Adotar inovações exige mudanças – I

Por: *Benjamin Salles Duarte

A adoção de inovações na agricultura, pecuária e no setor de base florestal, com suas singularidades, demandas e ofertas é um processo de mudanças que deriva de muitas condicionantes associadas; econômicas, tecnológicas, estruturais, empresariais, gerenciais, mercadológicas, financeiras, logísticas, sanitárias e operacionais nos caminhos dos mercados interno e externo. Ressalte-se que a agropecuária não funciona como no levantar um prédio, pois ele tem projeto detalhado, espaço físico delimitado e ser aprovado a planta. Lógica mínima na construção civil, importante. 

Estiagens prolongadas em milhares de hectares e numa hora estratégica para as culturas poderá causar prejuízos de milhões de reais no bolso dos produtores rurais. E o seguro agrícola?  Ele ainda não é oportuno, eficiente e abrangente. Ninguém domina a natureza e ela dita as regras do jogo, no que lhe compete, em todas as atividades do agronegócio brasileiro, embora o Brasil já seja o segundo maior produtor de alimentos do mundo. Entretanto os atuais 7,3 bilhões de habitantes/consumidores precisam ser regularmente abastecidos com alimentos e dos quais 206 milhões são brasileiros.

Também crescem as pressões da sociedade organizada no foco da sustentabilidade dos recursos naturais, uma conta comum entre o campo e a cidade. As mudanças climáticas, cujos sinais são mais do que visíveis e não apenas assunto de cientistas e pesquisadores, colocam mais exigências ambientais no planejar as intervenções humanas nos domínios da natureza e o Brasil terá que ampliar o dever de casa.

Portanto, a decisão de plantar, criar, abastecer e exportar é conjuntural e não apenas de liberdade solitária, mas decisão solidária. O que move todo negócio é a rentabilidade econômica e seus indispensáveis resultados na qualidade de vida, no bancar custos, inovar e ao estimular novos padrões sociais acessíveis. Nesse e noutros cenários, os papéis da agropecuária são também indelegáveis no contexto da indústria, agroindústria, do comércio, dos serviços e na geração de emprego e renda.

A modernização do campo não rompe esses vínculos indissociáveis nos sistemas agroalimentares e as políticas agrícolas precisam ser aperfeiçoadas e colocadas em prática no Brasil, pois todo processo é dinâmico na sua essência, presume bons resultados e o agregar valores é um também desafio e tanto.

O processo de adoção de inovações tecnológicas é multidisciplinar e quanto maior for a complexidade da inovação proposta é compreensível que possa levar mais tempo para ser adotada e o conhecimento, o como e o porquê fazer, é pressuposto estratégico de gestão pactuada entre os agentes públicos e privados. 

Entretanto a Lei da Oferta e da Procura, que não se revoga, domina o comércio e novos hábitos de consumo podem também ser criados pelas estratégias de marketing nas paisagens rurais e urbanas. Novas necessidades humanas podem ser estimuladas nesse viger do século XXI e dependerá minimamente da distribuição da renda per capita, que estimula o consumo. Veja o exemplo do celular de múltiplas funções, que não somente para ouvir e falar, e a internet que chegará com força no campo. Questão de tempo.

Noutra vertente, as tecnologias de informação estão cada vez mais avançadas e velozes, um ganho considerável. Seria também presumivelmente duvidoso, nessa panorâmica, o futuro da agricultura familiar se ela não se configurar inovadora, rentável, atuante, eficiente, assistida, organizada e inserida nos mercados.

Outrossim pesquisa da Embrapa, com base no Censo Agropecuário de 2006, ainda vigente, revelava que os ganhos substantivos de produção, produtividade e qualidade das safras agrícolas brasileiras foram devidos em 68,0% à adoção de tecnologias, 22,0% ao trabalho qualificado e apenas 10,0% ao fator terra. Minas segue essa lógica. 

*Benjamin Salles Duarte é Engenheiro agrônomo 

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