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05/12/2017

Por mais alianças no agronegócio

Por Por Márcio Caparroz*

As estratégias de um jogo são a ferramentas para se chegar à vitória. Essa é uma regra universal e que requer planejamento. No dia a dia, porém, nem sempre elas são devidamente traçadas e aplicadas. O agronegócio brasileiro passou por um bom tempo de sua história sem dar a devida importância à estratégia, com foco apenas nos desafios da porteira para dentro da propriedade, voltado para aumentar a produção, reduzir os custos e implantar o melhoramento genético. Conquistar e fidelizar mercados, uma tarefa que é de todo o setor, era restrita aos agentes públicos. O fato é que sobrava para os produtores, que são os principais atores do processo, apenas as imposições políticas, comerciais e ambientais. Mas isso está mudando. O setor vem se organizando em todas as esferas, para impulsionar vendas e garantir consumidores. E, agora, com uma visão holística de integração da cadeia. Esse é um movimento em ascensão e sem volta. Alianças estão sendo formadas para superar as barreiras tarifárias e não tarifárias. Um desses exemplos ocorre no setor de proteína animal, em especial na carne bovina. O mercado global desse produto vive um ambiente de muitos desafios. E é tarefa para as lideranças do setor trabalhar pela sua reforma e pela liberalização do comércio internacional, baseada na produção de carne sustentável e na garantia do atendimento dos anseios dos consumidores em todo o mundo. É por isso que, hoje, há um movimento que reúne os sete principais produtores globais de carne, e ganha força. Fazem parte dele a Austrália, o Brasil, o Canadá, o México, a Nova Zelândia, os Estados Unidos e o Paraguai. O grande desafio dessa união de produtores é ser protagonista de um movimento que apresente alternativas viáveis para a produção de alimentos, em consonância com a sustentabilidade econômica, ambiental e social. Daí a necessidade desses países se unirem para traçarem estratégias em busca do fortalecimento de toda cadeia. Barreiras impostas por importadores precisam de uma resposta em bloco. Recentemente, o Brasil atravessou mais um episódio de seu comércio com a Rússia, que ilustra bem esse cenário. Os russos embargaram a carne brasileira, mais uma vez, como artimanha comercial para negociações de outros produtos. Neste caso, eles buscam ampliar o mercado do trigo no Brasil. Isso não é correto porque não há nenhum problema sanitário que justifique tal medida, demonstrando ser uma barreira não tarifária. As alianças, como é o caso da International Beef Aliance (IBA), da qual o Brasil faz parte, orientou seus associados para que as entidades de classe levassem aos governos o posicionamento do setor produtivo. É assim que se cria um movimento, um círculo virtuoso de ações para melhorar a transparência do fair trade internacional, ou seja, do comércio justo. Ações conjuntas que representem algum elo da cadeia da carne, como o varejo, a indústria ou a produção, são importantes. Elas representam um caminho para que todos os produtores possam trocar experiências. São nesses momentos que discussões técnicas e políticas podem tomar forma. Nos dias atuais, uma das propostas de maior relevâcia, e unânime entre os países produtores de carne, é a busca pelo fortalecimento dos blocos econômicos e como serão os posicionamentos políticos com a saída do Reino Unido da União Europeia. Essa ruptura, se não for devidamente implantada, poderá ter impactos no comércio internacional da carne bovina, caso os dois lados não busquem por orientações da Organização Mundial do Comércio (OMC), para minimizar os reflexos nas relações internacionais. O Brasil, como um dos maiores atores globais na produção de proteína animal, faz parte dessa discussão e não pode se omitir em momento algum. 

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