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17/11/2015

Informação, evolução, resultado

Por *Rui Prado

A imagem do agricultor e do criador de animais que costumávamos ver na metade do século passado em Mato Grosso, de homens que contavam quase que essencialmente com as benesses da natureza para dar seguimento à sua atividade, vem abandonando cada vez mais o imaginário popular. Em contrapartida, a adoção de pesquisas, o acompanhamento de dados e resultados e o emprego de mais e mais tecnologia são práticas que traduzem o que é, hoje, o ofício da agropecuária. E Mato Grosso é exatamente o espelho desta realidade, um Estado que vive a vanguarda da agricultura e de uma pecuária superprodutiva sem a necessidade de abertura de novas áreas, com o devido respeito ao meio ambiente.
 
Essa evolução do agronegócio, que a muitos parece uma trajetória natural, só foi possível a partir do empenho de homens e mulheres que militaram arduamente em prol de um setor cada vez mais arrojado, que se calcou em ciência, estudos e muito trabalho. Esses homens e mulheres fizeram, em sua maioria, parte do processo embrionário e da consolidação da principal entidade representativa do produtor rural no Estado, a Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso, a Famato, que completa meio século de atividade neste ano. Mas não para por aí!
 
Sem querer, de forma alguma, minimizar a importância de todos os demais braços e frentes de trabalho da entidade ao longo dos seus 50 anos de atuação, quero aqui dar destaque àquele que considero o “filho” mais bem-sucedido e exemplar do Sistema Famato, o Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária, o Imea. Iniciado timidamente na década de 1990, com a pretensão de ser um departamento de economia dentro da instituição, o Imea é apontado hoje como uma das principais organizações produtoras de conhecimento estatístico sobre agronegócio de todo o mundo, respeitado por entidades e produtores rurais das mais variadas partes.
 
Não há desenvolvimento sem conhecimento e é justamente a partir desta máxima que atuam os pesquisadores, analistas e estudiosos do Imea, cujas informações orientam e ditam os rumos mais acertados do setor produtivo mato-grossense - uma potência que, não fossem os percalços logísticos e a falta de um olhar mais prestigiado do poder público, dominaria a produção mundial de alimentos.
 
Assim como a evolução do homem do campo em Mato Grosso, o Imea evoluiu muito e está à frente de um processo de transformação que esperamos para dentro dos próximos 50 anos, que é ampliar e fomentar aquilo que chamo de “agrointeligência”. A partir das informações, dos dados e do conhecimento adquiridos pelo instituto com base na vivência do produtor rural, será possível criar e implantar estratégias ainda mais tecnológicas objetivando resultados que persigam a eficiência plena. Isso não quer dizer que o agricultor e o pecuarista não esperem mais as benesses que a natureza provém, mas poderão fazê-lo de uma forma muito melhor calculada, com instrumentos que podem garantir precisão nas tomadas de decisão fundamentais para o sucesso dos negócios e, consequentemente, do Estado.
 
Tenho muito orgulho de ter participado desse processo de fomento à informação estatística que o Imea realiza, essencial à qualidade do produto do campo. A Famato, entidade que presido pelo segundo mandato, foi a primeira no país a criar um instituto de levantamento de dados econômicos, medida preponderante para tornar Mato Grosso o maior produtor agropecuário do país. E trabalhar com as perspectivas de futuro, com a projeção de informações é seu foco rumo ao primeiro século de existência. Que venham os próximos 50 anos!   
 
*Rui Prado é veterinário, produtor rural e presidente do Sistema Famato/Senar

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