PIB do Agronegócio recua 0,22% em setembro/18, pressionado pelo ramo pecuário

Por: Superintendência Técnica da CNA e Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada – CEPEA

O Produto Interno Bruto (PIB) do agronegócio brasileiro, calculado pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/USP), em parceria com a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), recuou 0,22% em setembro. No acumulado do ano (janeiro a setembro), o desempenho segue negativo, em 1,63%.

Enquanto os segmentos de insumos (1,30%) e primário (0,28%) apresentaram altas em setembro, os da agroindústria (-0,49%) e agrosserviços (-0,48%) recuaram no mês. Já no acumulado de janeiro a setembro de 2018, os segmentos primário e de agrosserviços registraram baixas, de 3,55% e 2,51%, respectivamente. O segmento de insumos foi o que apresentou melhor desempenho no mesmo período, com alta de 6,13%, seguido da agroindústria, que registrou leve crescimento de 0,10%.

Tabela 1. PIB do Agronegócio: Variação em Setembro e no Acumulado de 2018 (%)

Enquanto o agrícola apresentou crescimento de 0,29% em setembro e de 2,32% no acumulado do ano, o ramo pecuário ainda reflete os efeitos da lenta recuperação da demanda interna e da restrição de importantes mercados internacionais. Diante de tais restrições de demanda, o ramo pecuário registrou queda de 1,48% em setembro e de 10,79% no acumulado até setembro (Tabelas 2 e 3).

Tabela 2. Ramo Agrícola: Variação em Setembro e no Acumulado de 2018 (%)

Importante observar também que enquanto apenas o segmento primário do ramo agrícola apresentou queda no acumulado do ano (-1,78%), houve retração em todos os segmentos do ramo pecuário: insumos: -0,19%, primário: -6,99%, agroindústria: -10,95% e agrosserviços (-14,27%).

Tabela 3. Ramo Pecuário: Variação em Setembro e no Acumulado de 2018 (%)

Já especificamente em setembro, houve expansão nos segmentos de insumos (agrícola: 1,59% e pecuário: 0,74%), e nos primário (0,90%) e de agrosserviços (0,24%), ambos agrícolas. Por outro lado, houve retração na agroindústria tanto do segmento agrícola (-0,21%) como da pecuária (-1,51%), e dos segmentos primário (-0,97%) e de agrosserviços (-2,06%), ambos do ramo pecuário.   

SEGMENTO DE INSUMOS: Fertilizantes e defensivos impulsionam alta

O segmento de insumos do agronegócio apresentou altas de 1,30% em setembro e de 6,13% no acumulado de janeiro a setembro de 2018. Enquanto o desempenho dos insumos agrícolas tem sido positivo (com elevações de 1,59% em setembro e de 9,52% no acumulado do ano), o do ramo pecuário é negativo, em 0,19% no ano, apesar do crescimento de 0,74% em setembro (Tabelas 1 a 3).

Considerando-se dados e informações disponíveis até setembro/18, projetam-se altas de 23,54% no faturamento anual de 2018 das indústrias de fertilizantes, de 7,96% na de defensivos e de 0,50% na de máquinas agrícolas. Rações devem se manter praticamente estáveis em 2018, apenas com leve alta de 0,03%. Já para medicamentos para animais, a expectativa é de redução anual, de 1,05% – Figura 1.

Figura 1. Insumos: variação (%) anual de volume, dos preços e do faturamento – 2018/2017 com informações até setembro/2018

Na indústria de fertilizantes, a previsão de alta no faturamento decorre tanto da alta de 18,47% nos preços entre janeiro e setembro de 2018 comparativamente ao mesmo período de 2017, quanto da expectativa de produção anual 4,28% maior. O preço interno do insumo no ano, por sua vez, tem sido impulsionado pelas maiores demandas doméstica e externa, pela alta nos preços internacionais, pela desvalorização do Real frente ao Dólar e também pela elevação dos custos, resultante do tabelamento de fretes.

A projeção de alta no volume anual de fertilizantes está associada à maior demanda pelo insumo no período que antecedeu o semeio da safra de grãos 2018/2019, bem como à entrega atrasada de insumos após os impasses atrelados à greve dos caminhoneiros e ao tabelamento de fretes.

Em relação à indústria de defensivos, a projeção de alta de 7,96% do faturamento atrela-se à previsão de maior quantidade (13,20%), apesar do recuo de 4,63% nos preços na comparação entre períodos (janeiro a setembro de 2018 frente aos mesmos meses de 2017). Já para a indústria de máquinas agrícolas, o crescimento modesto de 0,50% esperado para o ano reflete o balanço entre preço 2,24% menor, em termos reais, e produção 2,80% maior. Segundo a Anfavea, a alta na produção de máquinas advém do bom desempenho da comercialização no ano, que foi puxada pela maior liquidez das safras de grãos, como soja e algodão.

Para rações, houve equilíbrio entre a alta  de  preços  (0,23%)  e  queda  na  produção   (-0,20%), resultando na expectativa de faturamento praticamente estável para 2018, com leve alta de 0,03%. Segundo o Sindirações, o desempenho do setor de rações em 2018 tem sido aquém do esperado pelos agentes da atividade, devido a fatores como a elevação do custo da alimentação animal – impulsionado pelos preços dos grãos – e a demanda reduzida por proteínas – agravada por efeitos negativos incorridos dos embargos europeus (à carne de frango) e russo (à carne suína) ao setor de carnes.

SEGMENTO PRIMÁRIO: Crescimento no ramo agrícola sustenta alta do segmento em setembro

A renda do segmento primário do agronegócio apresentou alta de 0,28% em setembro, impulsionada pelo crescimento de 0,90% no ramo agrícola, frente à redução de 0,97% no pecuário. No acumulado do ano, no entanto, o resultado se mantém negativo, em 3,55% – com reduções de 1,78% no ramo agrícola e de 6,99% no pecuário (Tabelas 1, 2 e 3).

Para 2018, espera-se alta de 3,00% no faturamento médio das atividades do segmento primário agrícola. Com relação à produção para 2018, após o forte crescimento em 2017,  espera-se nova alta, embora mais modesta, de 1,46%, impulsionada pela expansão esperada na quantidade produzida de culturas importantes em termos de valor de produção, como algodão, café, trigo e soja. Quanto a preços, na comparação entre janeiro a setembro de 2018 com o mesmo período de 2017, houve alta de 1,56% na média ponderada das atividades acompanhadas. Por outro lado, a projeção anual da renda do segmento segue pressionada pelo aumento dos preços de importantes insumos para a produção, como fertilizantes, sementes e óleo diesel.

Já no segmento primário da pecuária, a expectativa acerca do faturamento segue em baixa, por conta, especialmente, dos preços 5,72% menores na comparação de janeiro a setembro de 2018 com o mesmo período de 2017. Já na produção, espera-se elevação de 3,22% no ano. Assim como no segmento primário agrícola, o aumento de preços para insumos pecuários também tem influenciado negativamente a renda do segmento, com elevações importantes para diesel, eletricidade e grãos utilizados na alimentação animal, como o milho.  

As Figuras 2 e 3 e a Tabela 4, apresentadas a seguir, detalham os resultados específicos do segmento por atividades agrícolas e pecuárias. Entre as culturas do segmento primário agrícola acompanhadas pelo Cepea, projetam-se crescimentos dos faturamentos para algodão, batata, cacau, café, soja, trigo, madeira em tora, madeira para papel e celulose e lenha/carvão. Já as culturas para as quais as perspectivas são de queda no faturamento são arroz, banana, cana-de-açúcar, feijão, fumo, laranja, mandioca, milho, tomate e uva – Figura 2 e Tabela 4.

Na cultura do trigo, a expectativa de aumento no faturamento é sustentada tanto pela alta nos preços, de 31,90% na comparação de janeiro a setembro de 2018 frente ao mesmo período de 2017, como também pelo incremento esperado na quantidade produzida para o ano (26,51%). Segundo a Conab, associam-se à elevação de produção esperada os expressivos crescimentos de área plantada (6,4%) e de produtividade (15,5%), sendo esta última, resultado da aplicação de um bom pacote tecnológico por parte dos produtores, aliado a condições climáticas favoráveis. Em relação aos preços, a equipe Grãos/Cepea destacou a posição firme dos vendedores na negociação dos lotes de trigo, o que tem mantido os preços em alto patamar. No cenário externo, o clima tem desfavorecido o cultivo do cereal nos principais players globais, influenciando na sustentação dos valores internacionais.

Para o algodão, o crescimento esperado no faturamento também reflete a projeção de alta da produção para 2018 (30,96%) e aumento nos preços na comparação entre períodos (15,28%). A equipe Grãos/Cepea destaca que os preços internos da pluma fecharam o mês de setembro em alta, com valores sustentados pelo direcionamento de grande parte da produção para a entrega de contratos e pela limitação das negociações no mercado spot, devido à variação na qualidade dos produtos disponíveis. A Conab, por sua vez, destaca que o alto patamar de preços atingido ao longo do ano é resultado da disputa comercial entre os Estados Unidos e a China e dos problemas climáticos que prejudicaram a produção norte-americana. Com relação à produção, a Companhia ressalta que a safra nacional de algodão apresenta expressivo aumento de área (25,1%) e ganho de produtividade (4,7%) o que, por sua vez, foi influenciado pelo clima favorável.

Para o café, a elevação esperada do faturamento associa-se à maior produção esperada para 2018 (33,21%), dado que houve queda dos preços até setembro/18 com relação ao mesmo período de 2017 (-11,60%). Segundo informações da Conab, as boas condições climáticas para o desenvolvimento da cultura e o ano de bienalidade positiva trouxeram ganhos de produtividade para diversos estados produtores. No entanto, os preços do grão recuaram, devido principalmente ao aumento da oferta. Especificamente em setembro, a equipe Café/Cepea destacou que os preços internos seguiram em baixo patamar, em decorrência da queda nos preços internacionais e da retração dos agentes no mercado brasileiro, o que resultou em baixa liquidez no período.

No caso da soja, o crescimento esperado do faturamento reflete a expectativa de aumento da quantidade produzida, em 4,56% para o ano, e a elevação dos preços, em 14,00% na comparação entre janeiro a setembro de 2018 e o mesmo período de 2017. Segundo o levantamento da Conab, a produção deve atingir patamar recorde, com grande crescimento de área semeada. Para a produtividade também se projeta bom resultado, decorrente da aplicação de um adequado pacote tecnológico, aliado a precipitações e temperaturas favoráveis nas principais regiões produtoras, apesar de problemas registrados no Sul do País. Quanto aos preços, a equipe Soja/Cepea destacou que a desvalorização do Real frente ao Dólar atraiu compradores externos ao Brasil, o que resultou em volume recorde exportado em setembro – comparativamente ao mesmo mês de anos anteriores - levando à sustentação nos preços internos.  

Figura 2. Agricultura: Variação (%) anual do volume, dos preços e do faturamento – 2018/2017 com informações até setembro/2018

Tabela 4. Agricultura: Variação (%) anual do volume, dos preços e do faturamento – 2018/2017 com informações até setembro/2018

Dentre as culturas para as quais projeta-se redução do faturamento anual, as expectativas negativas sobre o faturamento do feijão refletem a queda significativa dos preços reais, de 30,34% de janeiro a setembro de 2018 comparativamente ao mesmo período do ano anterior, e de 8,3% na produção. De acordo com a Ibrafe (Instituto Brasileiro do Feijão e Pulses), em setembro, foi verificada uma desaceleração nas vendas frente a agosto, com o intuito de se evitar uma maior queda de preços, dado que o grão vinha sendo vendido com valor abaixo do custo de produção. Já para a produção, a Conab destaca o clima desfavorável no ano, com a falta de chuvas em algumas localidades produtoras, o que prejudicou a safra.

No caso do milho, a diminuição esperada do faturamento reflete uma projeção de queda de 17,43%, na produção, tendo em vista que os preços aumentaram 18,13% na comparação entre períodos. De acordo com a Conab, a área destinada à cultura foi menor na primeira safra e, na segunda, além disso houve também queda na produtividade, devido, principalmente, ao forte estresse hídrico. Quanto aos preços, apesar da alta acumulada no ano – resultante em grande parte da menor oferta no período e da desvalorização cambial, que favoreceu as exportações – especificamente em setembro, houve queda dos preços praticados no mercado interno, diante da maior oferta e necessidade dos vendedores de “fazer caixa”, por conta dos vencimentos de dívidas de custeio da temporada e das compras de insumos para o custeio da nova safra de verão.

Para a cana-de-açúcar, a redução projetada no faturamento anual é reflexo da queda de 14,22% dos preços, na comparação entre janeiro a setembro de 2018 frente ao mesmo período de 2017. Já em relação à quantidade produzida, projeta-se ligeiro crescimento (0,36%) para o ano. A Conab destaca que, em algumas regiões, como no Sudeste, houve queda na produção, devido às complicações climáticas, que acarretaram em menor produtividade frente à safra anterior. No entanto, a Companhia também destaca maior área cultivada, compensando tal efeito.

Para o segmento primário da pecuária, há expectativa de alta no faturamento para bovinocultura de corte e frango e baixa para as demais atividades – Figura 3.

Figura 3. Pecuária: Variação (%) anual do volume, dos preços e do faturamento 2018/2017 com informações até setembro/2018

Para a bovinocultura de corte, o aumento esperado do faturamento associa-se à projeção de ampliação de 3,49% da produção que compensou a leve queda nos preços (-0,27%) na comparação entre janeiro a setembro de 2018 frente ao mesmo período de 2017. Apesar da leve queda acumulada de preços, em setembro verificou-se elevação no preço do boi gordo pelo terceiro mês consecutivo. Este cenário de melhora nos preços é resultado da menor oferta de animais para o abate no período de entressafra e também da elevação do volume de carne bovina exportada, com o crescimento da competitividade da carne brasileira no mercado internacional, por conta da desvalorização do Real com relação ao Dólar, e o impulso da maior demanda asiática.

Na atividade leiteira, a redução projetada do faturamento anual reflete a queda de 1,40% registrada nos preços, na comparação entre períodos, e também a menor expectativa de produção para o ano, com recuo de 0,20%. A queda de preços em setembro é algo já esperado pelos agentes do setor, em decorrência do período de aumento da produção. No entanto, neste ano a baixa nos preços tem sido intensificada pelo consumo enfraquecido de derivados.

Com relação à suinocultura, a queda esperada do faturamento decorre da baixa significativa de preços (-21,54%) na comparação entre janeiro a setembro de 2018 e o mesmo período em 2017, enquanto em termos de volume, projeta-se crescimento para o ano (4,46%). Os preços registraram baixa significativa até a metade de 2018, mas têm se recuperado desde agosto, devido à menor oferta – tendo muitos produtores migrado de atividade por conta da baixa remuneração e dos altos custos de produção – e à elevação das exportações da carne para mercados asiáticos.

No mercado de aves, para corte, a projeção de baixa no faturamento associa-se às quedas na produção (-0,78%) e preços (-0,17%) na comparação entre períodos. Apesar da leve baixa de preços no acumulado do ano, em setembro, o mercado mostrou recuperação nas cotações atingindo o maior patamar mensal desde dezembro de 2016. A alta de preços  no mês esteve atrelada à redução da oferta, à elevação das vendas no mercado interno e ao bom desempenho das exportações no mês. Já para postura, a projeção de queda no faturamento associa-se à baixa de 19,33% nos preços, dada a projeção de elevação de 8,11% de quantidade.  

SEGMENTO INDUSTRIAL: Agroindústria recua novamente em setembro

Depois dos crescimentos registrados em junho e em julho, o segmento industrial recua desde agosto, e registrou baixa de 0,48% em setembro. No acumulado do ano, no entanto, o cenário é de estabilidade, com leve crescimento de 0,10% (Tabela 1). Entre os ramos, mantém-se o cenário em que a agroindústria de base agrícola acumula crescimento, de 3,20% (apesar da baixa de 0,21% em setembro), enquanto a de base pecuária segue em queda, de 10,95% no período (com queda de 1,51% em setembro) – Tabelas 2 e 3.

 Na indústria de base agrícola, projeta-se alta anual de 2,47% no faturamento, refletindo as elevações de 1,93% na produção e de 0,53% nos preços reais, para a média das atividades industriais acompanhadas. No caso da indústria de base pecuária, projeta-se recuo anual de 0,73% no faturamento, com a média de preços das atividades industriais do ramo caindo 4,89% de janeiro a setembro de 2018 na comparação com o mesmo período de 2017. Por outro lado, para a produção, espera-se alta de 4,37% para o ano.

As indústrias de base agrícola que apresentaram perspectivas de crescimento do faturamento foram: óleos vegetais, biocombustíveis, celulose e papel e produtos de madeira e móveis de madeira. Por outro lado, as indústrias que registram perspectivas de redução foram açúcar, moagem e fabricação de produtos amiláceos, fumo, indústria do café, conservas de frutas/legumes/outros vegetais, vestuários e têxtil, outros produtos alimentares e bebidas (Figura 4).

Figura 4. Agroindústrias de base agrícola: variação (%) anual do volume, preços reais e faturamento das indústrias agrícolas acompanhadas

A indústria de celulose e papel tem apresentado desempenho positivo em 2018. As exportações de celulose cresceram consideravelmente para alguns destinos, com destaque para a China que constitui o principal importador do produto brasileiro. Além disso, o faturamento também segue em alta puxado por expectativa de crescimento de 3,64% da produção e por preços 11,73% maiores entre janeiro e setembro desse ano, comparativamente ao mesmo período do ano anterior.

Na indústria de biocombustíveis (etanol), a expectativa também é de melhora no faturamento. Contribuem para isso, a expectativa de expansão da produção em 11,65% e o crescimento de 5,71% observado nos preços entre janeiro e setembro de 2018 comparativamente ao mesmo período do ano anterior. Segundo a Conab, o incremento da quantidade produzida relaciona-se principalmente à menor destinação de ATR para a produção de açúcar nas usinas, dada a vantagem na remuneração do biocombustível. Em setembro, os preços do etanol foram sustentados por demanda aquecida e produção em baixa diante da menor necessidade de liberação de tanques em São Paulo, principal estado produtor, cuja paralisação da moagem nas usinas este associada às chuvas que atingiram a região na segunda quinzena do mês.

Com relação ao açúcar, os preços recuaram 22,41% de janeiro a setembro frente ao mesmo período de 2017, resultando em redução de 9,56% na produção. A queda acumulada nos preços foi provocada, em grande parte, pelo excedente internacional do produto em 2018. Em setembro, porém, o preço doméstico atingiu a maior média da atual safra, devido à queda na produção e à desvalorização do Real frente ao Dólar. Esta última fortaleceu significativamente a posição das usinas brasileiras que direcionam ao exterior a maior parte de suas produções, e com a alta do Dólar desfrutaram de maior remuneração em Reais.

 Com relação às indústrias pecuárias, os resultados são apresentados na Tabela 5. Para o ano espera-se queda no faturamento das indústrias de couro, calçados e laticínios. Já para a indústria de abate a expectativa é de alta no faturamento diante da projeção de crescimento de 6,73% na produção, apesar dos preços entre janeiro e setembro de 2018 terem sido 5,87% menores que no mesmo período de 2017. A redução média observada nos preços deriva das quedas de preço das carnes bovina, de aves e especialmente da suína. De modo geral, conforme já destacado em relatórios anteriores, a demanda continua enfraquecida no mercado doméstico, pressionando os preços das carnes. Além disso, atuaram no mesmo sentido os embargos europeus às carnes de aves e o russo à carne suína. Porém, especificamente em setembro, observou-se elevação da demanda externa pela proteína brasileira, especialmente por parte de mercados asiáticos. Contribuiu para tal efeito a disputa comercial entre a China e os Estados Unidos, que elevou a demanda chinesa pela carne brasileira, e a desvalorização do Real frente ao Dólar, que aumentou a competitividade do produto nacional.

Para a indústria de produtos lácteos, a queda de 1,80% nos preços (na comparação com o período de janeiro a setembro de 2017) e a produção apenas 0,30% maior, corroboram expectativas de queda de 1,5% no faturamento anual. A queda de preços de derivados de leite ao longo do ano decorre principalmente da fraca demanda interna e dos elevados estoques.

Para a indústria de couro e calçados, projeta-se queda de 10,18% no faturamento anual, como resultado das reduções de 5,34% na produção e de 5,21% nos preços, na comparação entre janeiro a setembro de 2017 e de 2018. Segundo informações da Abicalçados, a indústria de calçados no Brasil enfrenta uma de suas piores crises, devido principalmente à fraca demanda interna, decorrente do debilitado poder de compra da população. No mercado externo, a entidade destaca que a indústria calçadista também sente efeitos da crise na Argentina, um dos principais destinos do calçado nacional.

Tabela 5. Variação anual do volume, preços reais e faturamento das indústrias pecuárias acompanhas

SEGMENTO DE SERVIÇOS: Baixa no segmento industrial em setembro reflete em redução do segmento de serviços

Como observado na Tabela 1, o PIB dos agrosserviços apresentou quedas de 0,48% em setembro e de 2,51% no acumulado do ano. Esse resultado negativo de 2018 reflete principalmente a retração de 14,27% dos agrosserviços do ramo pecuário, já que o PIB dos agrosserviços do ramo agrícola apresentou alta de 3,31% no mesmo período.

CONCLUSÕES

A vigência, desde o final de 2017, de baixos preços para os produtos agropecuários tem levado à redução da renda gerada no agronegócio em 2018, apesar do expressivo crescimento do volume produzido. Dados disponíveis dos três primeiros trimestres de 2018 apontam que até setembro, o PIB do Agronegócio recuou 1,63% puxado pelas retrações da renda “dentro da porteira” (-3,55%) e dos agrosserviços (-2,51%). No mesmo período, o desempenho da agroindústria manteve-se praticamente idêntico a 2017, com crescimento de apenas 0,10%. O destaque foi o crescimento de 6,13% do segmento de insumos que, embora seja intrinsicamente positivo, se fez acompanhado da expansão de preços – no caso, aumento de custo dos insumos do setor – levando à redução das margens do produtor rural.

O resultado em setembro foi bastante similar ao do mês anterior, com expansão dos segmentos de insumo (1,3%) e primário (0,28%), e retração da agroindústria (0,49%) e dos agrosserviços (0,48%). Novamente houve expansão do ramo agrícola: 0,29% em setembro, 0,41% em agosto e 2,32% no acumulado do ano; e retração do ramo pecuário: -1,48% em setembro, -1,55% no mês anterior e -10,79% no acumulado dos três primeiros trimestres de 2018 frente ao mesmo período de 2017.

A reversão, a partir de junho, dos preços dos produtos agropecuários tem melhorado mês a mês o desempenho e as perspectivas para o setor, mas a lenta recuperação da atividade econômica brasileira e a oferta elevada para alguns produtos ainda constituem importantes fatores limitantes para uma recuperação mais consistentes dos preços e, consequentemente, da renda gerada no agronegócio.

No caso dos produtos pecuários, a demanda interna enfraquecida e o fechamento abrupto de importantes mercados externos destinos da carne – bovina, suína e de aves – do Brasil prejudicaram os preços com maior intensidade ao longo do ano. Porém, a disputa comercial entre China e Estados Unidos, além do câmbio favorável à elevação da competitividade da proteína brasileira no mercado externo, surtiu efeitos favoráveis às exportações da carne brasileira em setembro, notadamente as direcionadas aos mercados asiáticos, o que resultou em certa sustentação de preços ao longo do mês, embora no acumulado do ano o resultado mantenha-se negativo.

Quanto ao aumento dos custos de produção, destacam-se as elevações de preço dos fertilizantes (encarecidos pela desvalorização do Real frente ao Dólar), do diesel (com as mudanças na política de preços da Petrobras e do próprio tabelamento de fretes) e também do milho, importante insumo das atividades primárias pecuárias.

Em termos de volume produzido, as projeções para 2018 do PIB-volume do agronegócio, calculado pelo critério de preços constantes, seguem apontando crescimento, em todos os segmentos. Conforme se observa na Tabela A3 do Anexo I, o PIB-volume do agronegócio deve crescer 2,36% em 2018, com altas de 4,43% para insumos, de 1,18% para o segmento primário, de 2,58% para a agroindústria e de 2,70% para os agrosserviços.

ANEXO I – Evolução mensal do PIB DO AGRONEGÓCIO

A1) PIB do Agronegócio: Taxas de variação mensal e acumulado do período (em %)

A2) PIB do Agronegócio: Participações dos segmentos (em %)

A3) PIB Volume do Agronegócio: Taxa anual (em %)*

  • Nota técnica: O PIB Volume do Agronegócio trata-se do PIB do agronegócio calculado pelo critério de preços constantes. Resulta, portanto, a variação apenas do volume de produção. Este é o indicador de PIB comparável às variações apresentadas pelo IBGE.

A4) PIB DO AGRONEGÓCIO - METODOLOGIA

O Relatório PIB do Agronegócio Brasileiro é uma publicação mensal resultante da parceria entre o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (CEPEA), da Esalq/USP, e a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA). O agronegócio é entendido como a soma de quatro segmentos: insumos para a agropecuária, produção agropecuária básica (ou primária), agroindústria (processamento) e agrosserviços – como na Figura que segue. A análise desse conjunto de segmentos é feita para o ramo agrícola (vegetal) e para o pecuário (animal). Ao serem somados, com as devidas ponderações, obtém-se a análise do agronegócio.

Pelo critério metodológico do Cepea/Esalq-USP, o PIB do agronegócio é medido pela ótica do produto, ou seja, pelo Valor Adicionado (VA) total deste setor na economia. Ademais, avalia-se o VA a preços de mercado (consideram-se os impostos indiretos menos subsídios relacionados aos produtos). O PIB do agronegócio brasileiro refere-se, portanto, ao produto gerado de forma sistêmica na produção de insumos para a agropecuária, na produção primária e se estendendo por todas as demais atividades que processam e distribuem o produto ao destino final. A renda, por sua vez, se destina à remuneração dos fatores de produção (terra, capital e trabalho).

Após estimado o valor do PIB do agronegócio no ano-base, que desde janeiro/17 refere-se ao ano de 2010, parte-se para evolução deste valor de modo a se gerar uma série histórica, por meio de um amplo conjunto de indicadores de preços e produção de instituições de pesquisa e governamentais. Seja para a estimação anual do valor do PIB, ou para as reestimativas mensais das previsões anuais, consideram-se informações a respeito da evolução do Valor Bruto da Produção (VBP) e do Consumo Intermediário (CI) dos segmentos do agronegócio. Pela evolução conjunta do VBP e do CI, estima-se o crescimento do valor adicionado pelo setor. 

Com base nos procedimentos mencionados e processos adicionais realizados pelo Cepea, os cálculos do PIB do agronegócio resultam em dois indicadores principais, que retratam o comportamento do setor por diferentes óticas:

•             PIB-renda Agronegócio (equivale ao PIB divulgado anteriormente pelo Cepea): reflete a renda real do setor, sendo consideradas no cálculo variações de volume e de preços reais, sendo estes deflacionados pelo deflator implícito do PIB nacional.

•             PIB-volume Agronegócio: PIB do agronegócio pelo critério de preços constantes. Resulta daí a variação apenas do volume de produção. Este é o indicador de PIB comparável às variações apresentadas pelo IBGE.

Mensalmente, o foco de análise principal é o PIB-renda Agronegócio, que reflete a renda real do setor. Por conveniência textual, o PIB-renda do agronegócio é denominado apenas como PIB do Agronegócio ao longo deste relatório. Destaca-se que as taxas calculadas para cada período consideram igual período do ano anterior como base, exceto para as quantidades referentes às safras agrícolas, para as quais computa-se a previsão de safra para o ano (frente ao ano anterior).

Importante também destacar que cada relatório considera os dados disponíveis – preços observados e estimativas anuais de produção – até o seu fechamento. Em edições futuras, ao serem agregadas informações mais atualizadas, há a possibilidade, portanto, de ocorrer alteração dos resultados, tanto no que se refere ao mês corrente, como também ao que se refere a meses e anos passados. Recomenda-se, portanto, sempre o uso do relatório mais atualizado. Para uma análise mais detalhada dos aspectos metodológicos, bem como dos resultados dos demais indicadores (PIB volume, Consumo Intermediário, etc.) ver http://www.cepea.esalq.usp.br/br/pib-do-agronegocio-brasileiro.aspx


Áreas de atuação

Assuntos Econômicos

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