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22/05/2018

O campo em perigo

Por *Joaquim Augusto S. S. Azevedo Souza

Uma das maiores preocupações atuais dos produtores rurais é com a segurança nos sítios e fazendas, diante da ameaça constante de prejuízos por roubos de insumos agrícolas e maquinaria. Em todo o país foram verificadas altas nas quantidades de roubos e furtos às propriedades rurais, especialmente os praticados por quadrilhas especializadas.E o pior é que, segundo relatos de produtores rurais dos Estados de Mato Grosso, Goiás, Minas Gerais e São Paulo cerca de 72% destes furtos e roubos praticados no campo são encomendados. São ações, portanto, planejadas e organizadas que indicam aos bandidos com clareza o que devem roubar, a fim de se satisfazer o mercado ilegal de defensivos agrícolas, fertilizantes e tratores.

Diante desse caótico quadro, em que se visualiza a fragilidade da segurança e da possibilidade de defesa das vítimas, os produtores rurais têm buscado soluções em direção ao equacionamento dessa grave situação. Entre outras providências procuram não manter estoques de insumos em suas propriedades e procuram, também, maneiras de intensificar a identificação de seus tratores e demais maquinaria agrícola através da tecnologia, de forma a inibir possíveis emissões de notas fiscais falsas para transporte dos produtos roubados.

Por outro lado, as entidades representativas do setor , entre elas a nossa Associação Rural e o nosso Sindicato Rural têm procurado alternativas visando aumentar a segurança nas propriedades rurais, incluindo-se, aí,até tratativas com as áreas política e policial.

Além de contarmos com o que nos oferece o Observatório da criminalidade no campo da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil, o qual produz uma estatística própria baseada em estudos e propostas sobre a matéria, montamos, por aqui, um programa denominado "GPS Caipira", juntamente com a Comissão de Segurança da Câmara Municipal, Polícia Militar e Prefeitura, ainda em desenvolvimento. E, prosseguindo no afã de colaborar com soluções para a momentosa questão, tratamos com empresa especializada sobre produtos de consultoria em gestão de riscos onde estão incluídos, entre outros temas, inteligência e investigação empresarial. Além do que, buscamos ainda a possibilidade de se oferecer aos nossos produtores associados serviços de empresa especializada em marcações e registros de tratores e maquinaria agrícola.

Claro que essas iniciativas pretendem, pelo menos, minimizar as sérias dificuldades ora enfrentadas pelos produtores com a insegurança reinante no meio rural.

Inobstante, torna-se de fundamental importância, mormente neste ano eleitoral, que os produtores rurais atentem para os programas dos respectivos candidatos nas próximas eleições, cobrando propostas concretas para a promoção de maior segurança no segmento rural.

É imperativo que o candidato interessado no voto agropecuário, enfrente o desafio de não só prometer mas executar ações que resolvam os atuais problemas de segurança no meio rural, incluindo as invasões e demais turbações às propriedades agrícolas.

Com os atuais entraves promovidos pela insegurança, que colocam em risco o desenvolvimento e progresso do campo, nenhum produtor rural pode continuar produzindo com a tranqüilidade requerida pela estabilidade nas produções agrícolas.

O Estado tem a obrigação de cumprir o seu papel constitucional, empenhando-se o máximo para oferecer, no mínimo, condições seguras a quem trabalha e produz na nossa agropecuária.

Hoje, infelizmente, o campo está em perigo!

*Joaquim Augusto S. S. Azevedo Souza é presidente da Associação e do Sindicato Rural de Ribeirão Preto