Pesquisa Trimestral IBGE fecha o ciclo produtivo 2018

Por: Superintendência Técnica da CNA

Os dados de abate do último trimestre de 2018 divulgados hoje pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística – IBGE comprovaram os resultados apontados pelo setor produtivo: diminuição de margem e dificuldade para cobrir os custos de produção.

Leite:

No ano de 2018, os laticínios sob serviço de inspeção sanitária captaram 24,45 bilhões de litros, um acréscimo de 0,5% em relação a 2017. Analisando o cenário produtivo, em média o produtor de leite brasileiro recebeu em 2018 R$ 1,27/litro de leite comercializado (CEPEA) número 10,4% maior que a média de 2017. Na outra ponta o custo de produção de leite aumentou em 2018, 12,25%, principalmente pelas altas nos gastos com ração concentrada, energia, combustível e sal mineral, afetando a margem do produtor no ano de 2018.

Minas Gerais manteve a liderança na aquisição de leite com 24,8% de participação nacional, e um crescimento de 1,4% em relação ao último ano. Na sequência aparece o Rio Grande do Sul com 13,9% da captação, mesmo com a queda de 1,1% em 2018 em relação a 2017. Na terceira posição o Paraná industrializou 12,6% do volume total de leite nacional e teve em 2018 um crescimento expressivo de 5,4% na captação formal de leite.

A aquisição de leite em nível nacional obteve aumento no volume captado em 16 dos 26 estados participantes da Pesquisa Trimestral do Leite. Os maiores aumentos ocorreram no Paraná (+156,94 milhões de litros), Minas Gerais (+82,17 milhões), Bahia (+66,95 milhões) e Goiás (+58,89 milhões). Por outro lado houve quedas em 10 estados, sendo a mais expressiva em São Paulo (-144,84 milhões de litros) ou 5% em relação ao volume captado em 2017.

Suínos:

Em 2018 foram abatidas 44,2 milhões de cabeças de suínos, um crescimento de 2,4% em relação a 2017. Esse aumento de volume somado à queda nas exportações de aproximadamente 7% (causada principalmente pelo embargo Russo à carne brasileira), fez com que a oferta interna aumentasse, refletindo negativamente nos preços, fazendo com que os produtores de suínos operaram durante todo o ano no prejuízo, conseguindo pagar somente os custos operacionais.

Aves:

O abate de aves em 2018 diminuiu 2,5% em relação a 2017, foram 5,7 bilhões de cabeças abatidas – segundo ano consecutivo de queda. Em termos de balanço de oferta e demanda, a disponibilidade interna ficou quase que estável, pois as exportações também caíram 5%. Entretanto, com crises institucionais nas empresas, aumento do preço dos insumos das rações e greve dos caminhoneiros, o que se observou foi uma crise sem precedentes na avicultura de corte, trazendo grande impacto à margem do produtor.


Ovos:

A produção de ovos em 2018 teve um aumento de 8,6% em relação a 2017. Isso pode ser explicado pelos atrativos preços da dúzia dos ovos ao longo de 2017, o que estimulou o aumento do alojamento de poedeiras. Isso culminou num excesso de oferta ao longo de 2018, que fez com que os preços caíssem, deteriorando a margens dos produtores, que conseguiram cobrir apenas os custos operacionais da atividade em 2018.

Pecuária de Corte:

No ano de 2018, os frigoríficos brasileiros ampliaram o abate oficial em 3,4%, em relação a 2017. Já a produção de carne teve um incremento de 3,6% no mesmo período. A maior diferença na produção de carne é referente a melhora no peso médio da carcaça de 0,2%. Cabe ressaltar a maior presença de fêmeas no abate desde 2015, última virada do ciclo pecuário. O pico de abate, puxado principalmente pelo 1º semestre, fez com que as fêmeas representassem 41,6% do total de animais abatidos. Apesar da oferta em alta, a demanda por carne bovina no 2º semestre também cresceu, recuperando os preços praticados no 1º semestre. No entanto, ao analisarmos o ano de 2018 como um todo, o aumento da produção de bezerros nos anos anteriores causou uma maior oferta para abate, mantendo abaixo do esperado o valor da arroba, impactando na margem do produtor.

Na avaliação estadual, Mato Grosso continuar sendo o estado de maior importância no abate brasileira, representando 16% do total, na sequência se encontram Mato Grosso do Sul e Goiás, com 10% do abate cada.

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