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Boletim
20 de agosto de 2018
Baixos preços agropecuários seguem afetando a renda do agronegócio
POR CNA

O Produto Interno Bruto (PIB) do agronegócio brasileiro, calculado pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/USP), em parceria com a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), recuou 1,17% em maio, acumulando baixa de 2,83% nos primeiros cinco meses de 2018.

Conforme observa-se na Tabela 1, apenas o segmento primário apresentou crescimento em maio (0,27%). Já insumos (-0,58%), indústria (-1,66%) e serviços (-1,62%), apresentaram retrações mensais. No acumulado dos cinco meses, a queda na renda gerada no agronegócio é estimada em -2,83% determinada principalmente pelas retrações de -5,46% no segmento “dentro da porteira” e de -2,94% nos agrosserviços. A agroindústria também contribuiu para essa queda, mas em menor proporção já que apresentou queda comparativamente menor, de -0,88%. Já o segmento de insumos apresentou desempenho relativamente estável (-0,03%) no acumulado de janeiro a maio de 2018. (Tabela 1).

Tabela 1. PIB do Agronegócio: Taxa de variação mensal e acumulada no período (%)
Fonte: Cepea/USP e CNA.

Na análise por ramo de atividade (Tabelas 2 e 3), verifica-se maior queda no pecuário, com baixa mensal de -2,68% e de -7,23% no acumulado do ano. Já no ramo agrícola a queda foi mais modesta: 0,56% em maio e -0,98% no acumulado dos 5 primeiros meses do ano. No ramo agrícola, o desempenho negativo no acumulado do ano se limita à atividade “dentro da porteira” que apresentou retração de -6,02%. Já no ramo pecuário, verifica-se queda em todos os segmentos.

O desempenho negativo estimado para o segmento primário (“dentro da porteira”) do ramo agrícola deriva da queda de -3,66% dos preços acompanhados na comparação entre os 5 primeiros meses de 2018 e o mesmo período do ano anterior.  Na média, porém, tem se verificado uma tendência de recuperação desses preços desde o início de 2018, devido a um maior equilíbrio entre a oferta e demanda de mercado e à desvalorização do Real frente ao Dólar.

Os demais segmentos do ramo agrícola, apresentaram os seguintes resultados em maio: insumos (-0,18%), agroindústria (-1,28%), e agrosserviços (-0,74%). Já no acumulado dos cinco primeiros meses do ano, os resultados observaram foram: +1,96%, +0,96% e +0,04%, respectivamente (Tabela 2).

Tabela 2. Ramo Agrícola: Taxas de variação mensal e acumulada no período (%)
Fonte: Cepea/USP e CNA.

No ramo pecuário, a lenta retomada da economia brasileira segue resultando em baixa demanda interna, pressionando para baixo os preços ao longo das cadeias dos diferentes produtos. Além disso, embargos ou reduções na importação de proteína brasileira, como verificado na atividade de suínos e aves, também têm prejudicado os resultados da pecuária, à medida que elevam a disponibilidade interna e enfraquecem as cotações. Já nos lácteos, embora os preços tenham permanecido baixos nos primeiros cinco meses de 2018 quando se compara com o mesmo período do ano anterior, o mercado apresenta sinais de melhor equilíbrio entre oferta e demanda, influenciando a recuperação das cotações que vem ocorrendo desde fevereiro – efeito que, por sua vez, poderá ser melhor observado nos próximos relatórios do PIB.

Especificamente, como se observa na Tabela 3, as estimativas mensais de quedas para os segmentos do ramo pecuário são de -1,36% para insumos, de -1,22% primário, de -3,10% agroindústria e de -3,60% agrosserviços. Já no acumulado do ano (janeiro a maio), tais estimativas são, respectivamente, de -3,82%, de -4,40% primário, de -7,72% para a agroindústria e de -9,20% para os agrosserviços.

Tabela 3. Ramo Pecuário: Taxas de variação mensal e acumulada no período (%)
Fonte: Cepea/USP e CNA.

SEGMENTO DE INSUMOS: Fertilizantes seguem com preços em alta

No segmento de insumos do agronegócio, estima-se baixa de 0,58% em maio. Já no acumulado dos cinco primeiros meses de 2018, o segmento mantém-se praticamente estável, com leve recuo de 0,03%. Entre os ramos, o segmento de insumos agrícolas apresenta baixa de 0,18% no mês, mas ainda segue com alta de 1,96% no acumulado do ano (janeiro a maio), enquanto o de insumos pecuários teve queda de 1,36% no mês e de 3,82% no ano.

Dentre as indústrias de insumos acompanhadas, estimam-se quedas no faturamento anual para rações (-11,55%), medicamentos para animais (-1,42%) e máquinas agrícolas (-2,71%). Já para fertilizantes (5,88%) e defensivos (9,65%), estima-se elevação anual do faturamento, conforme a Figura 1.

Figura 1. Insumos: variação (%) anual de volume, dos preços e do faturamento – 2018/2017 com informações até maio/2018
Fonte: Cepea/USP e CNA (elaborado a partir de dados do IBGE, FGV e Anda).

Na indústria de fertilizantes, a elevação estimada no faturamento é motivada pela alta de 7,15% nos preços reais, diante da queda de -1,18% em quantidade. No período, as maiores demandas interna e externa e a valorização do dólar influenciaram as altas nas cotações do insumo.

Já para os defensivos, a elevação anual de faturamento estimada decorre de incremento na quantidade (14,30%), já que se verifica recuo de -4,07% nos preços dos primeiros cinco meses 2018 com relação ao mesmo período do ano anterior.

Para rações, a maior influência é da queda de -8,72% das cotações de janeiro a maio com relação ao mesmo período do ano anterior, além da baixa de -3,10% em quantidade. Segundo a Sindirações, a conjuntura de dificuldade com relação à demanda de produtos provenientes das atividades pecuárias, juntamente com o encarecimento dos custos, tem prejudicado a indústria de rações.              

SEGMENTO PRIMÁRIO: Preços agrícolas reagem, mas ainda registram queda no ano

A renda do segmento primário do agronegócio apresentou alta de 0,27% na estimativa de maio de 2018, mas ainda segue com baixa acumulada de -5,46% nos primeiros cinco meses do ano. Em maio, o ramo agrícola apresentou alta de 1,13%, enquanto o pecuário recuou -1,22%. No acumulado, verificam-se quedas respectivas de -6,02% e de -4,40% (Tabelas 2 e 3). Estes resultados estão associados ao comportamento de preços nos primeiros cinco meses de 2018, frente ao mesmo período do ano passado, e à previsão de maiores volumes de produção das culturas agrícolas e das atividades pecuárias em 2018, conforme as Figuras 2 e 3 e a Tabela 4 (que serão apresentadas a seguir).

O segmento primário agrícola, após forte crescimento em 2017, deve apresentar pequena alta de 1,38% na média ponderada de produção das atividades acompanhadas em 2018. Já relativamente a preços, na média, verifica-se tendência de recuperação mês a mês desde o início de 2018, devido a um maior equilíbrio de oferta neste ano e a um impulso da desvalorização do Real frente ao Dólar para os produtos com grande demanda internacional. Porém, no acumulado, as cotações avaliadas para o período de janeiro a maio de 2018, em relação ao mesmo período do ano anterior, ainda seguem em queda, de -3,66%. No segmento primário da pecuária, as estimativas são de produção com alta de 3,46% e preços com baixa de -10,70% de janeiro a maio de 2018 frente ao mesmo período de 2017.

Dentre as culturas do segmento primário agrícola acompanhadas pelo Cepea, as estimativas são de crescimento do faturamento para: algodão, cacau, café, soja, tomate, trigo, madeira em tora, madeira para papel e celulose e lenha/carvão. Já as culturas para as quais as estimativas são de queda no faturamento são: arroz, banana, batata, cana-de-açúcar, feijão, fumo, laranja, mandioca, milho e uva – Tabela 4 e Figura 2.

Tabela 4. Agricultura: Variação (%) anual do volume, dos preços e do faturamento – 2018/2017 com informações até maio/2018

Figura 2. Agricultura: Variação (%) anual do volume, dos preços e do faturamento – 2018/2017 com informações até maio/2018
Fonte: Cepea/USP e CNA (elaborado a partir de dados do IBGE, Conab, IEA/SP, FGV, Cepea, Seagri/BA, Udop).

Dentre as culturas com perspectivas de crescimento de faturamento em 2018, destaca-se o algodão, para o qual a expectativa de alta deriva principalmente da alta produção (a estimativa é de expansão de 27,94% frente a 2017) e da elevação de 6,63% observada nos preços nos primeiros cinco meses de 2018 frente ao mesmo período de 2017. Segundo informações da Conab, a expectativa de maior produção é justificada pelo expressivo aumento da área (25,2%) e pela maior produtividade (2,6%). Com relação a preços, o aumento advém principalmente da maior demanda externa.

No caso do café, a expectativa de alta de 12,00% no faturamento está atrelada à projeção de crescimento de 29,07% na produção, apesar da queda de -13,23% nos preços dos primeiros cinco meses de 2018 frente ao mesmo período de 2017. Segundo a Conab, neste ano, a safra é de bienalidade positiva nas principais regiões, devendo ocorrer elevações significativas na produção tanto do arábica quanto do robusta. Com relação a preços, a equipe Café/Cepea destaca que, mesmo com a baixa no ano, os preços domésticos subiram em maio, impulsionados pela desvalorização da taxa de câmbio e pela maior demanda doméstica.

Para a soja, estimam-se altas de 3,48% na produção anual e de 7,55% nos preços nos primeiros cinco meses de 2018 frente ao mesmo período de 2017. Segundo informações da Conab, a maior produção se deve ao incremento em área plantada nesta temporada (3,7% superior à safra anterior) e à maior produtividade. Com relação a preços, a equipe Grãos/Cepea destaca que o aumento da demanda externa pela soja brasileira e a desvalorização do Real frente ao dólar vêm impulsionando as cotações do grão desde o início do ano.

Para o tomate, o crescimento no faturamento advém da alta de 25,09% nas cotações dos primeiros cinco meses de 2018 frente ao mesmo período de 2017, visto que a produção deve crescer apenas 0,62% no ano. Segundo a equipe Hortifrúti/Cepea, em maio, a colheita da safra verão foi encerrada. Nesta temporada, a produção de frutos com qualidade foi prejudicada em muitas áreas, gerando grande amplitude de preços. Ainda segundo a equipe, os preços do tomate nesta safra tiveram média 37% acima do mínimo estimado para que os produtores cobrissem os gastos com a cultura.

Dentre as culturas para as quais projeta-se redução do faturamento está o milho, em que se estima baixa na produção anual (13,12%), mas alta nos preços reais (4,49%) na comparação de janeiro a maio de 2018 com o mesmo período de 2017. Segundo a Conab, a maior safra no ano passado pressionou as cotações e desestimulou produtores na semeadura da temporada atual, cenário que resultou em menor área de produção. Com relação a preços, a equipe Grãos/Cepea destaca que o aumento no período é decorrente da forte retração de produtores e de vendedores em negociar o cereal, diante da redução de cerca de 11% na produção do milho verão e de incertezas quanto à produtividade da segunda safra.

Para a cana-de-açúcar, a expectativa de redução no faturamento se deve principalmente à queda de -17,27% nas cotações e à baixa de -1,15% na produção projetada para o ano. Segundo informações da Conab, a queda na produção, por sua vez, é resultado da menor área. Segundo a Companhia, no Sudeste – principal região produtora –, tal redução está atrelada à devolução de propriedades arrendadas ou pela rescisão de contrato com fornecedores, sobretudo, aqueles com áreas mais distantes da unidade de produção e/ou com baixos rendimentos, devido a ajustes de produção. Com relação a preços, estes relacionam-se à tendência dos produtos finais da cadeia (açúcar e etanol).

Para o segmento primário da pecuária, há expectativa de baixa no faturamento para todas as atividades, devido à queda de preço, conforme observa-se na Figura 3.

Figura 3. Pecuária: Variação anual estimada do volume, dos preços e do faturamento 2018/2017 com informações até maio/2018
Fonte: Cepea/USP e CNA.

Na atividade leiteira, os preços recuaram -13,95% na comparação entre os primeiros cinco meses de 2017 e de 2018, enquanto a quantidade apresentou alta de 2,40%. Segundo a equipe Leite/Cepea, apesar da baixa de preços no período frente ao ano anterior, verificou-se no campo uma maior restrição de oferta quando comparada aos últimos meses de 2017, influenciada pelo desestímulo e pela descapitalização de produtores frente às baixas cotações recebidas no ano passado. Tal fato, aliado à competição entre empresas para garantir o fornecimento de matéria-prima, tem elevado as cotações ao longo destes meses – tendência que ainda deve ser observada nos próximos relatórios.

Para a bovinocultura de corte, houve queda de -2,61% nas cotações e alta de 2,16% em quantidade (em ambos os casos, na comparação entre os primeiros cinco meses 2018 e o mesmo período de 2017). De acordo com pesquisadores da equipe Boi/Cepea, a pressão sobre as cotações veio principalmente da menor demanda interna e da diminuição no volume de carne exportada, que tem gerado oferta excedente no mercado doméstico.

Na suinocultura, registra-se baixa significativa de -25,29% dos preços na comparação entre janeiro e maio de 2018 e o mesmo período de 2017. Já para a produção, verifica-se alta de 6,40%, na mesma comparação. Segundo a equipe Suínos/Cepea, o mercado de suínos tem sofrido com a maior oferta doméstica, devido à redução no volume de carne exportada.

Com relação à avicultura de corte, os preços apresentaram queda de -12,93% na comparação entre os primeiros cinco de 2018 e de 2017, com elevação de 2,81% na produção na mesma comparação. Segundo a equipe Frango/Cepea, os preços do animal vivo recuaram fortemente nos primeiros meses do ano, mas, entre abril e maio, os valores reagiram, devido ao ajuste entre a oferta e a demanda iniciada pelo setor ainda no primeiro trimes­tre. A avicultura de postura também apresentou baixa de preços na comparação com o mesmo período de 2017, de -17,68%, mas alta de 7,11% na produção.

SEGMENTO INDUSTRIAL: Agroindústria recua em maio, revertendo alta estimada em abril

No segmento industrial, estima-se recuo de -1,66% em maio, resultando em baixa de 0,88% no acumulado de janeiro a maio (Tabela 1), revertendo a projeção de alta que vinha se verificando até abril. Para a indústria de base agrícola, a baixa foi de 1,28% no mês, enquanto para de base pecuária, houve queda de 3,10%. No acumulado de janeiro a maio, os resultados foram de elevação de 0,96% para o ramo agrícola e baixa de 7,72% no pecuário. (Tabelas 2 e 3).

Na indústria de base agrícola, estima-se leve alta de 0,07% no faturamento, que reflete a elevação de 1,73% na produção estimada, que ainda se sobrepõe à queda de -1,63% na média de preços reais das atividades industriais acompanhadas (na comparação entre os primeiros cinco meses de 2017 e de 2018). No caso da indústria de base animal, a perspectiva de recuo de -6,25% no faturamento decorre de preços -9,46% menores, apesar da alta de 3,54% na produção.

No acompanhamento feito pelo Cepea para a evolução do PIB, as indústrias de base agrícola que se destacaram com perspectivas de crescimento do faturamento foram: produtos e móveis de madeira, celulose e papel, biocombustíveis, café, conservas de frutas e outros e óleos vegetais (Figura 4).

Figura 4. Agroindústrias de base agrícola: variação anual estimada do volume, preços reais e faturamento das indústrias agrícolas acompanhadas
Fonte: Cepea/USP e CNA (elaborado a partir de dados do IBGE, FGV e Cepea).

Para a indústria de biocombustíveis (etanol), estima-se alta anual de 1,43% em volume. Para os preços, houve elevação de 4,61% nos primeiros cinco meses de 2018, frente ao mesmo período de 2017. Segundo pesquisadores da equipe Etanol/Cepea, em maio, a demanda esteve aquecida para o etanol hidratado, devido à paridade favorável para o biocombustível frente à gasolina nas bombas de postos de combustível em diversas regiões, notadamente em São Paulo. Quanto ao etanol anidro, as entregas do produto contratado foram menores em maio frente ao mês anterior.

Na indústria açucareira, os preços recuaram -30,36% de janeiro a maio, com relação ao mesmo período de 2017; já a produção tem estimativa de queda de -6,31%. Segundo a equipe Açúcar/Cepea, em maio, os preços caíram devido à diminuição da demanda e ao clima seco, que acelerou a colheita da cana-de-açúcar nas lavouras paulistas, elevando a produção do açúcar.

Para a agroindústria de óleos vegetais, estima-se crescimento de 7,20% na quantidade produzida e alta de 4,89% nos preços dos primeiros cinco meses de 2018 (frente ao mesmo período do ano anterior). Segundo a Abiove, a projeção de alta na produção de óleos de soja para 2018 deve-se à maior disponibilidade de soja no mercado, o que motiva o processamento. A equipe Grão/Cepea também destaca a elevação da demanda de farelo de soja, o que estimula a maior produção de óleo.

Quanto papel e celulose, a estimativa de crescimento no faturamento advém das altas de 2,44% em quantidade e de 11,09% em preços, na comparação de janeiro a maio de 2018 contra o mesmo período de 2017. Agentes de mercado indicam que esse movimento das cotações se deve à elevada demanda internacional no período.

Com relação às indústrias pecuárias, os dados são apresentados na Tabela 5, na qual observam-se baixas estimadas para todos os setores. Na indústria do abate, projeta-se queda de -4,76% no faturamento, como resultado da baixa de -10,02% nas cotações de janeiro a maio frente ao mesmo período do ano anterior, já que a quantidade produzida cresceu 5,84% na mesma comparação. Segundo a equipe Boi/Cepea, as vendas de carne no mercado atacadista têm se mantido enfraquecidas e as exportações também vêm apresentando dificuldades, cenário que gera oferta excedente e queda de preços.

No mercado da carne suína, a equipe Suínos/Cepea destaca que a demanda segue enfraquecida e a oferta, elevada. O embargo da carne suína brasileira por parte da Rússia impactou a atividade nos primeiros cinco meses de 2018, elevando a quantidade ofertada no mercado doméstico e, consequentemente, pressionando as cotações.

No caso da carne de aves, segundo a equipe Aves/Cepea, a demanda interna segue enfraquecida. No mercado exportador, o bloqueio da entrada de carne de frango brasileira na União Europeia resultou em um menor volume embarcado, o que também pressionou as cotações domésticas. Porém, percebe-se uma tendência de recuperação de preços desde abril, o que se deve à redução da produção.

Para a indústria de lácteos, apesar da queda de preços de -9,24% na comparação entre os primeiros cinco meses 2017 e de 2018, a equipe Leite/Cepea destaca que, se por um lado, a demanda foi gradativamente se elevando no período; por outro, a captação de leite estava mais condizente com a demanda. Ainda que o resultado para preços de lácteos esteja negativo no período, a menor oferta tem influenciado na elevação dos preços dos derivados, efeito que poderá ser melhor observado nos próximos relatórios.

Tabela 5. Variação anual estimada do volume, preços reais e faturamento das indústrias pecuárias acompanhas
Fonte: Cepea/USP e CNA.

SEGMENTO DE SERVIÇOS: Reflexo da baixa no segmento primário, serviços do agronegócio recuam

Como observado na Tabela 1, os agrosserviços apresentaram baixa de -1,62% em maio, acumulando queda de -2,94% nos primeiros cinco meses do ano. Esse resultado negativo relaciona-se principalmente ao ramo pecuário, no qual o PIB dos agrosserviços foi estimado em queda de -9,20% no acumulado de janeiro a maio, ao passo que o agrícola apresentou estabilidade no período, com leve alta de 0,04%.

CONCLUSÕES

O PIB do Agronegócio Brasileiro encolheu 1,17% em maio/2018, acumulando retração de 2,83% entre janeiro e maio de 2018. Essa queda nos primeiros 5 meses de 2018 é resultado das estimativas de retração de 5,46% no segmento primário, de 2,93% nos agrosserviços e de 0,88% no segmento agroindustrial, além da estimativa de relativa estabilidade (-0,03%) no segmento de insumos. Esse desempenho adverso no início do ano é resultado da retração tanto do ramo agrícola (-0,98%) como do pecuário (-7,23%), e em sua essência reflete a vigência de preços menores da produção “dentro da porteira”.

As atividades da pecuária seguiram prejudicadas pela menor demanda interna e por restrições nas exportações – como a da Rússia para suínos e da União Europeia para aves –, o que vem gerando excedentes de oferta nas atividades que compõem o ramo e pressionando as cotações. As exceções são para o mercado de lácteos, que vem apresentando produção mais restrita.

Já no ramo agrícola, observa-se retração apenas no segmento primário. A queda na geração de renda “dentro da porteira” é derivada dos baixos preços na comparação entre períodos. Porém, cabe destacar que, na média, tem se verificado uma tendência de recuperação mês a mês desde o início de 2018, devido a um melhor equilíbrio entre oferta e demanda de mercado e à desvalorização do Real frente ao Dólar.

A agroindústria apresentou retração de -1,66% em maio, revertendo a tendência de alta que vinha se observando desde janeiro desse ano. Tal reversão está atrelada às projeções mais modestas de produção nas indústrias de origem madeireira, biocombustíveis, café, conservas de frutas e legumes, óleos, bem como às retrações esperadas para têxtil e vestuário e todas as atividades pecuárias.

Por fim, o PIB-volume do agronegócio, calculado pelo critério de preços constantes, apresenta estimativas de alta para 2018. Para os segmentos, as estimativas anuais de variação são: de 1,73% para insumos, de 1,23% para o segmento primário, de 2,01% para a agroindústria e de 2,16% para os agrosserviços. De forma agregada para o agronegócio, e considerando-se preços constantes, as perspectivas para o PIB volume do agronegócio apontam expansão, de 1,86% em 2018. (Tabela A3 – Anexo I).

ANEXO I – PROJEÇÕES ANUAIS, TABELAS DE DADOS E METODOLOGIA

A1) PIB do Agronegócio: Taxas de variação mensal e acumulado do período (em %)
Fonte: Cepea/USP e CNA.

A2) PIB do Agronegócio: Participações dos segmentos (em %)
Fonte: Cepea/USP e CNA.

A3) PIB Volume do Agronegócio: Taxa anual (em %)*

PIB Volume do Agronegócio


Fonte: Cepea/USP e CNA.

  • Nota técnica: O PIB Volume do Agronegócio trata-se do PIB do agronegócio calculado pelo critério de preços constantes. Resulta, portanto, a variação apenas do volume de produção. Este é o indicador de PIB comparável às variações apresentadas pelo IBGE.

A4) PIB DO AGRONEGÓCIO - METODOLOGIA

O Relatório PIB do Agronegócio Brasileiro é uma publicação mensal resultante da parceria entre o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (CEPEA), da Esalq/USP, e a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA). O agronegócio é entendido como a soma de quatro segmentos: insumos para a agropecuária, produção agropecuária básica (ou primária), agroindústria (processamento) e agrosserviços – como na Figura que segue. A análise desse conjunto de segmentos é feita para o ramo agrícola (vegetal) e para o pecuário (animal). Ao serem somados, com as devidas ponderações, obtém-se a análise do agronegócio.

Pelo critério metodológico do Cepea/Esalq-USP, o PIB do agronegócio é medido pela ótica do produto, ou seja, pelo Valor Adicionado (VA) total deste setor na economia. Ademais, avalia-se o VA a preços de mercado (consideram-se os impostos indiretos menos subsídios relacionados aos produtos). O PIB do agronegócio brasileiro refere-se, portanto, ao produto gerado de forma sistêmica na produção de insumos para a agropecuária, na produção primária e se estendendo por todas as demais atividades que processam e distribuem o produto ao destino final. A renda, por sua vez, se destina à remuneração dos fatores de produção (terra, capital e trabalho).

Após estimado o valor do PIB do agronegócio no ano-base, que desde janeiro/17 refere-se ao ano de 2010, parte-se para evolução deste valor de modo a se gerar uma série histórica, por meio de um amplo conjunto de indicadores de preços e produção de instituições de pesquisa e governamentais. Seja para a estimação anual do valor do PIB, ou para as reestimativas mensais das previsões anuais, consideram-se informações a respeito da evolução do Valor Bruto da Produção (VBP) e do Consumo Intermediário (CI) dos segmentos do agronegócio. Pela evolução conjunta do VBP e do CI, estima-se o crescimento do valor adicionado pelo setor. 

Com base nos procedimentos mencionados e processos adicionais realizados pelo Cepea, os cálculos do PIB do agronegócio resultam em dois indicadores principais, que retratam o comportamento do setor por diferentes óticas:

•             PIB-renda Agronegócio (equivale ao PIB divulgado anteriormente pelo Cepea): reflete a renda real do setor, sendo consideradas no cálculo variações de volume e de preços reais, sendo estes deflacionados pelo deflator implícito do PIB nacional.

•             PIB-volume Agronegócio: PIB do agronegócio pelo critério de preços constantes. Resulta daí a variação apenas do volume de produção. Este é o indicador de PIB comparável às variações apresentadas pelo IBGE.

Mensalmente, o foco de análise principal é o PIB-renda Agronegócio, que reflete a renda real do setor. Por conveniência textual, o PIB-renda do agronegócio é denominado apenas como PIB do Agronegócio ao longo deste relatório. Destaca-se que as taxas calculadas para cada período consideram igual período do ano anterior como base, exceto para as quantidades referentes às safras agrícolas, para as quais computa-se a previsão de safra para o ano (frente ao ano anterior).

Importante também destacar que cada relatório considera os dados disponíveis – preços observados e estimativas anuais de produção – até o seu fechamento. Em edições futuras, ao serem agregadas informações mais atualizadas, há a possibilidade, portanto, de ocorrer alteração dos resultados, tanto no que se refere ao mês corrente, como também ao que se refere a meses e anos passados. Recomenda-se, portanto, sempre o uso do relatório mais atualizado. Para uma análise mais detalhada dos aspectos metodológicos, bem como dos resultados dos demais indicadores (PIB volume, Consumo Intermediário, etc.) ver http://www.cepea.esalq.usp.br/br/pib-do-agronegocio-brasileiro.aspx

Bruno Barcelos Lucchi - Superintendência Técnica

Núcleo Econômico
Renato Conchon – Coordenador
Carolina Yuri Nakamura – Assessora Técnica
Diego Humberto de Oliveira – Assessor Técnico
Fernanda Schwantes - Assessora Técnica
Paulo André Camuri – Assessor Técnico
Sarah Benevides de Amorim - Estagiária


Áreas de atuação