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27/11/2017

Água e Leite

Por Por Ana Paula Mello*

De acordo com a ONU, a demanda mundial por alimentos vai crescer 70% até 2050, enquanto a demanda por água vai aumentar cerca de 55% no mesmo período. Os dois aspectos conferem ao Brasil grande responsabilidade, sobretudo em vista da Agenda 2030, estabelecida pela ONU em 2015, a partir de documento orientador do resultado da Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável, em 2012 (Rio +20). 

 A Agenda 2030 é um plano de ação contendo 17 objetivos integrados e indivisíveis, com 169 metas que perpassam as três dimensões do desenvolvimento sustentável: econômica, social e ambiental. Seguem dois exemplos.

Dentro do objetivo 2, que é acabar com a fome, alcançar a segurança alimentar e a melhoria da nutrição e promover a agricultura sustentável, há várias metas, dentre as quais: até 2030, garantir sistemas sustentáveis de produção de alimentos e implementar práticas agrícolas resilientes que aumentem a produtividade e a produção, ajudem a manter os ecossistemas, fortaleçam a capacidade de adaptação às mudanças climáticas, às condições meteorológicas extremas, a secas, inundações e outros desastres e melhorem progressivamente a qualidade da terra e do solo

Dentro do objetivo 6, que é assegurar a disponibilidade e a gestão sustentável da água e o saneamento para todos, uma das metas é: até 2030, aumentar substancialmente a eficiência do uso da água em todos os setores, assegurar retiradas sustentáveis e o abastecimento de água doce, para enfrentar a escassez, e reduzir substancialmente o número de pessoas que sofrem com a escassez de água.

Está lançado aí um grande desafio, mesmo considerando apenas essas duas metas. Vejamos o contexto no que se refere à água e à produção de leite.

Boa parte da população brasileira conviveu por décadas com a ideia de que a água é abundante e nunca nos faltará. No entanto, com o crescimento da população e da demanda, aliado a problemas de gestão da água e regime de chuvas variável, cada vez mais pessoas têm sentido os impactos da falta do recurso, em quantidade e qualidade que atenda a seus usos, seja para abastecimento humano seja para sistemas produtivos.

Em alguns locais, a água é poluída de tal forma que impossibilita determinados usos, ou torna-os excessivamente caros em razão do tratamento e do transporte. Em outras bacias, a distribuição irregular de chuvas, com estiagens prolongadas, reduz a quantidade de água disponível para todos, causa conflitos pelo seu uso e perdas de produção. É comum ver paisagens marcadas por pastagens degradadas, paisagens secas que refletem na produção.

A resposta a esse cenário, no que se refere às áreas rurais, está em grande parte nas mãos do produtor rural e de técnicos com conhecimento. A capacitação dos produtores e a assistência técnica qualificada e continuada têm o potencial de transformar unidades produtivas em sistemas capazes de intensificar a produção, gerar mais renda e emprego, manejar bem o solo e produzir serviços ambientais, como biodiversidade e água.

 Um bom manejo do solo, com a adequada associação de práticas conservacionistas, pode trazer vários benefícios:

  •  Redução de erosão e perda de solo fértil;
  • Diminuição de enxurrada (e de enchentes/inundações);
  • Prevenção ao assoreamento dos mananciais;
  • Melhoria da qualidade da água;
  • Redução do aporte de nutrientes para o rio;
  • Diminuição da poluição;
  • Alimentação do lençol freático pela infiltração;
  • Redução de gastos do produtor com fertilizantes;
  • Melhoria do balanço de emissão e sequestro de GEE (gases de efeito estufa); Aumento de disponibilidade hídrica;
  • Prevenção de perdas do produtor em período seco.

Nesse sentido, fica reforçada a necessidade e a importância de políticas públicas e de um bom planejamento do produtor rural que sejam voltados a investimentos em transferência de tecnologias, assistência técnica continuada e extensão rural. Para o produtor de leite, bem como para os demais elos dessa importante cadeia produtiva, água realmente é renda. E também é vida, emprego, saúde e futuro.

*Ana Paula Mello é Engenheira Amebiental e Coordenadora da Assessoria de Meio Ambiente da FAEMG

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