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03/10/2017

Com censo agropecuário, IBGE estuda criar 'Waze' da zona rural brasileira

Por Folha de São Paulo

O IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) estuda criar uma espécie de Waze da zona rural brasileira, aproveitando as informações geradas pelos pesquisadores que estão trabalhando para o censo agropecuário.
 
A coleta, iniciada neste domingo (1º) passará por 5,3 milhões de propriedades rurais em todo o país para gerar estatísticas sobre a produção agrícola nacional.
 
Os cerca de 19 mil pesquisadores vão a campo munidos de um tablet, com um aplicativo desenvolvido pelo próprio IBGE para indicar as propriedades sob responsabilidade de cada um deles.
 
O gerente técnico da pesquisa, Antônio Carlos Florido, diz que o aplicativo enviará ao sistema do instituto as rotas utilizadas pelos pesquisadores. "Estes caminhos serão transformados em um produto, os caminhos da zona rural brasileira", explicou.
 
Florido diz que já identificou fornecedores de insumos para o agronegócio. "Estamos calibrando os ajustes, definindo como vai ser desenvolvido e oferecido", disse.
O acompanhamento das rotas dos pesquisadores tem o objetivo de fiscalizar a coleta de dados para o censo. Em tempo real, o IBGE consegue identificar onde está cada um deles e se os questionários foram respondidos dentro das propriedades rurais.
 
A tecnologia permite o acompanhamento por GPS, mesmo sem estar conectado à internet. Para enviar os questionários, porém, os pesquisadores precisarão encontrar um ponto de wi-fi.
 
Previsto para 2015, o censo agropecuário atrasou e sofreu cortes: chegou a ser orçado em R$ 1,6 bilhão, com a contratação de 80 mil pessoas, mas será feito por 26.010 pessoas, a R$ 785 milhões.
 
A redução de pessoal levou a um corte no questionário para reduzir o tempo gasto em cada propriedade, o que gerou críticas, incluindo da Associação de Geógrafos Brasileiros, para quem as mudanças atingirão a qualidade dos dados.
"É um censo que garante a qualidade da informação", defendeu Florido.
 
Fundo
O IBGE trabalha agora para viabilizar o censo demográfico 2020. Trata-se de uma pesquisa maior, que precisará de 300 mil pesquisadores.
 
De acordo com o presidente do IBGE, Roberto Olinto, o orçamento inicial está entre R$ 2,5 bilhões e R$ 3 bilhões. A maior parte dos recursos seria desembolsada em 2020, ano da coleta dos dados.
 
"Buscaremos os recursos necessários. Tenho certeza de que o Brasil realizará o censo demográfico", disse o ministro do Planejamento, Dyogo Oliveira, em entrevista no IBGE nesta segunda-feira (2).
 
Olinto defendeu a criação de um fundo permanente para as duas pesquisas, com aportes anuais, para evitar a disputa por recursos do orçamento. 

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