11/05/2016

Programa de inclusão social transforma metodologia de ensino no campo

Dentro da política de inclusão social das pessoas com deficiência, o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural de Pernambuco (SENAR/PE) promoveu, no município de Bezerros duas capacitações do Programa Apoena para instrutores da formação profissional rural e promoção do SENAR. Concebido pela Administração Central do Senar,  “Apoena”, do tupi-guarani, significa “aquele que enxerga longe”, vislumbrando os princípios democráticos de igualdade e de respeito à dignidade, “enxergando” nas pessoas com deficiência muito mais que sua limitação, mas suas pontencialidades, habilidades e competências.

Com uma carga horária de 24 horas, o treinamento baseia-se na premissa da Acessibilidade Atitudinal, e aborda as especificidades das deficiências física, auditiva, visual, intelectual e psicossocial, além das altas habilidades. Atualmente, o SENAR/PE atende 1.700 alunos/mês, e espera entre esse público, atender da melhor forma as pessoas que apresentem algum tipo de deficiência.

Pernambuco conta com 120 instrutores ligados ao SENAR.  “Nosso foco é trabalhar com os agentes, sejam eles instrutores, mobilizadores ou supervisores. A ideia é que toda equipe técnica da instituição tenha uma mudança de comportamento, para que eles se adaptem a novas formas de ensino e identifiquem nos alunos o que os torna habilitados para o desempenho de uma profissão”, explicou a psicóloga Renata Rubira, instrutora do SENAR Brasil.

Segundo a psicóloga, o Apoena existe para que os profissionais do SENAR não foquem na limitação que determinado estudante tem, e sim, nas demais potencialidades que devem ser aproveitadas. Atrelado a isso, o programa aborda os comportamentos inclusivos, terminologias da educação inclusiva, legislação e especificidades de cada deficiência.

Entre as terminologias explicadas no programa, destacam-se:

• “Pessoas com deficiência” – essa é a terminologia atualmente mais adequada para referir-se a pessoas que podem necessitar temporária ou permanentemente de um atendimento especial. Ela foi adotada pelo Decreto Legislativo 186, de 9/7/08 e pelo Decreto 6.949, de 25/8/09 (Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência).

•  Acessibilidade: possibilidade e condição de alcance para a utilização, com segurança e autonomia, dos espaços mobiliários e equipamentos urbanos, das edificações, dos transportes e dos sistemas e meios de comunicação, por pessoas com deficiência ou com mobilidade reduzida. 

• Adaptação razoável: modificação e ajuste necessários e adequados que não acarretem ônus desproporcional ou indevido, quando requeridos em cada caso, a fim de assegurar que as pessoas com deficiência possam gozar ou exercer, em igualdade de oportunidades com as demais pessoas, todos os direitos humanos e liberdades fundamentais.

•  Discriminação por motivo de deficiência: qualquer diferenciação, exclusão ou restrição baseada em deficiência, com o propósito ou efeito de impedir ou impossibilitar o reconhecimento, o desfrute ou o exercício, em igualdade de oportunidades com as demais pessoas, de todos os direitos humanos e liberdades fundamentais nos âmbitos político, econômico, social, cultural, civil ou qualquer outro. Abrande todas as formas de discriminação, inclusive a recusa de adaptação razoável. 

• Equiparação de oportunidades: processo mediante o qual o sistema geral da sociedade – como meio físico e cultural, moradia e transporte, serviços gerais e de saúde, oportunidades de educação e de trabalho, vida cultural e social, inclusive instalações desportivas e de lazer torna-se acessível a todos.

Além disso, nos cursos executados pela entidade, os participantes contam com orientações sobre saúde preventiva, a fim de evitar os acidentes de trabalho e/ou doenças que têm como uma das consequências lesões que ocasionam deficiências permanentes. É o caso do curso de Mecanização Agrícola. “Preparamos os estudantes para que, quando ingresse em um emprego, como o de tratorista, por exemplo, que ele desenvolva seu trabalho da forma mais correta possível, evitando acidentes”, explicou Renata.

Outro destaque do programa é instruir os agentes de educação quanto a prevenção das doenças ocasionadas pelo Aedes Aegypti. Nas próximas capacitações, os alunos vão contar com informações sobre como evitar a proliferação e, consequentemente, as doenças causadas pelo inseto. “A gente sabe que, com esse surto de Zika, onde Pernambuco registra o maior número de casos, nós teremos uma geração de pessoas com deficiência no meio rural”, observou a facilitadora.

De acordo com Renata Rubira, o grande desafio dos instrutores é transmitir o conhecimento, com eficiência e naturalidade, independente das limitações. “No passado, grande parte da população não teve o contato aprofundado com pessoas com deficiência porque elas viviam segregadas da sociedade, que as rotulava como incapazes. Felizmente, essa situação vem sendo revertida, porém nosso país ainda é carente de uma estrutura inclusiva e o Apoena contribui para a mudança dessa perspectiva”, destacou a psicóloga.

O instrutor do SENAR/PE e participante do treinamento, Clildo Aldeman ressalta que o treinamento o preparou para oferecer uma melhor assistência aos participantes dos eventos do SENAR com algum tipo deficiência “Agora me sinto seguro e apto a ensinar, aproveitando os potenciais de cada aluno”, declarou.

Assessoria de Comunicação do SENAR-PE
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