insetos-praga com destaque à Cochonilha do Carmim (Dactylopius opuntiae). Essa praga constitui um fator limitante da produção das variedades Gigante (Opuntia fícus indica) e Redonda (Opuntia sp.).

Entre as medidas de manejo para combater o ataque dessa praga, destaca-se o cultivo de variedades resistentes. Produtores rurais têm substituído as variedades “Gigante” e “Redonda” pelas variedades “Orelha-de-elefante-mexicana”, “Miúda ou Doce”, e “IPA Sertânea, Baiana ou Mão-demoça”.

Para a referida substituição, é necessária a orientação técnica adequada. Para as variedades susceptíveis a essa praga já estão disponíveis no mercado alguns defensivos agrícolas (inseticidas) que combatem a Cochonilha do Carmim. 

O levantamento dos produtos registrados no Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) que combatem a Cochonilha do Carmim, praga que ataca e dizima a Palma
Forrageira, é apresentada na Tabela 1.

Foram identificados 5 (cinco) produtos registrados, sendo eles: ACTARA®750 SG, CENTRIC®, ENGEO PLENOTM S, GALIL SC e MEMORY.

2) A Cochonilha do Carmim (Dactylopius opuntiae)


É um inseto que se alimenta da seiva das raquetes de Palma Forrageira, abrigando-se embaixo de uma cobertura de cera branca, semelhante a flocos de algodão, quando esmagado elimina uma substância avermelhada que é um corante natural denominado de “carmim”.

Além de sugarem as plantas, as cochonilhas podem também introduzir vírus ou toxinas, acelerando assim tanto o definhamento (em sintomas de murcha e amarelecimento) como a morte das plantas parasitadas.

Quando identificado o foco dessa praga nas lavouras que já estejam ocasionando perdas econômicas, devem ser tomadas as medidas necessárias de imediato controle, caso contrário à praga pode se alastrar e destruir lavouras inteiras em um curto período.

Infestação da Cochonilha do Carmim em raquetes de Palma Forrageira

Tabela. 1. Produtos registrados no MAPA para Palma Forrageira que combatem a Cochonilha do Carmim (Dactylopius opuntiae).

3) Considerações Importantes

a) O uso de defensivos agrícolas deve seguir a legislação vigente.
b) Não aplicar nenhum produto, sem a devida orientação técnica de profissional habilitado.
c) Procedimentos de lavagem, armazenamento, devolução, transporte e destinação de embalagens vazias e restos de produtos impróprios para utilização ou em desuso:
Vide Bula dos respectivos produtos.
d) Equipamento de Proteção Individual (EPI):
É de extrema importância em aplicações de defensivos agrícolas o uso do Equipamento de Proteção Individual (EPI), que tem por objetivo garantir a saúde e proteção do trabalhador. Estes equipamentos podem ser óculos, jalecos, máscaras, luvas, calçados, capacetes, entre outros. O uso dos equipamentos de proteção é determinado pela norma regulamentadora 31 (NR 31), que tem por objetivo estabelecer os preceitos a serem observados na organização e no
ambiente de trabalho, de forma a tornar compatível o planejamento e o desenvolvimento das atividades da agricultura, pecuária, silvicultura, exploração florestal e aquicultura com a segurança e saúde e meio ambiente do trabalho.
e) Zoneamento Agrícola de Risco Climático (Zarc) para a palma forrageira: Recentemente, o MAPA atendeu a um pedido da CNA e atualizou o Zarc para cultura da Palma Forrageira na região da Sudene. Os números das portarias publicadas em 30 de setembro 2019 para os Estados da Região Nordeste variam de 282 a 290. O Zarc é um instrumento de política agrícola e gestão de riscos criado para minimizar as perdas na produção agrícola, causadas por fenômenos climáticos adversos. Ele permite identificar a melhor época de
plantio da cultura, nos diferentes tipos de solo e ciclos de cultivares.

4) Referências Bibliográficas

Palma forrageira na alimentação animal / autores, Marcílio Nilton Lopes da Frota... [et al.]. - Teresina : Embrapa
Meio-Norte, 2015. 47 p. ; 21 cm. - (Documentos / Embrapa Meio-Norte, ISSN 0104- 866X ; 233).

Áreas de atuação

Região Nordeste