Santa Catarina

24/01/2020

Balanço 2019: Com ATeG, 3,5 mil propriedades rurais aumentam a produtividade em SC

A Assistência Técnica e Gerencial (ATeG), promovida pelo Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar/SC), órgão vinculado à Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Santa Catarina (Faesc), atendeu, em 2019, 3.525 propriedades rurais com o objetivo de aplicar técnicas de produção e de gerar o desenvolvimento econômico. O programa beneficiou produtores rurais de 245 municípios, representando 83% do território catarinense, e foi realizado com o apoio de 85 Sindicatos Rurais.

A metodologia da ATeG foi aplicada de acordo com o planejamento de crescimento da produção e das necessidades dos estabelecimentos rurais. A ATeG atendeu 1.778 propriedades nas cadeias produtivas de bovinocultura de leite; 1.463 na bovinocultura de corte; 180 na ovinocultura de corte; 90 na apicultura; 83 na piscicultura; 89 na olericultura e 26 na maricultura.

Para aumentar a produção e a rentabilidade dessas propriedades foram realizados o diagnóstico produtivo individualizado, o planejamento estratégico, a adequação tecnológica, a capacitação profissional complementar e a avaliação sistemática de resultados, monitoradas pelos supervisores regionais e técnicos do Senar/SC.

“O acompanhamento sistemático dos estabelecimentos rurais contribuiu para a avaliação tanto nos indicadores técnicos da atividade rural quanto dos econômicos. Os técnicos de campo, juntamente com os produtores, tomaram decisões assertivas, alcançando incremento de renda e aumento na produção de alimentos”, avaliou o superintendente do Senar/SC Gilmar Antônio Zanluchi.

Entre os benefícios da ATeG estão a ampliação da sustentabilidade da produção agrícola, o engajamento da família na atividade produtiva, a geração de emprego e renda no campo e a melhoria da qualidade de vida no meio rural.

“Os produtores estão satisfeitos com o programa, eles ressaltaram a importância das visitas técnicas, desde o diagnóstico individual das propriedades, atendendo as especificidades de cada estabelecimento, até a metodologia aplicada. Também avaliaram positivamente a motivação que receberam para cumprir com os desafios propostos”, afirmou a coordenadora de assistência técnica e gerencial Paula Araújo Dias Coimbra Nunes.

Ainda foram realizadas 74 oficinas técnicas na ATeG Bovinocultura de Corte; 14 na ATeG Bovinocultura de Leite; 12 na ATeG Ovinocultura de Corte; uma na ATeG Piscicultura e uma no ATeG Maricultura. O Dia de Campo da Ovinocultura de Corte (Mafra), reuniu 350 pessoas e os seminários Estaduais de Bovinocultura de Corte (Campos Novos) e Bovinocultura de Leite (Chapecó) totalizaram mais de 3.000 pessoas.

“Os técnicos e produtores rurais planejaram as oficinas de acordo com as necessidades de cada propriedade rural. Também identificaram o número de animais que os estabelecimentos comportam por hectare. Para aumentar a produção e o índice de prenhez, foram abordados assuntos como manejo das pastagens, melhoramento genético do rebanho e inseminação artificial em tempo fixo. Avaliamos as mudanças da unidade conceito e obtivemos resultados positivos”, ressaltou o coordenador do programa em pecuária de corte Antônio Marcos Pagani de Souza.

O presidente do Sistema Faesc/Senar-SC, José Zeferino Pedrozo, antecipou que a assistência técnica e gerencial continuará sendo prioridade em 2020. “Os resultados que a ATeG apresentou comprovam que os objetivos de elevação da produção, produtividade, qualidade e renda foram alcançados. Este ano, o propósito é continuar transformando os produtores em empresários rurais de alta performance”, destacou.

GESTÃO E RESULTADO

A família Bridi, de Joaçaba, no meio oeste, foi reconhecida um modelo de propriedade da ATeG na quarta edição do Prêmio CNA Agro Brasil, na categoria ATeG 2019 - Gestão e Resultado. A empresa rural cumpriu com os requisitos de engajamento do produtor com o sistema CNA/Senar, a promoção de sucessão familiar, o desenvolvimento profissional, a inovação e sustentabilidade, a adequação ambiental da propriedade rural, a adoção de boas práticas e desempenho e os resultados técnicos e financeiros.

A propriedade do empresário rural Enio Bridi ingressou no programa em agosto de 2016 com o objetivo de aumentar a produção de leite e torná-la a principal fonte de renda da família, que na época era a fumicultura.

Para cumprir as metas, a família dedicou-se no desenvolvimento do diagnóstico da propriedade e na adaptação das áreas que eram utilizadas para a produção do fumo. Além disso, passou a fazer os controles gerenciais da propriedade. Os resultados técnicos e econômicos obtidos por meio da ATeG foram excelentes. Conforme o relatório de acompanhamento desenvolvido da propriedade, no primeiro período a produção de leite cresceu 46%, representando um aumento na média mensal de 23.842 litros para 34.844 litros. Na produtividade a evolução foi de 43%, saindo da média de 17,67 litros vaca/dia para 25,36 litros vaca/dia. Em relação ao custo total, o mesmo reduziu em 18,91% e a receita anual teve aumento de 48% (Sisateg).

ATeG

O programa é desenvolvido em duas fases. Na primeira, cada técnico de campo atende até 30 propriedades rurais por mês durante dois anos. As visitas mensais têm duração de quatro horas. Na segunda fase, as visitas são bimestrais no período de 24 meses.

Para atender os produtores rurais, a ATeG conta com 120 técnicos de campo (88 homens e 32 mulheres). Desses, 67 são médicos veterinários; 37 engenheiros agrônomos; 11 zootecnistas; dois engenheiros de aquicultura; dois técnicos apícolas e um engenheiro ambiental, sendo que 64 são graduados, 37 especialistas, 15 mestres, dois técnicos e dois doutores.

Os proprietários rurais precisam se comprometer com os objetivos e os princípios do programa, desenvolver o diagnóstico e o plano de trabalho da propriedade, acompanhar a visita do técnico e cumprir as recomendações técnicas e gerenciais.

A atuação dos Sindicatos Rurais é organizar as ações do programa, auxiliar na seleção de produtores e dos cursos de formação, acompanhar as visitas técnicas, desenvolver relatórios mensais e pagar as despesas dos cursos complementares, das reuniões e das visitas.

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