Alagoas

16/05/2019

Seminário apresenta experiência de Israel em irrigação agrícola

Por: Álvaro Müller - para a Agência Sebrae Alagoas

Evento aconteceu na sede da Faeal (Foto: Edilson Omena/Algo Mais Consultoria e Assessoria)

O país mais avançado do mundo em irrigação agrícola tem solo desértico. Israel superou as adversidades e hoje exporta cerca de 80% do que produz no campo, onde mais da metade das terras são irrigadas com água de reuso. Um exemplo internacional de gestão, investimento em tecnologia e educação que o Sebrae trouxe a Alagoas, no Seminário Inovação no Semiárido: a Experiência de Israel, com o objetivo de propor alternativas para o desenvolvimento regional.

O evento aconteceu nesta quarta-feira, 15, no auditório da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Alagoas (Faeal), e reuniu gestores públicos, dirigentes de instituições ligadas ao setor, pesquisadores, técnicos, estudantes e produtores rurais. Segundo o palestrante da abertura, Diego Berger, coordenador de projetos internacionais da Mekorot, empresa de abastecimento de Israel, a principal mudança no Brasil precisa acontecer no âmbito da gestão. 

“Primeiro, é preciso educar as pessoas para que dêem o valor necessário à água. Nós costumamos dizer que Israel foi abençoada pela falta de recurso. Não há mais água natural e metade do que utilizamos na agricultura vem do esgoto, pois somos o país que mais reutiliza. E aí é que está a importância de uma boa gestão, que, além de educar a população, também deve reduzir as perdas e utilizar bem os recursos”, analisa Berger.

O presidente da Faeal, Álvaro Almeida, ressalta a importância da realização do seminário no momento em que a Assembleia Legislativa de Alagoas discute a necessidade da conclusão das obras do Canal do Sertão e da construção de barragens subterrâneas no semiárido. “Nós, da Federação da Agricultura e do Senar, que provocamos essas discussões, já nos sentimos realizados. O resultado não nos pertence, mas o estado foi provocado e nós continuaremos acompanhando. Já demos a sugestão ao governador Renan Filho, pois gostaríamos de participar da gestão, não como gestores principais, mas num grande conselho fiscalizador, que também possa sugerir, contestar, contribuir com o desenvolvimento de Alagoas”, afirma.

O presidente do Conselho Deliberativo Estadual (CDE) do Sebrae em Alagoas, Zezinho Nogueira, reforça que a troca de experiências com Israel traz novas perspectivas, sobretudo, no que diz respeito à gestão. “Temos muitas das tecnologias presentes em Israel e podemos trazer outras, mas o ponto principal deles é a gestão em tudo o que fazem, e é isso o que queremos trazer para Alagoas, essa experiência na gestão da agricultura e dos recursos hídricos”, comenta Nogueira.

Cooperação técnica
O seminário abordou os temas gestão das águas, produção no semiárido e experiências, dificuldades e perspectivas em inovação de produtos. Além da Mekorot, reuniu palestrantes do Centro de Pesquisa Agrícola do Deserto de Ramat Negev e do Instituto de Engenharia Volcani, ambos de Israel; Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC); Instituto Agronômico de Pernambuco; Instituto Nacional do Semiárido (INSA); Embrapa; Universidade Federal de Alagoas (Ufal); Secretaria de Estado do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Semarh); e da Companhia de Saneamento de Alagoas (Casal).

“Esse evento aborda questões que nós entendemos como importantíssimas para que possamos desenvolver o nosso semiárido, que não é um problema, mas sim, uma solução em Alagoas. Ele pode ter uma produção agrícola diversificada e inovadora. Além disso, diante de uma reunião que tivemos com o governador Renan Filho, creio que conseguiremos engrenar uma cooperação técnica com Israel para trazer todo esse conhecimento para o nosso estado”, afirma o diretor técnico do Sebrae em Alagoas, Ronaldo Moraes.

A reunião com o governador de Alagoas aconteceu na tarde dessa terça-feira, 14, véspera do seminário. Além do Diego Berger, da Mekorot, participaram do encontro secretários estaduais, gestores do Sebrae em Alagoas e outros representantes do setor produtivo alagoano. “Trazer uma das maiores empresas de água do mundo para discutir conosco só nos ajuda a produzir com mais racionalidade e menor custo, sobretudo, para atender ao pequeno agricultor, que precisa muito disso. Há possibilidade de convênio com Israel", avalia o secretário de Estado da Agricultura, Pesca e Aquicultura, Ronaldo Lessa.  

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